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[Quarta-feira, Outubro 1]
A vida no 1014 chega ao fim. O 1014 foi mais, bem mais que uma casa. Foi um foco de resistencia politica, cultural e da vagabundagem. Aqui as pessoas entravam sem ter hora para sair. Aqui todo dia tinha uma visita, algué, de fora, sempre a capainha tocava sem avisar e aparecia alguém em busca de paz. Quem chegava pegava um copo na cozinha e escolia um canto para sentar. As vezes era impossivel sair do lugar. Apesar do pouco estapço da sala, aqui foram feitas reuniões lotadas e nunca ninguém foi barrado na porta. Aqui a porta estava quase sempre destrancada, mesmo quando não estávamos, e quem chegava subia, se servia e colocava um disco na vitrola Aqui foi um templo de uma religião sem muitas cerimonias. Aqui o vinho era sagrado, e pão também, principalmente se fosse coberto com oregano, queijo e tomate. Beatles, Stones eram nossos cantos gregorianos, e o jazz de caras como Monk e Halkquins eram nossos mantras.
Aqui se podia trabalhar a hora que se quisesse, ao menos em teoria. Aqui se trabalhou muito, por que somos casa de gente que tem que trabalhar. Não temos herança nem padrinhos, nem contatos. Não temos esquemas nem temos um rolo ai, umas correrias. Cada garrafa de vinho, pizza papel higiênico foi paga com dinheiro honesto. Mas aqui sempre se teve muito respeito pelo trabalho, mas ele nunca foi mais importante que os bons momentos que a vagabumdage traz. Aqui as pessoas faziam as suas vidas numa sala de 5m x 2,5m.
Ainda temos alguns minutos, talvez mais uma hora, então podemos nos depedir dos discos e tentar uma ultima conversa prosaica. A parede está assinada como o uniforme da escola no ultimo dia de aula. Mas são lembranças que não se podem guardar na gaveta. São tatuagens num membro já ausente. Ia escrever “decepado”, mas não é uma decepação. É mais como um daqueles membros que alumas espécies de animais tem que são absorvidos pelo organismo ao longo da vida. Ele simplesmente some dentro do animal.
Ainda temos até sábado dormindo aqui. depois de desmontar o som, vou ligar uma vitrolinha portátil. Espera que ela esteja funcionando. O som do 1014 ficará mais baixo. Sábado já não serei eu que colocarei os discos.
O 1014 já foi chamado de casa da árvore. Precisamos de um lugar maior, somos em três e trabalhamos em casa, a falta de espaço daqui dificulta pra cacete, até passar para ir ao banheiro ou levantar da mesa é um transtorno logístico. Mas aqui é um lugar do cacete. A gente anda muito sensível esses dias. A gente está deixando para trás uma coisa que gosta muito. Não está saindo de um lugar ruim. Os bons momentos, que a gente lembra o tempo todo quando está aqui e fazem a gente vive-los de novo não vão mais existir num outro lugar. Viram só lembranças.
Vamos provisoriamente para uma kit na paulista, de um primo bem sucedido meu que agora mora na Austrália. Estamos procurando um apartamento maior para morarmos, mas ainda não achamos, então estarei morando numa casa estranha por alguns messes, talvez ate o começo do ano que vem. Apareçam. Será divertido também. Lá tem uma vista do cacete, e vai continuar tendo vinho e a vitrola.
Adios Muchachos.
Tchê Costa
PS: Aguardem Novidades.
por O Anfitrião 1:34 PM
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[Sábado, Setembro 27]
faltam oito dias.
por O Anfitrião 5:29 PM
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[Terça-feira, Novembro 6]
O cheiro do cinearte. Aquele cheiro de rico, ou pelo menos é o cheiro que eu imagino que tem rico. Na verdade eu sei, fui em algumas casas de rico, algumas vezes na vida. Trabalhei em casa de rico quando era adolescente, ajudante de cozinha em banquete. Meu chefe era um chef francês, casado com a minha tia. Noutros tempos, tinha colegas bem ricos na faculdade e freqüentei a casa de alguns deles. Era diferente, mas tinha um cheiro assim como o do cinearte depois da reforma e da placa escrita cinebombril. Um cheiro que prende o tempo.
As mostras acontecem sempre no mesmo período do ano, quase no fim dele, quando algumas coisas estão para aocntecer, mas a maior parte das coisas que podiam acontecer contigo num ano já tinham acontecido. Mas ainda não era a reta final, o spring, ainda havia um tempo para cair fora antes que as coisas apertassem e o que estava pendente o ano todo se concluísse.
Nas duas semanas entre o final de outubro e o começo de novembro, nós saíamos da dimensão do cotidiano e entrávamos numa dimensão fora do espaço e do tempo, chamado mostra. Ali o tempo paravam, e se confundia de tal forma que acredito que durante o peridodo da mostra op tempo sofre aberrações de forma e perce sua continuidade. Não há mais dias, horas, messes ou semanas, mas apenas filmes que habitam os espaços atravessados pelos ponteiros do relógio. O tempo contado em filmes.
O cheiro do cinearte é uma espécie de cheiro da mostra. Sim por que todo o mundo parace adquirir aquele cheiro marron claro, pipoca e café de qualidade de seus foyers. Ali ele é mais forte, é claro, talves tudo comece como um faro que a gente persegue.
Quando acaba a mostra,a nossa velha dimensão parece desabar apressada e urgente nas nossas costas. todas as malditas caras conhecidas estão çá nos esperando, e agora com ainda mais pressa.
Na mostra de 2003, eu estava para concluir a faculdade, mas precisava terminar de redigir um livro reportagem que era meu TCC. Uma pesquisa bacana sobre a história da construção de uma favela na zona norte. Já tinha quase tudo pesquisado, faltavam três ou quatro entrevistas, mas ainda tinha de escrever todo o livro. Eu sabia que o prazo era curto, e subia para a PUC imaginando quando começaria a mostra, e se eu conseguiria fazê-la. Imaginei que iria começar dali uma semana, e resolvi me informar, mas correr para deixar tudo adiantado, para poder fazer mostra. Eu teria uma semana, com sorte, duas...
Na hora do intervalo, a gostosa da Flávia (que além de gostosa era politizada, culta, bem humorada, simpática e inteligente) me perguntou se eu faia mostra aquele ano.
- e quando é que começa?
- hoje!
- porra
- vc não sabia? Não acredito!
- porra. Ainda pensei agora de manhã quando começava a mostra.
- começa hoje.
Dei um grande foda-se. Foda-se que o trabalho não ia ficar grande coisa. Eu nãi ia reprovar. Ia escrever um trabalho legal ne que dobrasse noites, mesmo que bom o suficiente para não ser reprovado.
Consegui ver 27 filmes aquele ano. Não foi um ano maravilhoso, mas eu estava lá e era isso que importava.
Muna tentativa mais pragmática de entender a mostra, eu costumava dizer que ela era uma forma de se fazer turismo. Como eu não podia viajar para todos aqueles paises e conhecer tantas pessoas, eu ia a mostra para fazer turismo, entender o mundo que não é o meu para me ver de fora. Essas coisas.
Mas a mostra é mesmo o desejo de viver num outro plano onde eu apenas absorvo e em nada interfiro, onde tudo aocntece distante da minha vontade ou ação, ou melhor, onde a minha ação é totalmente nula, e em nada interefrem. A minha existência significa nada do que acontece na tela. Mas talvez só aconteça por que eu estou lá para assisitr.
Talvez seja a chance de sermos Deus. Onipresente, Onisciente. Não Oniponte. Talvez esse seja Deus, o universo acontece para a sua contemplação, mas não lhe confere o direito de interferir.
Mas por que o cheiro? Deus então sente cheiros?
por O Anfitrião 12:48 AM
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[Quarta-feira, Outubro 24]
Adio ir para a cama toda noite. Quando tenho certeza que não vai haver sexo, então passo a madrugada acordado. É distancia do sono mesmo. As vezes não tenho saco de esperar dormir. É chato. Seria legal se desse para a gente simplesmente desligar. Acordar é legal, quer dizer, o processo (lento) de acordar. Demorar o maior tempo possível para se levantar, despertar e voltar a dormir varias vezes enquanto sente o sono passando lentamente até a chegada do começo da tarde...
Mas ir dormir me atrapalha. Então eu fico zanzando pela noite, tentando ganhar tempo, e como não tenho o que fazer, fico caçando assunto. Leio e releio histórias em quadrinhos, velhos livros de história antiga, sites com o noticiário internacional e blogs de pessoas conhecidas. Bebo vinho e queimo muita erva. Assalto o armário e a geladeira, e como deito um porco, As vezes me masturbo. Fico tentando ganhar tempo, ganhar sono. Quase sempre so fico mais acordado, buscando alguma coisa na tv e assistindo DVDs das séries dos Simpsons. As vezes fico editando vídeos de aniversário.
Besteira. O sono nunca vem e eu só fico mais acordado. Acabo resolvendo deitar por causa da hora. Só que cada noite eu acho que to indo dormir mais tarde. E nem sempre dá para acordar lentamente ao longo da manhã, até chegar na tarde. Qusse sempre eu tenho de lvantar com um pulo, não muito cedo, é verdade, mas com cada vez menos horas dormirdas, devido aos horários avançados em que me deito.
Isso deve estar fodendo comigo, saúde, e outras coisas.
Tenho pensado em por que me incomoda tanto ir dormir. Não é medo de estar sozinho, pois eu deixo de dormir para estar sozinho, entre a pequena sala e a abastecida cozinha do 1014. achei por muito tempo, na verdade que era justamente o contrário. Alias, já tive muita certeza disso.
Passo o dia inteiro tumultuado. Mesmo trabalhando em casa. Aqui mora, em menos de 48 m2, eu e a patrícia. Metade da semana, ou mais, o filho dela, o Logan. Mais de três vezes por semana, na maior parte das semanas, dorme aqui o meu cunhado, o Lucas. Há ainda, os clientes e amigos, que sempre estão por aqui. A casa tem um único cômodo confortável de se “estar”, que é a sala. Ninguém se sujeita a ficar sentado lendo no banheiro quando não está cagando ou terminou de cagar. Enfim, eu estou sempre cercado de “gente”, se comunicando e “existindo” em volta de mim. Tenho certeza de que todos nessa casa se cansam desse excesso de convivência. (falta espaço para se mover, para abrir os braços, etc)
Mas já não tenho mais essa certeza. É certo que ainda acho que é um prazer enorme essas horas em que estou em silencio e sozinho nas madrugadas, por isso, mas essa sensação de prazer mascara a verdade de eu nunca estar com disposição para deitar, e não com vontade de estar acordado.
Claro que também achei que no fim do texto eu teria a resposta para essa questão.
O aquário do peixe quebrou quando tentávamos trocar a água. Ele agora mora numa grande taça de vinho, cheia d´agua, é claro.
por O Anfitrião 2:50 AM
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[Terça-feira, Setembro 25]
Voltei. Acho que estava esperando esse blog ficar bem esquecido. Acho que vai se melhor se menos gente ler o que eu escrevo. Então, agora acho que escrevo mais a vontade, escrevo para ninguém ler, apenas para dar forma, cor, passar para um estado material e tangível as coisas todas que passam pela minha cabeça o dia inteiro. Agora não vou mais ter noiazinha de se preocupa com leitor, pois não devo ter mais nenhum.
Se vc quer continuar lendo daqui pra frente, problema seu. Eu peço que não leia.
Bom, agora estamos confortáveis, eu e a nuvem de idéias cinzentas que eu vejo da janela do 1014.
O nome desse blog é a vida no 1014. por que eu sou muito ligado ao espaço. Sempre passei no terceiro bimestre em geografia, desde a quinta série. Na verdade, fiz isso com ciências e história também, e mais tarde, em biologia. Tinha problemas em português e matemática no ginásio, e matemática e física no colegial. Ia bem de química, mas nunca passei no terceiro bimestre. Tínhamos um professor casca grossa.
Em inglês, eu fiquei de recuperação em todos os anos do colegia. I hate this thing!
Enfim, eu gostava de geografia em especial por que ela analisava todas as outras ciências que eu gostava, so que do ponto de vista do espaço, do local.
Me apego a coisas que me lembram histórias. Me apego as histórias e tenho medo de perdê-las. Quero todas aqui! As vezes parece um jeito de tornar a vida mais longa. Carregar os pedaços dela para cima e para baixo. Tenho medo de morrer. Não que a vida seja grande coisa, garanto, não acho isso, mas tem erva, tem vinho, tem história em quadrinhos e tem uma gata reclamando da sujeira do banheiro e do alto consumo de substancias psicoativas enquanto anda sem calcinha pelo apartamento.
Meu Deus, eu abro mão do Céu, mas me deixe aqui curtindo a minha monotonia! Eu não estou pedindo muita coisa, eu sei! Apenas paz, arroz e amor.
Quase esqueci. A vitrola. Que gora sempre pro mesmo lado, nunca erra. É um trabalho simples, mas ela executa com perfeição!
Tenho ouvido musica clássica quando estou sozinho. Aquelas coleções da Abril e da Seleções.
por O Anfitrião 8:16 PM
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[Quarta-feira, Maio 23]
por que por tanto tempo dá vermelho 27, e de repente, não para de aparecer o preto, 17?
hoje o muhammed ali ta com mal de parkinson, e o foremman ta vendendo grill.
a aline, do buffet que trabalha comigo, me disse categoricamente que não respeita quem não consegue ganhar dinheiro. é engraçado. ganhar dinheiro, é visivel, nada tem a ver diretamente com esforços, dedicação, inteligencia ou beleza.
querer é poder é uma frase cruel, feita para as pessoas tornarem a si mesmas mais infelizes e frustradas.
o foremman sempre quis derrotar o muhammed ali, e o cassius clay nunca deve ter pedido para ter mal de parkinson, por outro lado, nunca deve ter desejado anunciar maquina de grelhar hamburguer ao lado ana maria braga. na pior das hioteses, teria desejado melhor compania.
por O Anfitrião 1:49 AM
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a vida é uma tartaruga que adquire turbos no meio do caminho, ou a gente é que é uma lebre que se põe a ter cãimbras?
por O Anfitrião 1:11 AM
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a vida as vezes é com aquela corida da lebre e da tartaruga. vc se acha a lebre, a vida é a tataruga.
antes que a tartaruga possa ter mexido as quatro patas, vc ja está tão longe que ja nem consegue ver a ponta do casco. mas não para nem por um minuto, e a escamosa ja esta na sua cola.
a internet ja não é mais novidade. isso é uma constatação, não uma impressão. a impressão que eu tenho é de que é tudo novo. como quando surgiu o IG, o Terra, e todos esses grandes portais. o blog ja não é mais novidade. desde quando algumas pessoas tem seus blogs? e outros que finalmente colocaram um blog no ar, depois de tanto tempo, agora ja estão a tanto tempo na rede que até já os abandoram...
por O Anfitrião 1:01 AM
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[Quinta-feira, Março 29]
Tem vinho, blues e café o suficiente aqui dentro para pelo menos tres semanas. Seria só eu trancar a porta e jogar a chave pela janela. Ainda que alguém batesse na porta, eu não teria como abri-la. Depois eu escrevia uma história sobre isso e arranjava grana para passar mais um tempo. Simples assim. Eu tiro o telefone do gancho e acendo uns incensos durante dia, para disfarçar a fumaça. Na primeira oportunidade, aviso o cara da portaria para evitar de me interfonar, alego que estou numa busca espiritual. É claro que ele vai interfonar para cá quando as pessoas começarem a aparecer. Mas ao menos não vai esperar que eu atenda.
O zelador deve aparecer antes de uma semana. Talvez preocupado se me aconteceu alguma coisa. Logo vai correr um sinal de que eu estou desaparecido. Vão vir procurar aqui dentro, posso ter sofrido um acidente, e estar precisando de ajuda. Não se trata de um acidente, e nem eles poderia me ajudar, o que não quer dizer que eu não estou com problemas. Quando a gente começa uma coisa, tem de estar consciente dos riscos, ou então depois vai ficar botando a culpa nos outros pelas cagadas no meio do caminho.
Então foda-se. Quando alguém subir aqui, eu digo que não abro, e peço educadamente que caia fora. Isso vai evitar que confundam minha exquisitisse com algum desespero mais grave, um surto psicótio, qualquer coisa assim. Vou simplesmente impor o meu direito de não abrir a porta da minha casa. Isso sim seria uma atitude perigosa, ao menos antes do final da segunda semana. Nesse tempo devo aliviar a ojeriza civilizatoria que parece impregnada na pele como carrapatos mas enquanto durar os estoques de porcarias e o café, eu manterei a porta trancada. Uma espécie de ritual de purificação.
Posso ligar a TV. O mundo parece mais inofensivo dentro do vidro. Como uma Naja do aquário do Instituto Butantã. É possível parar e admirá-la, sem comprometer a própria vida. Presas afiadas e cheias de veneno.
Vou ser Robson Crusoé da Selva de Pedra, sem sexta feira para encher o saco. Pretendo ler Primo Levi em voz alta. Para sempre lembrar de quem realmente se fode. O resto se resolve.
por O Anfitrião 2:13 AM
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[Segunda-feira, Dezembro 18]
César: O que você não entende sobre ela é que a maior parte das pessoas problemáticas convivem todos os dias na companhia de um demônio qualquer. Você pode se queixar de falta de grana, ou que seu ex marido fosse menos idiota. Eu mesmo posso olhar no espelho de manhã e desejar que a minha irmã não fosse tão panaca. Você deve olhar no espelho antes de escovar os dentes e pensar, ¿poxa, minha pele podia estar melhor, ou meu cabelo podia estar menos quebradiço¿. Pessoas como o Flavinho acordam de manhã e olham no espelho e vem um demônio atrás delas. Elas podem ser perfeitamente felizes, ate mais que você ou eu, e o preconceito é achar que não, que pessoas paraplégicas como o Flavinho são infelizes, mas acredite, por mais feliz que ele seja, tem um demônio atrás dele lembrando ele que ele já não pode andar, já não pode correr, já não pode trepar, e mesmo que ele aceite que a vida dele vai seguir sem nada disso, sempre vai ter um demônio feio olhando para ele pelo espelho, nem que seja um demônio sádico mandando ele agradecer a Deus por não ter morrido no acidente, ele ouve isso todo dia de manhã, justamente do demônio que o lembra que ele não anda, não trepa e não consegue se virar completamente sozinho.
Paula: Mas a Fernanda não é paraplégica nem tem nenhum problema físico, e já teve todas as oportunidades de resolver a sua vida.
César: Por que a Fernanda não convive com um demônio, a Fernanda é um demônio. O Flavinho esteve no inferno, olhou na cara do diabo e voltou com um demônio de souvenir. Alguém pode ir para o inferno duas, três vezes, e conviver com alguns demônios, mas depois você não agüenta ter de voltar e fica por lá mesmo. Eu so tenho uma explicação para a Fernanda conseguir ir e voltar do inferno tantas vezes: ela é um demônio.
por O Anfitrião 8:49 PM
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[Quarta-feira, Novembro 22]
pra não dizrem que estou morto...
por O Anfitrião 5:38 PM
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[Quinta-feira, Outubro 5]
sou um cidadão de bem e responsável, que lava a sua louça e aspira o chão da sua sala. moro numa casa pequena com uma mulher e uma criança que não fui eu que gerei, mas cuido dela como se fosse eu o responsável. costumo beber de noite sozinho, não gosto da ideia de beber socialmente, ja que não sou muito sociavel. não bebo para fazer amigos, não bebo para me soltar, não bebo para relaxar, bebo para ficar bebado, e por que o gosto do vinho as vezes é muito bom. mas não me incomodo ninguém. não bato na minha mulher, nem grito com meu enteado, nem vejo as coisas ficarem dubias.
costumo segurar a porta do elevador e correr para o portão da rua quando vejo entrar alguém carregado de sacolas ou pacotes. sorrio para os porteiros. me pediram para não subir mais no terraço fora do horário, e eu não subo mais. me pediram para tirar um poster do "meu tio matou um cara" da porta, eu tirei assim que recebi a intimação.
pago minhas contas em dia, as vezes atraso, so as vezes.
trabalho. quando a coisa aperta, aceito os mais locos free lances. ja me vesti do dinosauro "barney" e fiquei pulando por quatro horas na frente de uma locadora de video. ja filmei sinistro de seguro de vida. as vezes acordo tarde, as vezes tomo cafe da manhã ao meio dia, mas se preciso viro a noite trabalhando no micro, editando video ou qualquer outra coisa.
sou um homem de bem e uma pessoa bacana, pelo menos me considero.
meus vizinhos não acham isso. e eles não vieram me contar isso. assim como eu, se consideram boas pessoas. eu tenho vizinhos que não gostam dos mendigos que se abrigam em baixo da marquise do prédio, nos dias d chuva. exigem a presença do segurança do prédio na porta, para protegê-los da inconveniencia de algumas pessoas. eles nunca falam aos mendigos que querem que eles caiam fora. eles pedem para os seguranças pagos do meu predio fazerem isso.
eles ja pediram para os caras pagos que trabalham aqui mandarem eu me portar melhor. não me disseram isso diretamente, essas boas pessoas. talvez falte tempo. talvez eles não se sintam preparados para falar de determinados assuntos comigo. de qualquer forma eu ja voltei as medidas de antes.
nos ultimos 20 anos, nunca foi tão fácil ser subversivo.
por O Anfitrião 4:22 PM
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[Quarta-feira, Outubro 4]
não apareci para votar nessas eleições. nem fui ate lá, e ainda não fui justificar. é claro que a escolha do proximo presidente ou deputado muda algumas coisas na vida em geral da população, mas a verdade é que muda muito pouco. a politica esta comprometida com um certo projeto economico e social e ninguém que for para lá vai mudar isso
uma democracia real seria podermos escolher os presidentes das corporações. o presidente da chevrolet, do mcdonalds, da ambev, enfim, cada um poderia escolher a corporação que mais utiliza e votar no presidente dela.eu votaria na Leites Paulista, pois consumo muita mantega, no presidente da Ambev e nas importadoras de vinhos argentinos. acho que votaria no presidente do Burguer King também, caso ele tivesse como proposta de governo abrir uma loja aqui perto de casa.
por O Anfitrião 12:22 PM
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[Terça-feira, Setembro 26]
essa é a maior pérola das ultimas semanas.l nada contra os cães, eu gosto muito de cachorros e não quero o mal para nenhum bicho. mas depois de permitirem e auxiliarem, direta e indiretamente, no massacre do libano, o povo americano agora tenta aliviar sua culpa com um ato de caridade que beira o humor negro. ate por que tem cachorro abandonado no mundo inteiro, e para um cachorro tanto faz perdeu seu dono numa explosão ou cair do caminhão no dia da mudança.
pessoas com culpa são ridiculas.
por O Anfitrião 11:47 AM
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[Domingo, Setembro 24]
a casa ta muito bagunçada.
a pilha atolada da louça da sexta, o chão esquceu o que é o aspirador e a mesa com restos de cafe da manhã e sobras dos trabalhos do sábado.
amanhã eu arrumo as coisas, ate o fim do dia estaremos limpos de novo.
por O Anfitrião 8:54 PM
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[Sexta-feira, Setembro 15]
O que significa tirar um pedaço do tatame?
ela está com essa idéia faz tempo,
as roupas dela e do Logan não cabiam no pequeno guarda roupa embutido do 1014. compramos a prestação uma cômoda de madeira estilo colonial, no Mix Moveis do shopping D. um ano depois e eu estava lá, escolhendo moveis para a casa. achei que demoraria mais. mas a cômoda ainda não consegue abrigar todas as roupas dela e do filho. e ela andou comprando mais roupas. eu ando jogando algumas camisetas fora. andam rasgando, e não tenho comprado outras.
ela achou duas opções. uma usada, branca, num antiquário, num preço bom. e outra menor, mas com espelho, numa loja de moveis novos, que parcela o valor. ela gostou da branca. enorme.
o quarto é quase todo tomado de tatames. era um sonho de adolescência. um sonho simples e tolo, mas era um troço que eu queria ter. e era mais barato que comprar uma cama e um colchão.
graças a ele dormem ate cinco pessoas lá. mas quase sempre so dormimos eu, ela e o filho dela. la os birnquedos dele podem ficar jogados e ele pode correr e se jogar a vontade. lá a gente tem um espaço aberto bem grande para os padrões desse apartamento pequeno.
eu pensei aqueles tatames para juntar as pessoas em cima dele em noitadas como as do 1014 antes de eu morar aqui definitivamente. naquela época eu acreditava que se podia juntar gente para sempre na sua casa e viver a nossa resistência, a nossa republica democrática independente e anarquista.
vivemos em nossa pequena comunidade anarquista aqui. A patrícia e o Logan e eu. temos acordos fáceis e uma moral maleável. e precisamos de menos espaço para pessoas, e mais espaço para as pessoas que moram aqui. e o tatame vai ter que perder um pedaço.
por O Anfitrião 4:42 PM
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[Quarta-feira, Setembro 13]
a vida no 1014 inclui pasteis antes do meio dia e meia. como cafe da manhã. não que a gente so tenha acordado agora, mas nem tudo aqui acontece na ordem correta. os horarios do 1014 são volateis, são frutos do imrpoviso completo. as coisas aqui não acontecem na mesma sequencia que em outros lugares. aqui criamos uma familia, recebemos duzias de amigos e gerenciamos uma empresa em menos de 50 m2. não sei se funciona. a gente vai levando.
houve um tempo em que eu editava os concertos da banda sinfonica. acho que não os atendi direito. sei o que eu fiz de errado, e morro de vergonha das cagadas que fiz, mas sei que ao menos uma parte foi por culpa da inesperiencia e da mania de meter as caras. as vezes não dou conta de tudo que me proponho a fazer, ok, paciencia, a gente recomeça e vai tentando.
por O Anfitrião 12:30 PM
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[Segunda-feira, Setembro 11]
faz cinco anos que aquela porra caiu e ate agora não acharam o osama. ando cansado de imaginar o que realmente acontece, não adianta especular, mas tem muita coisa que a gente não sabe. eu sei que conco anos é muito tempo.
é foda ver as coisas fazendo varios aniversarios. faz dez anos o ano de 1996, quando eu tinha quinze anos e tocava numa banda de rock que nunca saiu do papel. ninguém ali unnca soube tocar um instrumento decentemente. também não sabiamos amar, e nos apaixonavamos por garotas recem saidas da puberdade. ouviamos musica dos anos 60 e 70 e aquilo parecia magico e libertador. era musica velha naquela época, hoje é ainda mais.
naquela época ainda se especulava sobre a volta dos gun s roses. a gente tinha medo do bon jovi, achava um rock muito comercial. naquela época a joven pan so tocava dance music, e o mundo se dividia, ao menos para nos, entre aqueles que eram do rock e aqueles que não eram. cinco anos depois as torres cairam e eu era uma pessoa muito diferente daquela de 1996. hoje em 2006 não me acho assim tão diferente do que era em 2001.
ok, naquela época eu não teria um blog chamado a vida no 1014, mas acho que sou muito mais parecido com o cara de 2001 do que o cara de 2001 era parecido com o de 1996. adolescencia é um periodo mesmo conturbado! nem sei se não sou mais adolescente, ou se um dia fui.
não tive ritos de passagem, não casei, não tive baile de formatura, demorei alguns messes ocupando o 1014 antes de vir para cá. as coisas acontecem lentamente, na maior parte delas é dificil precisar o inicio ou o fim de alguma coisa. sei que o CRUJ não é mais o mesmo, mas acho que ninguém sabe quando foi que ele morreu.
sinto falta do 1014 com o zé e o pinça, do CRUJ com suas noites com xícaras de vidro cheias de cerveja, luz baixa, fumaça e beatles. sinto falta de jogar war. não estou reclamando da vida que elvo hoje, mas quase tudo que eu deixei para tras, minha banda imbecil, meus cursos de teatro na mazzaropi, a faculdade, essas coisas, todas acabaram na hora certa, gosto de olhar para tras e ver o que fiz, mas fico feliz que todas elas tenham acabado. mas não o CRUJ, ou o antigo 1014, ou as reuniões que faziamos e que eram muito mais constantes.
tenho me repetido quando a isso, eu sei, cada um dos meus amigos ja ouviu muito sobre isso. eles concordam, mas como quem ´não esta insatisfeito de que tudo aquilo acabou. alguns vão muito bem, e outros nem tanto. todos sem vem ainda, bastante. mas o tempo desgastou mesmo alguma coisa, eu eu fico triste por ser algo que eu presava tanto.

por O Anfitrião 2:25 PM
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[Sexta-feira, Setembro 8]
não sei direito o que quero com esse blog agora. nem me lembro mais a quanto tempo tenho ele, desde 2003, eu acho. naquela época eu ja achava que sabia pouca coisa, mas ao menos sabia o que era relevante para se escrever. hoje acho bem pouca coisa relevante. continuo lendo quadrinhos e ouvindo jazz, acho que tenho bebido mais, mas não muito. escrevo menos, mas isso é sazonal, ao menos sempre foi assim. não que sempre aos 25 anos seja muito tempo.
não me tornei menos pessimista. talvez ainda mais. não que isso tenha algo a ver com as coisas que acontecem na minha vida, que tem superado as espectativas mais otimistas, e as ezes, sobre mim mesmo, ainda tenho expectativas otimistas. mas de modo geral acho cada vez menos coisas importantes. não me decepcionei com o Lula, sequer acho graça nas propagandas eleitorais. ja prestei atenção nos discursos. ja me enervei com eles. ja achei graça, e achei os politicos ridiculos. hoje so acho ridiculo prestar atenção na propaganda. jogo da terceira divisão é mais interessante que propaganda eleitoral um aquario é mais imprevisivel que propaganda eleitoral. não olho nenhum dos dois.
olho a janela, de vez em quando. menos que no começo, mas ainda assim todo dia olho pela janela. a um ano e meio olhando essa janela. quanto tempo mais? ainda parece novidade. quanto tempo eu vou ficar aqui, para depois de um ano e meio ainda parecer que mal comecei?
ainda sonho que esse apartameto é maior do que ele é. as vezes bem diferente. com comodos secretos repletos de moveis. ja sonhei que aqui tinha um jardim. mais de uma vez. sabe o que iso significa? sei lá, não acho, junto com o resto, que isso tenha importancia.
ainda leio quadrinhos, talvez ainda mais do que antes. mas também assisto novela, as vezes. tratam de problemas pertinentes a pessoas nada pertinentes. jogo menos xadrz, e a muitos messes não jogo war. sinto falta disso. lembro as vezes do antigo 1014. a cada vazia sem moveis, os caras jogados pelos colchonetes, a pia cheia de garrafas. a pia ainda tem garrafas. tem também calcinhas e sapatos femininos pelo banheiro, e meias de criança pela sala.
de modo geral, durmo bem todas as noites. tem sempre vinho demais na minha cabeça, deve ser isso. sorrio sempre antes de dormir. não tenho muito do que reclamar. mas apesar da minha criação catolica, continuo não rezando.

por O Anfitrião 12:09 AM
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[Quinta-feira, Setembro 7]
o novo layout é esse.
por O Anfitrião 11:35 PM
Entra e sai:
por O Anfitrião 10:45 PM
Entra e sai:
bg.jpg
por O Anfitrião 10:39 PM
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mais mais mais
por O Anfitrião 10:37 PM
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continuandio
por O Anfitrião 10:35 PM
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reinaugurando...
por O Anfitrião 10:33 PM
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[Quinta-feira, Junho 29]
FESTIVAL DE ENCERRAMENTO DA MOSTRA ¿CEMITÉRIO À MEIA-NOITE¿
Curtas, vídeos e música
SEXTA-FEIRA (30/06)
00h00 : Exibição do Curta ¿Diário das Crianças no Porão¿
Sobre a Mostra Cemitério de Automóveis de 2.002
Direção : Bedrock Vídeo (Marcelo Montenegro, Walter Figueiredo, Robson Timóteo e Jorge Oliveira)
00h20 : Exibição do Vídeo Clipe ¿Sentimental¿ dos Los Hermanos
Direção : Nilson Primitivo
00h25 Banda ¿Saco de Ratos Blues¿ ¿ Mário Bortolotto, Fábio Brum e Marcello Amalfi
Blues em português com letras porra louca
00h35: Uma Quinta-Feira
Curta-Metragem com direção de Tche Costa
00h42 : Cabelo Azul, Bikini e Bota
Curta-Metragem com direção de Rafael Saparelli
00h52 : Marcelo Montenegro lendo poemas com Marcello Amalfi
Possível participação de Flavinho Vajman
01h05 Desde o fim até o começo
Curta-Metragem de Jarbas Capusso
01h25 O jogador
Novo vídeo Clipe de Edvaldo Santana com direção de Telso Freire
01h30 : Manera
Curta de Tche Costa
01h37 : Street Dance
Curta de Tche Costa
01h40 : A Gralha
Direção de Roberto Skora
01h47 : Jazz com Fábio Brum e Marcello Amalfi
SÁBADO (01/07)
00h00 : Making off da Mostra Cemitério de 2.005
Documentário com direção de Douglas Kim
00h20 : Fernanda D´Umbra cantando acompanhada
pelo Maestro Marcello Amalfi
00h35 : Bala
Curta-Metragem de Daniel Sabino e Simone Elias
00h45 : Tempo Instável
Pocket formação da banda com Mário Bortolotto, Noa Stroeter e Marcello Amalfi
01h00 : Cíntia e Celina
Curta de Tche Costa
01h08 : Balaio
Curta de Luiz Montes
01h20 : Paulo de Tharso e Fábio Brum (composições da dupla interpretadas por eles)
01h30 : Dietagsarbit
Curta de Tche Costa
01h35 : Camões ao Alto e Andante Cantabile
Curtas de Robert Coelho e Carlos Ribeiro
01h38 : Patife Band
Curta documentário sobre a banda ¿Patife Band¿ ¿ Direção de Marcelo Montenegro
01h43 : Melodrama Blues
Curta de Robson Timóteo com poema de Marcelo Montenegro
01h50 : Jam Session com os músicos e amigos do Grupo
O Festival acontece no Satyros 1 e começa às 24h (nos dois dias)
O ingresso custa R$ 10,00
O Satyros 1 fica na Praça Roosevelt, 214
Tel : 3258-6345
por O Anfitrião 11:11 PM
Entra e sai:
[Domingo, Junho 25]
sobre eramos todos thunderbirds e outras coisas...
por O Anfitrião 8:30 PM
Entra e sai:
[Quinta-feira, Junho 22]
estamos inaugurando uma nova era nesse blog. talvez mude ate o layout. aguardem no local.
por O Anfitrião 10:05 AM
Entra e sai:
[Segunda-feira, Junho 12]
acho que pórtugal passa da primeira fase, mas não chega nas oitavas. todo ano torço contra o brasil. e esse ano não vai ser o contrario, nada contra a seleção, é so para contrariar o chato do galvão. mas assisto o maximo de jogos que eu consigo. o melhor de hj foi o do mexico. o da copa, da alemanha. fazer o que , gosto de ver gol.
por O Anfitrião 1:09 AM
Entra e sai:
[Domingo, Junho 4]
LA BOHEME
FALO-VOS DE UM TEMPO
QUE OS MENORES DE VINTE ANOS
NÃO PODEM CONHECER
MONMARTRE NESSE TEMPO
PRENDIA OS SEUS LILÁS
SOB AS NOSSAS JANELAS
E SE A HUMILDE GUARNIÇÃO
QUE NOS SERVIA DE NINHO
NÃO DAVA NAS NAS VISTAS
FOI LÁ QUE NOS CONHECEMOS
EU QUE GRITAVA FAMINTO
E TU QUE POSAVAS NUA
A BOÉMIA; A BOÉMIA
ISSO QUERIA DIZER QUE ÉRAMOS FELIZES
A BOÉMIA; A BOHÉMIA
SÓ COMÍAMOS NUM DE DOIS DIAS
NOS CAFÉS VIZINHOS
ÉRAMOS QUAISQUER UNS
À ESPERA DA GLÓRIA
E AINDA QUE MISERÁVEIS
DE BARRIGA VAZIA
NÃO PARÁVAMOS DE ACREDITAR NELA
E QUANDO NUM QUISQUE QUALQUER
APÓS UMA BOA REFIÇÃO QUENTE
UMA ESTRELA NOS TOMAVA
RECITÁVAMOS VERSOS
EM VOLTA DA CHAMINÉ
ESQUECENDO O INVERNO
A BOHÉME; A BOÉMIA
ISSO QUERIA DIZER TU ÉS BONITA
A BOÉMIA; A BOHÉME
E TODOS TÍNHAMOS GÉNIO
MUITAS VEZES ME ACONTECIA
DIANTE DO MEU CAVALETE
PASSAR NOITES EM BRANCO
RETOCANDO O DESENHO
DA LINHA DE UM SEIO
À CURVA DE UMA ANCA
E SÓ DE MANHÃ
NOS SENTÁVAMOS ENFIM
DIANTE DE UM CAFÉ-CRÉME
EXAUTOS MAS RADIANTES
FALTARIA QUE NOS AMÁSSEMOS
E QUE AMÁSSEMOS A VIDA
A BOÉMIA; A BOHÉME
QUERIA DIZER QUE TÍNHAMOS VINTE ANOS
A BOHÉME; A BOÉMIA
E VIVÍAMOS DO AR QUE PASSAVA
SE AO ACASO DOS DIAS
VOU DAR UMA VOLTA
AO MEU ANTIGO ENDEREÇO
JÁ O NÃO RECONHEÇO
NEM AS PAREDES, NEM AS RUAS
QUE VIRAM A MINHA JUVENTUDE
AO CIMO DE UMA ESCADARIA
PROCURO UM ATELIÊ
DE QUE NADA MAIS SUBSISTE
NO SEU NOVO DÊCOR
MONMARTRE PARECE TRISTE
E OS LILASES MORRERAM
A BOHÉME; A BOÉMIA
ÉRAMOS JOVENS, ÉRAMOS LOUCOS
A BOÉMIA; A BOHÉME
JÁ NADA MAIS QUER DIZER
por O Anfitrião 4:06 PM
Entra e sai:
[Sexta-feira, Junho 2]
ha 17 anos atrás eu estava na segunda série e tinha uma prova de ciencias, algo a respeito de meio ambiente, gases, sei lá qual era, professora Maria Amélia, uma gorda bem branca com a cara estourada de acne, mas eu gostava dela. eu passei a tarde lendo um livro da coleção vaga lume, chamado açucar amargo. era a históri de uma jovem boia fria e sua familia, contada de forma humana, politizada e pouco maniqueista.
conheci um novo mundo. o que era o boia fria, o gato, como era a vida de familias rurais, seu cotidiano, suas dificulddes e sua luta. eu tinha 8 anos. aprendi a pensar diferente e entender o que é viver em outro mundo enquanto o livro ta aberrto.
tirei acho que 5,5. a media era seis. bronca da professora, da mãe, minha irmã falando, mas ele estudou!, e eu disse sim, pasei a tarde estudando, mas a maior parte do tempo que deveia estar estudando estava lendo o romancesinho da coleção vaga lume. tinha vergonha daquela tarde em que não estudei ciencias e tirei nota vermelha. mas foi o primeiro livro não infantil que eu li, e na certa aquilo fez alguma coisa na minha vida. vai ver estou aqui, nesse apartamento, vivendo com essa pessoa. andando com esses amigos, acreditando nessas coisas, e tudo iniciado por causa de um livro no minimo mais inteligente que a novela do sassá mutema e que o programa da mara maravilha e do bozo.
hoje eu não me arrependo de ter lido o açucar amargo naquela tarde. mas vai ver que deveria.
por O Anfitrião 12:54 AM
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[Quinta-feira, Junho 1]
ha dez anos atras eu tinha uma banda de rock que se chamava o ovo e nos ensaiavamos numa garagem na vila carrão. nos eramos quatro primos, sendo dois irmãos nas cordas, eu na segundsa guitarra e voz e outro primo na bateria, o dono da casa. ha dez anos ras nos fizemos um mega show para nossos parcos amigos na obra da reforma da minha antiga casa. ha dez anos atras eu tocava violão clássico com um maluco chamado manuel marques.
ha dez anos atrás eu estava formado no ginásio e estava indo para o colegial, numa escola nova. eu havia acabado de me adaptar a escola antiga, após mas de dez anos me sentindo deslocado. ha dez anos atras eu resolvi que eu era comunista, e comecei a lewr filosofia e estudar marx. ha dez anos atrás eu tinha desseseis anos e ainda não havia beijado nenhuma garota.
ha dez anos atrás eu me mudava para p sobrado do meu avo e voltava a dividir o quarto com a minha irmã. ha dez anos atrás eu descobri que eu era, mas não com intimidade. somos mais intimos agora, mas ainda não me entendo.
por O Anfitrião 11:15 PM
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[Quinta-feira, Maio 25]
a vida é como uma manga. voce pode passar por ela sem se sujar, mas voce vai ter de jogar fora mais da metade.
por O Anfitrião 1:58 AM
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[Segunda-feira, Maio 22]
a maior arrogancia de um artista é querer agradar a todos. arte é um troço pessoal, memso feito em equipe, e fazer arte para agradar alguém vira automaticamente entretenimento ou publicidade. o cara aida se utiliza de mais um recurso mediocre: compensar a frustração do que dizem os criticos apelando para o que diz o publico. o publico gosta de axé, netinho, gugu, se o publico gostou do filme do cara deve ser por que é uma bosta.
a gentefica aqui repetindo as mesmas coisas e defendendo os mesmos conceitos, as vezes me sinto repetitivo. mas fazer o que, se os caras continuam fazendo as mesmas cagadas?
por O Anfitrião 1:24 PM
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raphsody in blue do gershwin me lembra muito o rio de janeiro, não sei por que. me lembra a tranquilidade da lagoa, e a evervescencia do centro. antes de tudo, uma musica inconstante, algo como o meu estado de espirito sempre que estou no rio.
ja fui pro rio 4 vezes. de certa foram, toda a vez que eu fui pra lá, estava em busca de algumas respostas. nas duas primeiras, gostei do que encontrei. a penultima vez, em 2004, eu realmente nção gostei do que encontrei. quem pergunta tem de estar disposto a ouvir. e eu obtive as minhas respostas num fim de tarde triste em copacaba, longe de casa e escrevendo alucinadamente num caderninho espiral que a essa hora ja deve ter ido para o espaço.
voltei do rio pior do que fui, mas sabendo o que ia se dali pra frente. nos quatro dias que passei lá, li pergunte ao pó, tinha acabado d conseguir a versão da brasiliense, com tradução do leminski. fui sozinho nessa ocasião. estavamos sozinhos, eu e o bandini.
fumei sozinho num quarto de hotel. na minha pequena opera pessoal, foi uma rapsodia triste, adagio. as ruas do catete soavam como um piano martelo ao estilo americano, e com violinos dramaticos, para não se chorar pela metade.
por O Anfitrião 3:45 AM
Entra e sai:
[Sábado, Maio 20]
esse blog ja tem mais de tres anos. eu não sei o que isso significa, e não pode significar qualquer coisa. eu sinto saudades de uma loja do rei do mate na são joão. essa semana ainda vou passra lá. até lá, se eu puder recomendar alguma coisa pra algum leitor, eu recomendaria reler um ou dois capitulos do apanhador no campo de centeio.
para quem ainda não leu, ja deivia ter começado.
por O Anfitrião 1:25 AM
Entra e sai:
[Terça-feira, Maio 16]
dia quente na cidade da garoa. aqui na bela vista tudo estava fechado depois das 20hrs. as padarias, a locadora, o chaveiro, a papelaria, os dois mercadinhos, o boteco, a banca de jornal. o toque selencioso de recolher, que ninguém avisa mas todos sabem, tão comum na periferia, chegou em toda a cidade com a naturalidad da chuva fina dessa noite de outono. so ficou ela mesmo na rua. eu voltei logo pra casa.
o Lembo ja disse que esta tudo sobre controle. tuso sobre o controle do PCC, é claro. uma organização criminossa, corrupta e planejada para atender principalmente os objetivos de seus lideres, usando suas camadas mais baixas como ferramentas desses processos. como qualquer partido politico ou Estado nacional.
tão claro isso que seus alvos foram basicamente os instrumentos do poder institucionalizado. um processo bem parecidso com o dos chamados "rebeldes" iraquianos. e com uma eficiencia que as organizações de esquerda jamais sonharam. poucos partidos comunistas no mundo conseguiram proeza igual, e menos ainda conseguram superar o PCC. talvez os russos, e os espanhois. o nivel de paralização que eles conseguiram provocar numa cidade do tamanho de são paulo é de causar inveja em grupos como o Hamas. o IRA nem em seus maiores delirios deve ter sonhado com uma ação como essa.
estão sem duvida, de parabéns.
por O Anfitrião 1:22 AM
Entra e sai:
21 gramas é um filme genial. uma montagem ousada e bem feita, que apesar de fora dos padrões é bem feita o bastante para o espectador não se perder, um roteiro perfeito, da concepção aos diálogos, uma fotografia fodidamente inteligente e bonita, uma direção imperceptível (coisa de bons diretores) e principalmente, grandes atuações.
quase toda obra que fala de doação de orgãos parace desesperada para provar a necessidade e a nobreza desse ato. um tipo de postura bem didática, que ja deve ter salvado centenas de vidas, mas que infelizmente compromete quase sempre a qualidade artistica. a arte tem relmente um problema com o mundo pratico, e isso é mesmo lamentável, mas inevitável. 21 gramas parece querer provar que duas pessoas que estavam para com a vida comprometida precisavam mesmo é ficar mortas. a sustenção dessas duas vidas, a do doador, na forma do orgão transplantado, e a do paciente, parecem so trazer mesmo muitos problemas.
21 gramas repete a mesma ladainha dos gregos e seus edipos e antigonas: não se foge do destino, lamentável, mas inevitável.

por O Anfitrião 1:03 AM
Entra e sai:
[Sábado, Maio 13]
algumas pessaos tem a capacidade de nos surpreender absurdamente. existem limites para o que vc espera das pessoas, e as vezes elas passam no fioentre limites e inauguram um novo campo de surpresas. fazem coisas que voce não espera. dai pra frente, voce passa a esperar um monte de coisas novas.
pessoas covardes são mais perigosas que as corajosas. vc sabe o que esprar de quem tem coragem. quem não tem é traiçoeiro, e te pega desprevinido. o covarde tem de ser tratado com mais cuidado do que o corajoso.
de resto, tudo na paz.
por O Anfitrião 1:45 PM
Entra e sai:
vamos falar de coisa boa, como dizia meu avô, então aqui vão as fotos do rio:
o hotel em que a gente fica, no catete.
Os arcos da Lapa
Vista de Santa Tereza
A garota mais linda da cidade, sendo linda em outra cidade
por O Anfitrião 1:31 PM
Entra e sai:
[Quinta-feira, Maio 11]
pretendo voltar a blogar com mais intensidade daqui pr frente. além de ser legal escrever aqui, ainda é um exerciciovbom para escrever, meio que se cobrar para escrever no blog. acaba estinulando para escrever mais, e eu ando fervilhando na teoria, mas fazendo pouco na pratica. sei lá, as vezes eu funciono assim. sempre que volto do rio, volto escrevendo bastante, e parece que dessa vez não será diferente.
como diria o pariz, o rio é uma doidura, uma doidera loco sem precedentes. é uma cidade muito bonita, e tem um centro exelente para se flanar. e isso é o que eu mais gosto de fazer em qualquer cidade: flanar! gosto de tentar sacar as ruas e criar o mapa da região na cabeça. minha unica obsessão ao flanar é sacar o mapa, decorar as ruas, entender cada uma delas. um geógrafo dos centrões, e o centor do rio é exelente para esse tipo dfe flanatividade.
é um lugar meio esquecido por quem é de fora do rio, ningém nunca lembra de muita coisa do centro de lá, não aparece em cartões postais (a não ser alguns poucos predios modernosos), e não faz parte dos principais roteiros das agencias de turismo. mas é meu lugar preferido do rio. fico muito tempo por lá.
a patricia gosta mais de natureza e praia do que eu. achei que, nessa viagem, a gente ficaria bastante pelas regiões das praias, copacabana, leblon, ipanema. mas so fomos uma unica tarde pra lá. ela é também muito urbana, descobri isso esses dias. nosso passatempo era flanar pelo centro, em busca de um chop ou uma empada. tomei um chop na beira da praia, mas duzias deles longe dela.
uma das coisas mais bacanas de lá é que não existe muito uma parte nova e otra velha, uma berrini u uma paulista, ou uma libero badaró. tudo lá é misturado, inclusive aquele parque no meio do largo da carioca. um lugar espetacular, que pode ser coberto todo a pé.
apesar de não me sentir bem quando estou longde de são paulo, acho o centro do rio mais bonito que o de são paulo. sem exageros, é apenas uma imprissão, posso duvidar disso o futuro.
por O Anfitrião 5:45 PM
Entra e sai:
[Sexta-feira, Abril 28]
ando bebendo menos. hoje abri minha melhor garrafa de vinho, a melhor que ja tive em casa. ando feliz. as vezes acontece.
por O Anfitrião 2:59 AM
Entra e sai:
[Quinta-feira, Abril 6]
ao menos um de nós chegou lá. a mariana foi escolhida para fazer a oficina de interpretação da fernanda d´umbra. da vila medeiros para a roosvelt, isso é o que eu chamo de ascensão social.
por O Anfitrião 5:40 PM
Entra e sai:
[Domingo, Abril 2]
era uma vez um garoto que morava ao lado do Circo. assim, mesmo perto, eles dividiam o mesmo terreno. o garoto achava o Circo algo realmente deslumbrante, não havia nada que emocionasse mais nosso pequeno herói do que a tenda volumosa do circo. so que ele não podia entrar.
a razão não importa para a história, pois em verdade o garoto também não sacava por que el não podia entrar. o certo é que ele passava as tardes, as noites e as manhãs admirando a bela tenda e ouvindo as risadas, sempre do lado de fora. rodeava a lona em busca de buracos, mas não achava nunca nenhum em fosse possivek ver o picadeiro. sempre atiçado de curiosodade, e sempre deslumbrado com a infinita diversão em baixo da lona colorida, o nosso joem e infeliz herói tentou se aproximar ainda mais no circo, na esperança de que, por uma brecha, ele pudesse entrar ali.
passou a cuidar do macaquinho, dar de comer ao leão e afagar a cachorrinha amestrada. limpava a jaula do elefante e esfregava o pescoço da girafa. passava semanas em suas atividades, sempre paciente, acreditando que, de uma forma ou de outra, ainda saberia o que é estar denro do circo.
as pessoas do circo pareciam cada vez mais dependentes dos ser serviços, que antes eram apenas gentilezas de um garoto solitário e sem nada melhor para fazer. ele passou a ser requisitado o tempo todo, e se envolveu com toda a vida do circo. ainda assim, por mais que pedisse ou se disfarsasse, era sempre barrado na entrada do circo, sessão após sessão.
um dia, cansado de tentar entrar, ele se sentou na porta do circo, enaunto as pessoas entravam, acendeu um cigarro e disse. "foda-se, eu nem gosto de palhaço." nunca mais foi visto.
por O Anfitrião 11:24 PM
Entra e sai:
[Sexta-feira, Março 24]
coleman hawkins é o silencio que as vezes eu preciso.

por O Anfitrião 11:21 PM
Entra e sai:
[Quinta-feira, Março 23]
A vida era mais facil com os problemas simples dos pre adolescentes dos desenhos da nickelodeon. eu via ginger, rugrats crescidos, doug, e era tudo tão facil de resolver ate o final do episodio, uma vó exentrica, um namorinho de ginásio, discussões com os pais sobre hora de voltar pra casa, algumas boas piadas e uma mostra do cotidiano do suburbio americano. eu tinha uma sala enorme no fundo da casa so pra mim, alguns amigos que eu podia confiar e algumas boas ideias na cabeça. o bar do meu pai era cheio de bebidas espetaculares, que eu podia me servir a madrugada inteira, escolhendo o que eu quisesse.
eu juntava dinheiro para mobiliar um apartamento e gastava um pouco em ingressos de cinema, comida na rua, cerveja nos botecos. algumas coisas mudaram, e eu não me lembro de ter planejado isso. eu so me lembro de ter preparado o espirito para o que desse e viesse. mas de certa maneira, eu previa tudo o que ia aocntecer, e, se mesmo com uma forte intuição eu resolvi tentar, eu vou ate o fim.
mas é uma barra. não recomendo a ninguém, de nenhuma forma. não posso dize se valha a pena. não acho que eu não tive escolha. também não acho que foram decisões. foi apenas um monte de coisa que tinha de acontecer, e mais um monte que ainda vão. ainda tenho o vinho.
por O Anfitrião 1:32 PM
Entra e sai:
[Segunda-feira, Março 6]
a cidade é infestada de latrinas, mas de madrugada é mais fácil encontrá-las, pois alguns desses buracos podem ser a unica coisa aberta que voce vai encontrar. não são lugares ruins para tomar uma dose de wiskie, e ainda ha buracos em que as pessoas se enfiam para dormir, devido ao preço, bem mais em conta que os hotéis.
apesar das ruas absurdamente desertas, costuma ter muito movimento dentro desses recantos. não é a sujeira, a falta de roupas, a falta de luz, a má qualidade das bebidas ou da projeção, os corpos decadentes e rostos feios ou a sujeira do chão, não é o cheiro nem a aperecia péssima desses lugares que os tornam latrinas. não é so isso, o que torna esse lugares tão escrotos é sem duvida a sensação de deslocamento e desconforto, os olhos perdidos de quem esta enfiado ali por algum motivo.
quem se mete ali é por que não conseguiu ir, estar ou permanecer em nenhum outro lugar, por qualquer motivo. são campos de refugiados, campos de concentração de quem ta perdendo as suas proprias guerras internas, uma espécie de exílio da carne e do expírito, distraido pelos gemidos fingidos de alguém na tela ou no palco.
por O Anfitrião 1:34 PM
Entra e sai:
[Sexta-feira, Março 3]
a beleza, a beleza é algo que faz falta. o rio de janeiro me enche de bem estar mesmo me sentindo deslocado andando pela cinelandia ou pelo aterro, mas aquela beleza, a beleza é sempre convidativa, por que de certa forma ela é para todos, ao menos a felicidade, as boas sensaçoes que trazem olhar aquilo que é belo.
ela é bela. belíssima, de banho tomado, cabelo molhado, saia estampada, blusa estampada, um olhar delicado. essa beleza pela casa, enchendo o 1014 de uma certa alegria, mesmo em dias ruins, mesmo em dias azedos, mesmo em dias que eu não estou bem, ou que ela não esta bem, ou nenhum de nós está bem, eu olho para ela e vejo a beleza, e me sinto melhor, como quem olha para o pão de açucar, ou para o amanhgabaú, ou para a pinacoteca, como quem ouve uma musica dos beatles. ela é bela como yesterday, bela como she is living home, bela como something, ela é bela como um poema do bukowski, bela como um parágrafo do fante.
as mãos jogadas pelas pernas cruzadas, o olhar quase sempre perdido, como uma personagem desses filmes franceses que a gente assiste pela cidade, um daqueles filmes bonitos que a gente sai encantado do cinema.
a beleza não é realmente essencial, e pode-se viver com saúde por bastantes anos sem ela. mas a beleza tornou o ultimo ano da minha vida mais interessante. a beleza não precisa responder quando vc chama, o pão de açucar não sai do lugar, copacabana não sai do lugar, a beleza vai continuar existindo antes e depois de vc, a beleza não se importa com o que vc pensa dela. a beleza apenas esta ali, se vc puder se encantar de olhar, melhor para vc, para a beleza, é indiferente.
há muitas coisas belas, mas a beleza de uma mulher é a unica que vale uma bebedeira.
por O Anfitrião 10:04 PM
Entra e sai:
[Quinta-feira, Fevereiro 23]
E a minha pita, que foi a por fora!
por O Anfitrião 8:06 AM
Entra e sai:
[Segunda-feira, Fevereiro 20]
to triste, mas eu tinha de fazer isso. num da mais para ficar do jeito que está. eu to fora.
por O Anfitrião 4:30 PM
Entra e sai:
[Terça-feira, Fevereiro 7]
toda a vez que eu assisto apocalipse now eu tenho um sentimento dividio: uma parte de mim deseja ser escritor para escrever algo assim. a outra tem vontade de desistir, da a impressão que o maximo que eu faria era redizer o que ele ja disse. o filme é a medida exata das coisas, sem nenhum exesso ou falta de elementos para passra a mensagem. cada vez que eu assisto, eu me encanto com uma parte nova. o coronel kurts ja é uma das minhas referencias mais importantes.
é um dos filmes que eu mais gosto mesmo. o melhor road movie ja feito.
por O Anfitrião 12:06 PM
Entra e sai:
[Domingo, Fevereiro 5]
montar um telão agora em algum lugar da regis bittecourt que eu não faço nem ideia de onde seja. ja devia ter saido, to esperando o zé, que vai me fazer compania. to me sentindo sozinho, não é a primeira vez.
ontem jogamos conco partidas de xadrez, eu e o zé. ganhei tres. o zé andava imbatível, e eu consegui desbancar o reinado dele. uma das partidas, uma virada incrivel, eu estava a duas jogadas do xeque mate quando dei uma sequencia violenta com a rainha e os bispos, e encurralei o rei dele. jogamos sicnuca também, mas nisso não somos realmente nada. uma sinuca na rua da gloria, clientes compostos basicamente de coreanos. ninguém falava portugues, fora nos e o dono do lugar.
ja essa tarde aconteceu uma coisa que me deixou um pouco confuso das ideias. algo que eu esperava a muito tempo, do nada, aconteceu. algo que eu ainda não entendi. algo que nem sei se devo acreditar que aconteceu. mas mudou meu humor essa tarde, e possivelmente a minha vida, para sempre.
um dia falo disso, por enquanto é melhor não.
por O Anfitrião 4:34 PM
Entra e sai:
[Sexta-feira, Janeiro 20]
puta ressaca essa manhã. alguns wiskies, cerevejas, caipirinha e vinho. acordei cedo por causa do calor, não conseguia mais dormir, nem queria sair da cama. acordei com vontade de mijar no mundo pela janela, e depois dar a descarga. acordei sem vonta de olhar minha cara minha barba mal feita meu cabelo por cortar no espelho. acordei e não devia ter acordado.
acordei com vontade de cair fora. ou ficar por aqui com as portas trancadas. tenho vinhos do velho mundo, e uma garrafa cheia de wiskie també, pinga e alguns limões. tenho bastante cafe também. e posso tolerar o entregador de pizza, se for o caso. vou fechar a janela para o homem aranha não entrar. não to a fim das piadas fracas do peter parker.
talvez eu assista apocalipse now de novo. talvez assista mais de uma vez. talvez releia uns gibis velhos. talvez eu so volte pra cama e tente esperar essa ressaca passar.
eu sei que não vai passar.
por O Anfitrião 11:02 AM
Entra e sai:
Transcendência
Ela dá mais um gole
No iogurte e
Parece estar delicioso
Ela olha direto para mim
como quem quer
a minha pele
eu agradeço e desligo
a TV
Esta tarde
eu não estou a fim
de transcender
Eu já usei o símbolo
da paz no pescoço
E ouvi Hendrix nas
noites do Tatuapé
Eu conhecia uns
caras que me garantiam
que isso era
o caminho da salvação
já assisti culto de igreja
evangélica
e comprei um
tira mancha
que o cara anunciava na TV
numa propaganda de 45 minutos
Eu já fui em missa de sétimo
Dia
e entrei num Pet Shop
numa tarde de sábado
chuvosa
Levei flores no cemitério
em dia de finados
e tentei perder a vergonha
me tornar mais sociável
tomando alguns tragos
Mas a noite só ficou mais longa
E entediada
Guardei uma garrafa de vinho
para tomar com uma garota
em uma ocasião especial
eu não a vejo
Faz mais de um ano
ela teve um filho
e eu ainda não abri o vinho
fiquei acordado
até tarde
para ver o Jô Soares
e montei
a discografia do
Iron Maidem
Já acreditei em partido
tenho alguns bons livros
na estante
li Jack Keroac
e Allen Ginsberg
Baudelaire
Resolvi criar hamster
ter um aquário
mas
Esta tarde
eu não estou a fim de transcender
Contei epopéias sexuais
em conversas na calçada
sentado a mesas de ferro
desbotadas
Colecionei miniaturas de
carros esportivos
e comprei uma
guitarra importada
Experimentei Wiskie, Gim, Vodka
Vinho Cerveja, Pinga, Caipirinha,
Licor e Batida
Ouvi Música Eletrônica
e defendi os direitos das bixas
Freqüentei bares badalados
da Vila Madalena
Participei de grupos
de discussão de Nietzche
acusei a hipocrisia das instituições
dormi no chão do pátio
no ponto de ônibus da Brigadeiro
e mijei na pia
do Terminal Princesa Isabel
mas hoje estou preguiçoso
um pouco entediado
e de saco cheio
já está escurecendo
e, pelo menos, até amanhã,
eu não estou a fim de topar com
a trascendência
Tchê Costa
03/12/2002
por O Anfitrião 10:52 AM
Entra e sai:
[Domingo, Janeiro 15]
Algumas Pessoas
algumas pessoas
sofrem demais
com coisas pequenas
e não se atem
ao mais importante
algumas pessoas bebem
e fumam
outras
passam horas
visitando os mesmos
sites
debruçados
no computador
algumas pessoas
não esquecem seus passados
batem sempre na mesma tecla
e acreditam nas mesmas coisas
algumas pessoas
sofrem quando
pensam
que deveriam
acreditar em outras coisas
e continuam alimentando
seus sonhos
e seus devaneios
com entorpecentes leves
e com a luz da cidade
algumas pessoas
ouvem os mesmos discos
e passam
tarde melancólicas
tentando se lembrar
onde foi que
tudo começou
são pessoas que
sempre acreditam estarem
finalmente
chegando em algum lugar
após tanto tempo
vão sempre acreditar nisso
são pessoas assim
que trocaram a esperança
pela teimosia
quando a primeira não
valia mais nada
que mentem
sobre o que sentem
mentem mal
mantém a cabeça erguida
quando passam na rua
mas o olhar baixo
algumas pessoas
se vestem mal
ou
passam dias sem tomar banho
escolhem errado
seu corte de cabelo
fazem tatuagens ruins
tem vidas sedentárias
algumas pessoas
nunca tem horário para comer
e quando passa muito da hora
de uma refeição
ingere qualquer coisa saborosa
que esteja a mão
algumas pessoas acordam muito tarde
não lavam seus banheiros
ou sua louça
algumas pessoas
visitam seus pais aos domingos
e recebem os amigos no fim do dia
e tomam porções generosas de conhaque
ou matam garrafas de cerveja
jogam xadrez sem pressa
penduram fotos pela geladeira
e outros cantos da casa
algumas pessoas
perderam a fé
mas ainda acreditam
que podem recuperá-la
são pessoas
que alimentam sonhos toscos
pequenos planos
e precisam de um pouco
de carinho
eu conheço algumas pessoas
assim
Tchê Costa
15/01/2006
por O Anfitrião 8:45 PM
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fui filmar uma bodas de prata de uns japoneses ali na tamandaré essa noite. um salão em frente ao hospital Modelo. ai vem na cabeça algumas lembranças. fiz cursinho no anglo no ano de 1999. sempre fui CDF e gostava de aprender pela ultima vez na vida algumas coisa, como quimica e biologia. mas detestava aquele monte de gente, aquele deposito de gente jovem e empolgada. eu queria estudar, era mais jovem e mais empolgado do que sou hj, mas não me sentia confortável no pátio do anglo, disputando na fila um salgado mal feito e caro, para ser comido de pé, tendo de gritar para conversar com algum demente sem assunto. não fiz amigos no cursinho, nenhum que durou.
na hora do intervalo, que era longa, meia hora, eu subia ate o Hospital Modelo, que é ali perto. entrava no estacionamento e ia para a lanchonete do hospital. um lugar aprazivel, em meio a um pequeno jardim silencioso, onde se podia comer um americano e tomar uma coca cola sem ser incomodado. ficava ali ate quase dar o horario. e depois voltava para o tumulto.
não tive uma boa relação com meus colegas de escola quando era criança, eles costumavam me aporrinhar e dar uns sopapos de vez em quando. pode ser por isso que eu não gosto de gente. ou vai ver que ja não gostava na época, por isso eles me batiam. eu passei a gostar ainda menos das pessoas, é como uma bola de neve, quase infantil de tão simples.
a cidade fica vazia a essa hora. gosto de andar pelos calçadões do centro de dia. ar ruas lotadas, mas ninguém presta atenção em ninguém. mas é ainda mais aprazivel de noite. vazio, escuro e siencioso. gosto de hospitais por isso, gosto do centro de madrugada, gosto de igrejas e gosto de predios altos. todos pelo mesmo motivo.
por O Anfitrião 1:30 AM
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[Sexta-feira, Janeiro 6]
Parati
esses olhos...
por O Anfitrião 12:04 PM
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[Quinta-feira, Dezembro 1]
agumas pessoas insistem para que eu va no seus cultos, ora, não é possível que a minha falta de fé seja tão importante para os outros, deus ou qualquer coisa ignora a inha falta de fé, não deve fazer a minima falta para ele. as pessoas explicam meu ateísmo pela falta da experiencia religiosa na minha vida. ou na falta de entrega. entrega ao divino, ao superior, ao redentor. algo assim.
meu ateísmo não é definitivamente falta de expericnia religiosa. tive onze anos de intensa experiencia religiosa, nos anos que apesar de serm poucos sempre nos parecem a maior parte da nossa vida. entrei no jardim, me formei no ginásio e fui para um outro colegio de freiras. mas a verdade é que o sion não era nenhuma expericnia religiosa, não que fosse um mentes perigosas, mas realmente a vida religiosa não fazia parte diretamente da nossa vida de alunos.
no santa maria, não. vivamos a vida de um convento. nos onze anos, todas as manhãs, rezávamos o pai nosso, ave maria, e santo anjo. as vezes, a freira que comandava a oração esquecia o santo anjo. eu não gostava. queria rezar todas, cmungar com o pai criador.
ate a sexta série, todas as rezas eram feitas antes de entrarmos na sala de aula, todas as classes, do maternal a oitava série, de pé, enfileirados por ordem de tamanho. a irma, geramente a Anunciata, uma freita nissei, muito lucida e inteligente, fazia um pequeno sermão, sobre as coisas que aconteciam na escola e no mundo. na sexta série, instalaram auto falantes na sala de aula, mas não deu muito certo. quase sempre a oração era mesmo no patio, acho que eramos poupados em dia de chuva. ah, e nas sextas e segundas cantávamos o hino nacional.
havia uma capela, e visitavamos a capela regurlamnte. sempre havia alguma freira idosa rezando. haviam muitas freiras, muitas velhas espalhadas pelo convento, esperando o derradeiro encontro com o pai criador. uma vez por ano, uma delas caia fora.
recentemente visitei a escola, e a sensação de santidasde dentro da capela era quase a mesma.
uma a dua svezes por mes haviam eventos comomorativos a alguma coisa. dia da árvore, páscoa, dia da bíblia, mes de maria, mes das voca~ções, campanha da fraternidade, dias dos ais, dia das mães, os alunos montavam pequenas apresentações, assistidos pelos professores. haviam algumas coisas nada a ver, as meninas inventavam uma coreografia de jazz no dia da comemoração do dia livro, e era legal, algumas delas usavam shortinhos pequenos.mas a maior parte da tematica era mesmo algo voltado para a religiosidade da data, mesmo no casp de comemorações çaicas, como sete de setembro.
eu gostava de tudo isso. a gente não tinha aula durante esses eventos, e dava para conversar. mas mesmo na multidão de todas as salas de aula, a irmã via quem esrava conversando, e fazia uma censura direta, em frente a toda a escola. era melhor ser discreto. mas eu também gostava de vivenciar, prestar atenção e curtir aquele lance todo. eu tinha minha reliiosidade a flor da pele.
eu tive meu contato com o divino, mas no final nos não nos entendemos. não nascemos para ficar juntos, eu sinto muito. fui um católico dedicado. coinheçoi a biblia mais do que alguns conhecidos evangélicos praticamntes. fiz promessas para a virgem maira, rezai para pedir e para agradecer. ia as missas orgulhoso. tinha vergonha de ficar com o pau duro na igreja. de peidar na hora de receber a hóstia. senti uma imensa alegria quando conheci Fátima e vi a oliveira em que a virgem apareceu para os pastorzinhos.
mas agora estou por fora. ele vai entender. se não entender, depois eu explico pra ele.
por O Anfitrião 1:18 PM
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[Segunda-feira, Novembro 28]
na época ninguém lia bukowski, o conan falou, então eu escrevi o meu e mail euleiobukowski@hotmail.com. ele é um dos poucos caras que eu conheço que tem o factotun. agora, continuou, popularizou, vc encontra bokowski ate em farmacia. com certeza fazendo uma referencia aos livros da LP&M.
parece ate uma metáfora. estantes da L&PM com livros do bukowski na farmácia. tenho alguns livros dele na minha caixa de primeiros socorros. junto com o St. Peppers, Trimedal, aspirina, digeplus, Brahms, Fante, vinho do porto, Sallinguer, Coppola, Lindão, xarope de guaco, própolis, novalgina e aguns videos de sacanagem totalmente amadores.
UTI pra mim é Fabulário Geral, no leito improvisado da poltrona, assistido pela vista dessa cidade. a melhor, mis cuidadosa e mais gostosa enfermeira.
por O Anfitrião 12:45 AM
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[Sexta-feira, Novembro 25]
a cidade dorme mais tarde numa noite quente como essas, havia muitas janelas acessas até a gora a noite, a cidade toda começa a mudsar, agora tem um monte de carrinhos de fruta em todo canto. as garotas ja usam aquelas blusinhas, com os peitos soltos, e as costas a mostra, isso torna os passeis pela cidade ate mais agradaveis. daquia a pouco os botecos vão ter mais gente sentada tomando cerveja, e eu vou estar um pouco mais por lá também.
na galeria metrópole, no marajá, na roosvelt, na barão, a algusta. a cidade começa a ficar mais vazia ainda de dia. ha gente sentada bebendo ainda de dia. as janelas do 1014 vão ficar todas abertas o dia todo, e vai correr um vento que derruba porta retratos. a gente bebe mais vinho branco e espumante também. vai ter siriri voando nos postes, e vai ser mais gostoso ir no rei do mate. vai dar vonta de de ir no rio de janeiro. mas eu devo ficar por aqui, e ir no cinema, no fim da tarde, e depois matar umas cervejas na noite fresca. eu gosto da cidade.
por O Anfitrião 12:49 AM
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compararam alguma das atitudes que tenho tomado com os personagens do filme edukators.deve ser por ai.
por O Anfitrião 12:38 AM
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fiz trilogia de cogumelos essa noite. sonhei com esse prato, eu cozinhava carne com chitaque e outros cogumelos. acordei com a receita na cabeça, fui na liberdade atrás deos tres cogumelos clássico,s champignon fresco, chitaki e shimeji. refoguei os tres bem picados com azeite, joguei tofu picado, e um monte de pimenta do reino. coloquei shoyo, e deixei a coisa toda cozinhas na agua que saiu do cogumelo. fritei umas guiozaz previamente adquiridas na liberdade.
faltou o alho poró, mas estamos fora de época. com alho poró, o cogumelo, sem o tofu, fica um otimo recheio de torta.
essa é a culinária européia baseada em alimentos estragados. o vinho, antes de ser vinho, é um caldo onde se vc jogar um gato, ele derrete naquelas bolhas. um caldo venenoso e vivo. o queijo é queijo estragado. o pão é farinha mofada. come-se muitos cogumelos, que é um fungo que cresce na terra cheia de esterco e em galhos podres de árvore - dispenso comentários óbvios sobre chá alucinógino de cogumelo que cresce em esterco de vaca. a maior parte dos embutidos passa por um processo de fermentação também.
a culinária européia é baseada em estragar a comida, para depois comê-la.
eurpeus são he´róis gastos pelo tempo. europeus carregam nas costas séculos de uma história quase sempre sangrenta e miserável. europeus transformaram comida podre em alimento fino. os alemães tem conserva de repolho, o chucrutz, que passa por uma fermentação também. é muito grande a miséria de um povo que precisou fermentar repolho para ter algo pra comer durante os messes de frio. as vezes penso que europeus são uma praga pior do que os ratos, espalhan-se por qualquer canto do planeta - ha muito poucos lugares no mundo em que euopeus não infestaram, eles se adaptam em qualquer ambiente, e verdadeiros carniceiros, se alimentam basicamente de comida previamente estragada.
muito interessante esses europeus.
por O Anfitrião 12:36 AM
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[Sexta-feira, Novembro 11]
to filmando uma ópera no teatro são pedro. a viviam me deu o contato, pois a direção da parte cênica é dos parlapatões. vãos er quatro dias de film,agem, hj é o ultimo. os outros foram segunda, terça e quarta. é um troçe bem legal. melhor que filmar criança e noiva. e tem uns rangos fodaça nos camarins.
por O Anfitrião 4:29 PM
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[Domingo, Novembro 6]
eu ja sei que não quero cerscer. não existe vida fora do CRUJ. quero ficar por lá ára sempre. sempre vão haver cervejas na geladeirinnha velha. cervejas quase quentes. a vitrola vai estar sempre com a agulha cega, com a borracha frouxa. o pablo vai estar fazendo seu artesanato, e vamos fazer a coisa como se deve, sem pressa, cada um na sua vez.
não ha nada pra mim fora do CRUJ. fora do CRUJ, eu sou apenas uma criatura bizarra, as vezes um porco repugnante. fora do CRUJ eu tenho um monte de coisas grandes para conquistar. fora do CRUJ, todas as mulheres do mundo existem, e queria que todas elas sumisse, que não existisse mais mulher nenhum ano mundo. ou que eu não tivesse de sair nunca do CRUJ. que eu pudesse ficar lá como num bunker, onde nenhum sonho imbecil possa entrar, nenhuma decepção amorosa, nenhuma reclamação de cliente, nenhuma festa mala, nada dessas porcarias conseguem invadir o bunker da vila maria.
quero me esticar nas almofadas e ficar quieto. quero pensar na vida estando longe dela. quero sentir saudades sem sentir falta. quero lembrar de coisas chatas e sorrir. quero rir dos meus amigos e eles de mim. quero jogar jogar xadrez quando o dia estiver amanhecendo. quero posters das mostras passadas, e me sentir como ainda durante uma delas. quero beber vinho em xicaras de vidro.
não quero a responsabilidade de mais nada. eu ja sei que sei fazer a coisa. ja mostrei serviço e fiz bonito. agora quero a minha solidão de volta. quero fichas de fliper no Samarone, que jackpots, quero multibol. quero x-saladas gordurosos olhando a praça. quero entrar no CRUJ, tirar o sapato, sentar no chão e não esperar que mais nada aconteça. e ficar feliz com isso.
por O Anfitrião 12:42 PM
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[Sábado, Novembro 5]
depressão pós mostra, fica um vazio. uma preguiça, um certo cansaço antecipado do tanto de coisa que eu tenho para fazer daqui ate o fim do ano. pode ser que pinte um negovcio legal, filmar uma ópera no teatro são pedro. daria muito trabalho, mas um trabalho que eu ia adorar fazer, por que adoro musica clássica. mas os caras estão sem verba, precisam conseguir o dinheiro com a prefeitura. ok, eu epsero torcendo, hj tem um anversario, ok.
mas tem muitas edições atrasadas. e mais uns trampos nesse pé. hoje precisava capturar video, ou fazer compras no mercado, mas estamos por aqui, eu, a débora e a patricia, revezando o computador e ouvindo rock n roll. não sei muito o que escrever hj, é so uma tarde meio morta e preguiçosa, mas que eu estava a fim de escrever.
por O Anfitrião 2:46 PM
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[Sexta-feira, Novembro 4]
e a mostra acabou, com novo recorde. 52 filmes, em duas semanas. nunca sou o memso depois de uma Mostra. é uma carga de informação enorme em pouco tempo, ao mesmo tempo que é uma mudança de rotina muito grande num tempo considerável. a cidade ganha outra cara. eu ando na rua enquadrando o mundo.presto atenção nos barulhos como se fossem parte sons incidentais dos filmes.
mas principalmente, pelo menos uma vez por dia, um cara vai te colocar contra a parede. são 4 filmes por dia. as vezes é num filme ruim, mas sempre alguém vai te colocar contra a parede, vai te dizer algumas coisas pesadas e vc vai ter so uns vinte minutos entre uma sessaõ e outra para pensar naquilo. alguns ingenuos se perguntam se isso não é ruim. se não era melhor ter mis tempo para digerir essa carga. meus caros, na vida, nem sempre ha tempo para pensar muito. um café, um salgado. asd vezes a subida da algusta. as vezes é so o que voce tem para epnsar no que vc acabou de aprender. a vida não para para ninguém ficar pensando nela.
quse sempre coltando pra casa a poé na descida da algusta. a primeira mostra que eu faço desde que cai fora de casa.
a mostra é uma religião sem Deus. a prima da maíra, essa semana, me disse, "nossa que legal, vc tão apaixonado por cinema". não sei se sou apaixonado or cinema ao menos não da forma que ela chama as coisas de paixão. eu to ali para ver alguma coisa. não é cinema. não é arte. é vida. pode ser qualquer coisa parecida. não por acaso é cinema. mas eu vi nessas duas semanas henry chinaski dar seus sapatos para a sua garota. e essa foi uma das cenas mais romanticas da história do cinema. vi zucker simulando infartos para poder continuar a jogar sinuca. vi um diretor de cionema palestino querendo cair fora enquanto testa não atores que so querem paracer no video para tentarem cair fora, conseguirem um passaporte. vi um cara vivendo a coisa mais parecida com o que chama de solidão, enquanto agonizava com cancer. sim, eu entendo, a solidão de verdade é a morte. pode ter quanta gente tiver a sua volta. voce esta sozinho. definitivamente.
a mostra é um momento de solidão. é voce e o filme. esse ano a patricia me acompanhou em quase todos os filmes, em outros eu encontrei o pablo e a mirella, ou outras pessoas. mas a hora que a vinheta de abertura acaba, é so vc e o filme. e ai, eu volto a ser o adolecente desluimbrado, tentando achar alguma coisa de diferente no mundo, alguma coisa realmente interessante. subindo e descedo a augusta atrás dessas coisas.
por O Anfitrião 1:57 AM
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[Quarta-feira, Outubro 26]
eu reparo o tempo todo nela. ela sabe disso, eu imagino. ela é discreta, eu não. eu não sei esconder o que estou pensando ou sentindo. ela não consegue esconder o que esta sentindo, mas é boa em esconder o que esta pensando.
gosto de olhar seu corpo, pensa em cada uma daquelas partes. ela não usa muitos decotes, embora tenha seios grandes e bons e bem formados. um decote pode ser bastante perigoso, em alguns momentos de um dia dificil, um decote pode abalar drasticamente a lucidez de um homem, ao menos por algumas horas. ja vi decotes em metros, pontos de onibus, filas de cinema, que me fizeram perder o dia. - ainda que de uma forma ou de outra semore se ganha alguma coisa. ela não usa decotes grandes, seus belos seios arredondados, levemente apontados para fora ficam sempre bem guardados. gosto de prestar atenção no cheiro dela, as vezes, enquanto ela fala sem parar, eu esqueço o que ela esta falando, me concentro no cheiro do corpo dela.
mas sua boca é a parte mais atrativa, sem duvida. nem grande nem pequena. bem desenhada, sempre se mexendo, se entortando, falando. vermelho claro, aqueles lábios ficam perfeitos com um pouco de gloss. eu costumava lembra-la de passar gloss neles. gostava de ve-los com gloss.
quase sempre eu sei o que ela esta sentindo. quase sempre eu sei como ela vai fazer, o que ela vai fazer. quase sempre eu lhe dou conselhos, ou explico alguma coisa pra ela. quase sempre trocamos ideias e conhecimento sobre cinema e literatura. quase sempre ha uma troca entre duas almas semelhantes e que se sentem confortaveis, aconchegadas uma a outra.
mas a vezes em que eu me sinto, perto dela, um pre adolescente deslumbrado. e eu olho para ela deslumbrado como quando comprei minha primeira playboy. atonito, encantado, exitado, tenso. e penso que aquela mulher não e real. e agradeço a Deus pelas mulhres não reais, ela em especial, que dão aos sonhos o tempero suficiente para que a gente continue a viver por eles.
por O Anfitrião 1:29 AM
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[Terça-feira, Outubro 25]
Que a mostra ta sendo do caralho? pra quem ainda não contei, está.
por O Anfitrião 4:03 AM
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[Terça-feira, Outubro 18]
a parada da mostra começou. sexta eu inicio com 5 filmes, sessões 01, 02, 31, 26 e 27. sessão 26 ás 21h30 na Unibanco. o filme é o factotum. adaptação do livro homonimo do Bukowski. talvez eu entre com uma garrafa de vinho escondida.
por O Anfitrião 1:28 AM
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[Quinta-feira, Outubro 13]
escrever para mm é um ato de desespero. não que eu pareça ou esteja angustiado, atordoado, quando escrevo, ou quando preciso escrever. nada disso, escrever é uma coisa que as vezes precisa ser feita. mais do que qualquer outra coisa naquela hora, vc não enche o copo num bom parágrafo, não vai ao banheiro, perde o horário de um filme e desencana do horário seguinte. eu posso fazer tudo isso com tranquilidade. escrevo como quem faz café ou pinta uma parede, não sangro pelos olhos, nem disparto raios pelo cu, nem viajo num universo onírico. apenas vou escrevendo uma palavra depois da outra, recriando a imagem, ou a idéia, que ja ta na minha cabeça.
é uma coisa que precisa ser feita, se caso o butijão da vizinha explidise, ou eu visse pela janela uma mina ser atropelada, eu iria parar de escrever na mesma hora, por que apesar de ser um ato de desespero, não é um ato de obsessão. por isso, apesar do desespero, não ha, necessariamente, e ao menos não o tempo todo, voracidade ao tocar no teclado. as vezes há, é verdade, não o tempo todo.
mas escreve não serve pra nada. vc tem dezenas de maneiras de resolver uma coisa. por falta de vontade, ou por incapacidade real, testada após muita insistencia, eu resolvo resolver a coisa escrevendo. e não resolve nada. embora eu tenha de fazer mais do que ir ao cinema, ligar para uma garotaou comer uma puta da liberdade. mas eu tenho de escrever.
e no final escrever não serviu para nada. arquivo salvo, imprimi-se uma cópia, mata o resto do vinho e a vida continua a mesma, so aquela vontade de escrever que passou. escrever é como estra na cama com uma mulher gostosa, vc goza e ja esta com o pau duro de novo, esta acima do seu controle.escrever não serve para nada e o cara tem de estar muito desesperado para tentar resolver a porra da sua vida escrevendo.
tenho escrito bastante nos ultimos tempos. esse final era óbvio, ou lógico, tanto faz. devo escrever mais um pouco daqui a pouco.

por O Anfitrião 3:04 AM
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[Quarta-feira, Outubro 12]
a imprenssa se assustam com qualquer coisa. ou vai é o mundo todo. padre que come criança é tão antigo quanto a igreja católica. e agora vira escândalo. será que as pessoas fingem essa inocencia toda, ou realmente acreditam em instituições? tive um bom professor sobre esse assunto no segundo ano da faculdadfe. é claro que ele não nrespondeu essa questão. o legal da PUC é que, como em todo o mundo, nincguém tinha resposta pra nada. mas ao menos nunca se prontificaram a responder nada também. parece pouco, mas não é.
a PUC foi uma grande escola de não jornalistas. não sei se isso é bom ou ruim. minha turna, todos reporteres natos, a maior parte não virou jornalista. o pariz ta na reutrers em brasilia. grande cara, dedicado pra caramba. ele não imagina o quanto eu admiro ele. mas eu não to nessa. nem o zé. a maíra, mais ou menos. sei lá. a PUC era um lugar bacana, onde a gente discutia assuntos inuteis com caras que a gente admirava. alguns menos, outros bastantes. mas da para contar nos dedos as aulas que eu assisti do começo ao fim. sem sair da aula, era inevitável um café na lanchonete da japonesa, perto da atlética do direito.
por O Anfitrião 4:59 PM
Entra e sai:
blur e weezer, o melhor que a musica comercial atual produzio nos ultimos anos. o resto é conversa.
por O Anfitrião 4:40 PM
Entra e sai:
[Domingo, Outubro 9]
"A Baby's Gotta Do What A Baby's Gotta Do"
tommy picles
por O Anfitrião 1:36 PM
Entra e sai:
blogs abrem e fecham, eu a gardel e associados continuam aqui. blogs são abandonados por messes, e esse sempre tem um post, a cada quinze dias, as vezes mais, mas eles aparecem. não que isso seja uma virtude desse blog, ou um vicio dos outros. so que esse blog tem quase tres anos já. e eu gosto disso.
ainda sou meio novo, o que significa que em tres anos mudou muito. minha vida mudou pra cacete nesses ultimos dois anos e meio. muito mesmo. a verdade é que essas coisas tendem a parar com o tempo, mas parece que ainda mudam algumas coisas. o processador é o mesmo. o resto dos componetes principais da maquina, todos mudaram. bom, a placa de video é a mesma também, mas isso não muda muita coisa.
eu montei um blog para poder colocar disponível para quaquer um o que eu to a fim de escrever. nunca fiz divulgação do meu blog no blog dos outros. pras que? quem quiser que leia. tenho poucos leitores, não tenho contador e nem quero. tenho um publico legal. gosto de ver comentarios do bortoloto e do márcio américo no meu blog. e gosto de ver comentarios dos meus amigos também. eu sei quem é meu publico, e pra mim ta bom. se eu não tivesse leitores, estaria bom também, eu so preciso escrever algumas coisas de vez em quando e colocar elas no ar.
montei a gardel e associados no tempo em que esse blog existe. na verdade, uma alcunha pros meus projetos solos. a coisa agora sustenta minha vagabundagem. tenho ganho algum dinheiro, da pra comprar vinhos, almoçar nuns restaurantes a pampa e pagar uns cinemas. as vezes acho que trabalho demais, nesse fim de ano vou trabalhar demais. mas que se foda, eu gosto de filmar e editar. so não pode atrapalhar o resto das coisas da vida.
considerações de um domingo de manhã. dispersas, soltas, sem ordem alguma.
devo dar uma volta, tomar um café. vou com medo e com o pé atras, com cautela em demasia, com receio e com cuidados. mas não abandono a luta.
por O Anfitrião 1:35 PM
Entra e sai:
[Segunda-feira, Outubro 3]
"a verdade é que de ontem pra hoje quase nada mudou. e eu tenho pensado isso todos os dias, ha anos..".
por O Anfitrião 10:59 PM
Entra e sai:
Wiskie e silencio
há dias em que eu preciso
de coerência
e racionalidade
colocar as idéias no lugar
como dizem os entendidos
no comportamento humano
pensar em planos
e ter projetos
mas essa noite eu preciso
de wiskie
e silencio
há noites que pedem
emoção
sexo no banco de trás de carros
em ruas escuras
em motéis baratos
em chuveiros
em puteiros
e cinemas vips
em pistas de dança
em pés de escada
embaladas
pelo sax doce
do dexter gordon
ou o piano martelado
do Monk
mas essa noite eu preciso
de wiskie
e silencio
há tardes de sol
de outono
com o céu claro
de outono
o vento cortante
de outono
machucando o rosto
contando histórias
enfeitando as ruas
tardes que pedem
mesas repletas
de garrafas vazias
de cerveja
de conversas inúteis
de planos mirabolantes
de idéias bem planejadas
de imagens coloridas
tardes em caminhadas tranqüilas
pela sete a abril
a procura de
nada
em lembranças de rostos
femininos
e poemas clichês
tardes em que sentir-se
vivo
é um prazer
e provar do olhar
apenas uma delicadeza
mas essa noite eu preciso
de wiskie
e silencio
há momentos em que o
olhar
é doce
como uma canção antiga
ou um bordado artesanal
em que a alegria
parece quase
normal
como
um gato que corre assustado
ou um ônibus lotado
ou a velhice estampada
em um prédio antigo
da Brigadeiro
olhar doce como um licor
que se bebe por prazer
e pelo perfume
mas essa noite eu preciso
de wiskie
e silencio
há noites
em que a tristeza nos faz companhia
e por sorte
há alguém
para dividir o assunto
alguma boa alma
que não se importa
com o mal hálito da sua tristeza
ou as histórias enfadonhas &
cansativas
que ela insiste em contar
como se ela fosse o centro das atenções
quase querendo
diminuir o volume
achando-se mais importante
que o piano do Brubeck
e colocando
mais vinho
em nossos copos baratos de vidro
mas essa noite eu preciso
de wiskie
e silencio
para ter ao menos a impressão
de que estou pensando em algo
para acreditar
que algo está mudando
e saber
ao mesmo tempo
que é tudo a mesma coisa
uma sacada de ferro
fria
e uma paisagem triste
e bem conhecida
Tchê Costa
12/05/2004
por O Anfitrião 10:56 PM
Entra e sai:
de onde vem esse vazio que a maior parte das pessoas parecem trazer dentro de si? será que ja houve no mundo, em algum lugar, ou alguma civilização, em que as pessoas não pareciam estar sempre com uma espécie de vazio, de descontentamento constante? por que parece que todo mundo faz o tempo todo as coisas todas para preecherem uma falta que elas tem que elas tem de qualquer coisa que elas tentam suprir, substituir pelas coisas que elas fazem? será que a sensação que eu chamo de vazio é a mesma que você chama de vazio?
tem dias que o mundo parece ser movido apenas por esse vazio, como se a humanidade tivesse construido uma civilização apenas para preencher o buraco em cada um. e com tantas coisas que foram feitas e criadas, parece que todas elas não são bastante grandes para preencherem os vazios.
por que as pessoas esperam tanto das coisas simples? coisas simples, como a vida, por que as pessoas esperam que ela seja isso ou aquilo. ou esperam que a si mesmas sejam assim, ou de outro jeito? por que as coisas tem sempre de ser de uma determinada maneira, que quase sempre se for dessa maneira também não vai levar a nada, e então vai ter de ser de outra?
por que apesar de tudo o que fazem, conseguem ou perdem e dizem entender, as pessoas estão sempre tão descontentes? esse vazio pode ser Deus. mas as pessoas mais religiosas parecem as mais vazias, na verdade, potes sem fundo se esbaldando de Deus ou qualquer outra figura mistica, e parecem nunca estarem satisfeitos de deus. por que então estamos aqui, vivendo a carne, se a unica coisa que nos preencheria é Deus?
se exuste Deus, então tem de existir algum sentido na carne, mas qual? os espiritas dizem que na carne o espirito se desenvolve, cresce e amadurece. mas por que aqui, num lugar dito inferior, os espíritos vem aprender? a carne deve ser então muito mais do que a gente pensa. não, a resposta não parece encher o pote de Deus, pois ele nunca fica cheio, não ha sentido nisso, o melhor seria entçao logo morrer, se estripar, pois se o sentido é deus, não vale a pena ficar por aqui.
"durante o inverno, a garça permanece com um pé na água congelada e o pescoço abaixado, sem se mover. ela não contraria a natureza, nem tenta fugir dela. apenas sobrevive, usando todas as suas forças. a beleza da garço do inverno esta exatamente nesse esforço silencioso. essa é a unica forma que esse pássaro encontrou para poder sobreviver"
por O Anfitrião 10:49 PM
Entra e sai:
[Quarta-feira, Setembro 28]
Marcelo Coelho mandou bem nesse texto. para quem não sabe, estão construindo uma espécie de rampa em baixo de um viaduto na paulista, para evitar que os mendigos durmam lá. o resto é com ele ai:
MARCELO COELHO
Como embelezar São Paulo (e sair ganhando com isso)
Direitos todo mundo tem: à saúde, à educação, à moradia, à segurança... Verdade é que essas coisas muitas vezes ficam no papel. Mas há um direito humano, lembrado por Anatole France, que até hoje ninguém ousou desrespeitar: o de dormir debaixo da ponte. Eis, frisava o escritor, uma prerrogativa que o Estado assegura "tanto aos mendigos quanto aos milionários".
Recente iniciativa do prefeito José Serra parece colocar em xeque essa evidência. Na passagem subterrânea entre a avenida Paulista e a Doutor Arnaldo, surge uma verdadeira inovação em termos de arquitetura pública: a "rampa antimendigo". Trata-se de um piso inclinado, com superfície áspera, que impede os miseráveis de se abrigarem no lugar.
Já era um espaço bastante exíguo e disputado. O motorista que sai da Doutor Arnaldo e avança por aquela espécie de túnel começa reparando nas pinturas murais que enfeitam o caminho. Vê simpáticos grafites, figurinhas dançantes, uns ETs sorridentes e, à medida que o túnel se aprofunda, toma contato com ótimas reproduções de quadros modernistas: uma praia de Pancetti, uma paisagem de Tarsila, algumas mulheres de Di Cavalcanti ilustram aquele buraco urbano.
Quando subimos de novo em direção à Paulista, o vão de parede disponível para as pinturas diminui; só então, num ângulo espremido entre dois planos de calçada, é que vemos amontoados alguns seres humanos entre sacos de lixo, caixotes desmontados, fardos de roupa velha e ruínas de um colchão.
Construída como a arquibancada de um imaginário estádio para ratazanas, a obra da prefeitura ocupa esse pedaço do túnel, cuidando de desalojar os mendigos que dormiam por ali. A não ser que eles insistam em se deitar no novo plano inclinado, correndo o risco de rolar até o asfalto, onde terminariam providencialmente atropelados. De todo modo, a rampa ganhou um revestimento de chapisco, desconfortável o bastante para dissuadi-los da imprudência.
Chapisco? A palavra é demasiado vulgar. O melhor seria chamar de textura rústica a camada que recobre as rampas. Fico pensando de que modo se optou por esse pormenor decorativo. Afinal, não dá para saber quais os níveis de desconforto necessários para impedir um mendigo de se deitar onde quer que seja.
Por que não usar cacos de garrafa? Tudo ganharia um colorido nostálgico e suburbano, figurando uma São Paulo de outros tempos. Ou então pregos, espetos... Ah, mas aí seria extremismo. Nosso "dispositivo inclinado de afastamento de população indesejável" (diapi) não precisa agredir ninguém. Cumpre apenas, silenciosamente, o que a polícia ou a guarda municipal não poderiam fazer sem empregar um bocado de violência física.
E ninguém é violento por aqui. Só eles, é claro, os que se escondem no subterrâneo.
"Não se trata de rampa antimendigo", protesta com veemência o subprefeito da Sé em carta à Folha na última segunda. "A área, como é público e notório, servia para acoitar delinqüentes que se misturavam a pessoas que eventualmente moravam ali, também elas vítimas da ação criminosa."
Imagino então que as vítimas, uma vez expulsas do local, estejam agradecendo à prefeitura. Lamento, em todo caso, que se tenha perdido uma oportunidade rara de prender delinqüentes: não são muitos os que se deixam localizar em endereço fixo, público e notório.
Quem sabe, em vez de um plano inclinado, a prefeitura não deveria ter construído grades debaixo do viaduto: uma parceria com o governo Alckmin criaria ali uma interessante alternativa prisional.
Seja como for, poderemos apreciar melhor as comoventes réplicas de Portinari que, naquele trecho exato da passagem subterrânea, sofriam a concorrência dos mendigos reais. Admirem-se, portanto, aqueles esquálidos retirantes em sutis matizes de azul e cinza, corvos voejando em volta e lágrimas saindo aos jorros dos olhos de crianças famintas. Sabia das coisas o velho Portinari. Um pouco ultrapassado talvez.
Afinal, a arte engajada está fora de moda e não condiz com o ritmo pragmático da cidade. A nova rampa, lembrando uma escultura abstrata, rigorosa e pura, vem aludir a períodos ulteriores, menos conteudísticos, de nossa evolução estética. A não ser que represente uma homenagem ao auditório de Niemeyer no parque Ibirapuera e ao tobogã do Pacaembu. Se não nos atrapalhassem os mendigos, poderíamos apreciar muitas harmonias ocultas na paisagem paulistana.
Uma dúvida, entretanto. Será que, apesar de sua austeridade construtiva, essa rampa não é um instrumento de autopromoção do prefeito? Fala-se nele como candidato à Presidência da República. Terá alguém inconscientemente desenhado uma minirrampa do Planalto nos subterrâneos da Paulista? Sem esquecer que o seu próprio sobrenome sugere, a exemplo da nova obra, algo de escarpado, íngreme, difícil de subir.
Mas a determinação ascensional da prefeitura não pára por aí. Lança-se em direção aos postes da Eletropaulo. Sim, noticia-se a criação de uma taxa sobre tal equipamento urbano. O raciocínio é que os postes, sendo coisas privadas (em especial para os cachorros, aliás), ocupam um lugar público, as calçadas. Cabe, portanto, uma cobrança. Por que não?
Juntando uma coisa à outra, ocorre-me a solução definitiva para o caso da Paulista: cobrar imposto dos mendigos. Afinal, eles se apropriam de um bem público e o utilizam para fins pessoais. Exigindo-lhes uma taxa módica, conseguiríamos expulsá-los dali sem precisar gastar um tostão em rampas e chapiscos. Nada como os mecanismos de mercado. É o que eu sempre digo.
por O Anfitrião 10:20 PM
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[Domingo, Setembro 25]
"ela abaixou a maquina fotográfica dizendo que achava o prédio da pinacoteca a coisa mais linda dessa cidade. aquele prédio mal acabado incomum. é mesmo muito bonito. ela usou essa palavra, coisa, e em seguida me perguntou qual eu achava que era a coisa mais bonita da cidade. eu queria dizer que achava que ela era a coisa mais bonita da cidade. ela ia pensar que eu estava querendo agradar, ou pasando uma cantada idiota. não era uma cantada, mesmo que fosse uma coisa idiota para se dizer. fiquei quieto. ela perguntou, o muncipal?, concordei com a cabeça, acho que sim, completei. tirei mais algumas fotos. não voltamos mais no assunto. não lembrei de nada mais bonito também."
por O Anfitrião 7:25 PM
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[Sexta-feira, Setembro 23]
"jurei que nunca mais ia chorar por garota nenhuma na vida. jurei isso a muito tempo atrás. jurei isso chorando, por uma garota. a gente tem que a prender a nunca jurar nunca mais fazer uma coisa que a gente ta fazendo naquela hora.
eu juro que eu tentei segurar. eu não queria. eu so queria ser capaz de cumprir uma promessa simples que eu fiz para mim mesmo. eu decidi crescer e deixar de ser moleque. deixar de ouvir weezer, talvez. eu segurei bem durante todo o disco azul. mas ai eles tocaram in the garage. e ai eu não segurei mais.não sei por que, deve ser aquela parte, "In the garage I feel safe No one cares about my ways, sei lá. recebo visita daqui a pouco, preciso lavar o rosto."
por O Anfitrião 11:32 AM
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[Quinta-feira, Setembro 22]
"um dia, uma unica vez, a gente achou que teria uma chance. a gente viu um dos nossos chegar lá em cima. foi quando o muhammed ali derrubou o foreman, 13 assaltos. tomou soco pra caramba, mas ficou de pé ate o fim. derrubou o babaca do foreman. derrubou o babaca do don king. don king sempre se achou muito esperto, e vai ver era mesmo. nunca vai la pra cima. naquele dia a gente ate acreditou que a gente podia vencer.
nunca mais aconteceu nada. a gente nunca mais teve uma chance. a gente nãoi acredita mais que um dia vai vencer. a gente não acredita nisso a muito tempo. tanto que acho que a gente nem se importa mais. a gente continua no ringue, mas não pensa mais nisso, so vai tentando ficar de pé. mas seria legal ver alguém subir lá e derrubar mais um peso pesado de novo!"
por O Anfitrião 8:29 PM
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[Quarta-feira, Setembro 21]
ando bebendo demais. demais mesmo, mais do que imaginei que beberia. náo tenho gostado do que vejo no espelho, e pior, náo tenho me importado. tenho so bebido mais. tenho optado por bebidas mais fortes, dessas que agnte póe gelo. tenho evitado de por gelo, elas ficam mais fortes.
sou previsivel. náo sou novidade para ningu[em que me conhece. quem ja conversou comigo mais de quatro vezes - e at[e que sáo poucos - sempre sabe o que esperar de mim. náo me orgulho disso. hoje, so me orgulho de ter feito aquele eletroimã, que eu aprendia a fazer no manual do escoteiro mirim. eu colocava um monte de fio enrolado num prego, criando uma zona de tensáo. e um palito com um preguinho pensurado, proximo ao prego grande cheio de fio. ligava na for;a, e dava certo. bendido manual do escoteiro mirim! sei que vou deixar esse mundo com orgulho de ter feito alguma coisa.
náo me arrependo de nada. so constato que náo podia ter sido feito diferente. foda-se. quem se importa? meu coração é tinhoso e burro. burro como uma porta. azar dele. vai parar cedo, de tanto alcool que eu ponho pra dentro pra aguentar a pressáo. vou morrer de infarto, cora;áo de merda! quando aprender. vai ser tarde demais, almondega serelepe e estúpida!
quase sempre vejo graça em coisas prosaicas. uma musica, um livro, um fim de tarde os calçadões da cidade. hoje não to vendo graça em nada.
hoje eu queria uma passagem so de ida para um país exótico... para picotar e jogar no lixo, e continuar por aqui. num to com disposição para gostar de nada hoje.
por O Anfitrião 1:30 AM
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[Sexta-feira, Setembro 16]
começou a´intervenção urbana das vacas na cidade. os organizadores espalharam vacas por toda a cidade. é claro. aqui no centro, nem no velho nem no novo, ainda nõa vi nenhuma. mas deve ter, afinal, eles espalharam por toda a cidade. la na zona norte, minha mãe e amigos que moram lá garantem que também não ha nenhuma. parece que no guavirutuba, onde mora a mãe da patricia. não ha nenhuma. eu vi uma em pinheiros, perto da faria lima. parece que elas estão na paulista e em higinópolis. em higienópolis, um bairro residencial, para que as vacas estejam perto da população. é claro, a população mora toda em bairros como higienópolis.
é certo que não ha vacas em toda a cidade, mas para quem não sai de pinheiros/paulista, as vacas estão em toda a parte. o restro que se foda. sem vacas, sem teatros, sem cinema, sem livrarias, sem empregos, sem escolas, sem hospital, sem museus, sem frans café, sem feirinha da calixto, sem rapel no viaduto.
cada vez mais tenho certeza de que nessa cidade cada um mora numa cidade.
por O Anfitrião 2:41 PM
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[Terça-feira, Setembro 13]
e esse fim de semana parecia que não ia rolar trampo nenhum. tava meio desanimado já, então apareceram umas coisas legais para fazer. ha coisas que voce tem que fazer, para as coisas darem certo. parece que é verdade, embora eu ainda tente não admitir. eu limpei a casa, que estava muito bagunçada. e suja. duas horas depois eu ja tinha fechado dois trabalhos, um deles para esse fim de semana. a viviam me chamou para filmar a peça nova do hugo possolo, dos parlapatões. um cache legal para um trampo que eu faria de graça, se não fosse se isso que eu uso para pagar o vinho das crianças. e elas bebem muito vinho.
preferia que não tivesse acontecdio, quase dei o braço a torcer para os misticos. prefiro achar que foi coinhecidencia. fiz a segunda coisa que eu tinha de fazer, mas estava adiando. fiz compras, ecnhi a dispensa, chega de ter dinhiro no banco e deixar de fazer uma compra decente, de ter umas coisas legais na porra da geladeira pra comer quandoi de fome, nada demais, umas batatas fritas congeladas, almondegas, que bosta, eu sou um filha da puta de um canguinha, tenho medo de gastar dinheiro, sei lá, sou seguro demais eu acho, criação portuguesa do caralho.
voltei do mercado, algumas garrafas de vinho mais pobre e encontro a gisela, melhor amiga da patricia, com um problema: um filme do grupo de oficia de cinema dela estava sem ter como editar. e precisava ser editado pra segunda feira. combinei que eidtaria o filme com o grupo no domingo. combinei um valor legal também, que não onerasse demais o grupo. ni domingo, enquanto eu passava o filme para o computador, eu vi o tamanho da fria.
o roteiro era extremamente complicado, com tres realidades paralelas interligadas por um simbolismo complexo e exquisito. as tomadas estavam amadoras demais. o ator estava inexpressivo. a atriz, uma professora de balé estava viselmente descontente. as cenas foram feitas no porão de uma casa que serve de oficina cukltural. parece que era a casa que o mario de andrade morou, sei lá, não sei o que isso pode influebcia num filme. não havia iluminação alguma.
pelo menos dois terços do filme foram feitos em plano detalhe, o mais dificil de filmar. não havia preocupação alguma, não havia resquícios de preocupação com o combinação e contraposição de planos, personagens que se olhavam estavam no mesmo canto do quadro. Não havia preocupação de captar os movimentos para ligar os quadros de diferemtes angulos. Alias, não havia preocupação de criar diferentes ângulos. Havia um roteiro com uma tentativa vexaminosa de decupagem. Não havia resquícios, mesmo dos medidos em ppp, de preocupação profissional.
Não quero critica-los. Mas eu era o editor, e sobrou para mim dar sentido aquela meleca de idéias! Não por que eu fosse grande coisa, nem memos capaz. É que eu era o ultimo a por a mão no filme. Se na edição não se resolvesse os problemas, não teria mais onde resolver.
Fiquei até as duas da manhã no filme, eu e a patrícia tirando sarro da Gisela e do filme dela. e ela começou a ficar nervosa. Não com as nossas brincaderias, acho que não, ela não parecia estar levando a sério ou se magoando, mas mesmo com o resultado do filme. Se criticando, assumindo a responsabilidade das cagadas do filme, a patrícia mandando ela largar a mão de autopiedade, que ela não podia por nas costas a cvulpa do grupo todo. Afinal, o mais importante é que eleas tinham feito o filme, ido ate o fim.
Eu dizia, Gisela, vc não pode assumir essa culpa, isso ai é um trabakho de grupo, quem era o roteiristas? De quem era o roteiro? E a direção? Era coletiva? Alguém qtem que dirigir o filme, essa chuva de idéias Sá ajuda a complicar...
E ai ela acbaou falando, com a maior vergonha, que era ela que escreveu e dirigiu o filme, não era um tralaho de grupo, ela alugou meia dúzia de conhecidos e desconhecidosm para realizar a porra do filme, a porra do projeto dela.
Caraio! Ela fez aquelo tudo sozinha! Não é que o filme de repente tinha ficado bom por que era um projeto pessoal dela, e ela fez quase tudo sozinha. O filme continuava ruim. A Gisela é que tinha ficado melhor.
Apesar do roteiro complicado, do monte de detalhes que ela teve de resolver, e não conseguiu, dos problemas que ela teve com a bailarina, que (juro) chorou de ter de pegar ônibus para voltar pra casa, a gisela levou aquela porra ate o fim! Por mais que ela sabia que não ia dar certo, ela fez até o fim.
Por que o mais importante não era que o filme ficasse bom. Isso seria lucro, seria um a mais. O mais importante para ela era fazer o filme. Nem que ela tivesse que mobilizar um monte de gente perdesse dias de aula, gastasse dinheiro. nem que ela tivesse que expor todos os medos e encanções. sua timidez e sua falta de experiencia. E o filme dla estava pronto. E nem estava tão ruim, ela reduziu o roteiro, a gente cortou as partes mais estranhas e conseguiu contar a história.
Em tempos de dois filhos de Francisco, um filme bem realizado sobre pessoas que qiuerem fazer sucesso, ontem eu editei u filme muito mal realizado de alguém que quer fazer arte. fiquei orgulhoso de ter uma amiga como a gisela. fiquei orgulhoso de participar de um prjeto dela. Tomei um vinho depois da edição. eu fiz um bom trabalho na edição, eu merecia um vinho. A Gisela, naquela noite, ela merecia todo o resto.
por O Anfitrião 2:14 AM
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[Sexta-feira, Setembro 9]
e tem um monte de gente falando do dois filhos de francisco, então eu acho que nem tem muito o que falar do assunto. o bressane postou um texto legal, que ja diz quase tudo, nem tem muito o que acressentar. leia lá, e é mais o9u menos por ai. acho que o mais importante mesmo é o lance de que uma das virtudes do filme é mostrar a trajetória de um sonho. o sonho d virar celebridade. o sonho de virar celeridade? isso lá é um sonho a ser respeitado! não so pela mediocridade do desejo em si. mas por que ser celebridade significa fazer parte de uma corte. ou seja, se tornar melhor que os outros, superior aos outros.
eu posso entender que alguém queria isso. mas é dificil entender como as pessoas respeitam que quer e consegue isso. acaso agiora a gente deve admirar alguém que quer ser melhor que os outros. acaso eu tenho de me sensibiliar com alguém que sempre quis ser melhor do que eu? por que, humildade de discruso a parte, fazer parte de uma corte de celebridasde é nada mais nada menos do que ser melhor que os outros. teho uma conhecida que sonha com isso. em ser modelo. em ser celebridade. em ser parte da corte. em ser melçhor que os outros por uma espécie de natureza coquistada, adquirida, não por um crescimento interno. mas talvez crescimento interno não eve mesmo ninguém a ser melhor que ninguém. pelo menos, não os que eu conheço.
entre as alegações para que o filme tenha uma razão de ser é que é um blocbuster tupiniquim, que deve levar as massas as salas de cinema. ora, se isso fosse verdade, eu tenho uma porposta beem melhor. faz a conta, são R$ 6 milhões. se a gente dividir essa quantia em notas de cinco, da 1 milhão e 200 mil notas. era beem melhor oferecer cinco reais para cada membro da massa brasileira ir ver um filme bom, qualquer filme de razoalvem qualidade. ia atrair muito, ms muito mais gente. e ia colaborar muito mais com a difusão do hábito de ir ao cinema.
enfim, deixemos que as pessoas engulam isso. e a gente vai se esquivando das merdas que sobram, diretamente, para o nosso lado. vale lembrar o episodio do ataque aos livreiros da augusta, na quarta.
por O Anfitrião 11:54 PM
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[Segunda-feira, Agosto 22]
- voce ama a sua mãe?
-amo
- e seu pai. voce ama seu pai?
-sim
por O Anfitrião 7:12 PM
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[Terça-feira, Agosto 16]
to escrevendo minhas memorias, em especial das garotas que eu (não) tive. essa é uma parte que eu to colocando nem tem a ver direto com isso.
"Eu usava aparelho extra oral, um arame que sai da boca e se fixa atrás da nuca e serve para pareecer que temos arreio d cavalo. Eu iusava para trabalhar na lojdsa, me sentia um imbecil com aquela merda. So fui uma vez com aquelio na escola. Por incrível qe pareça, por que eu quis.
Queria mostrar que não m,e importava. Queria nçao me importar mesmo. Queria provar não para eles, mas para mim, que não me importava. Eu seria ridicularizado do mesmo jeito, isso era inevitável. Eu era gordo, nerd, usava arreio de burro, e amava uma garota das ditas ¿populares¿. Eu era um nerd exemplar. A única coisa que eu podia fazer era não me importar. A unjica coisa que me restava. E que eu tive muito trabalho para aprender. Por que dói. Há dias que dói.
Não a falta de amor,. Não a falta de status. Não a falta daquilo que eles tem e voce não. Dói a falta de ar. Dói a pressão cosntante,. Ter de se desviar o dia todo de ataques idiotas e inuteis. Por que eu, um verme insignificante, tinha de chamar tanta atenção? Por que não podiam parar de prestar atenção em mim, em esperar algo de mim? Era impossível desviar o tempo todo. Impossível se livrar disso. Impossível corrresponder, e a única coisa possível era não se importar."
por O Anfitrião 1:48 AM
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[Quinta-feira, Agosto 4]
eu provavelmente sou o cara que, como publico, mais conhece o cemitério de automóveios. a fernanda garante que eu sou o mais antigo fão do grupo em são paulo. não duvido, na época em que eu descobri cemiterio de automoveis as plateias deles eram vazias. na primeira mostra, eu lembro de ter ido uma noite, além de uma pessoa desconhecida, eu, a julianne e a maíra, para a segunda apresentação de um crássico fudidaço, o efeito urtigão. na ultima mostra, os filhos da puta lotavam a jardel filho.
ok, os caras crescera. a época mais divertida do cemitério era quando eles tinham uma cede propria na bela vista, com um bar no terraço. as vezes eu aperecia so para beber e tentar trocar ideias com os caras. as vezes levava alguém e desencanava que estava no bar do grupo, era apenas um bar acolhedor, um troço intimista pra caralho. mas eu ia ver muita peça lá. muita. via muito teatro antigamente. hoje vejo pouco, e auando não vejo mais nada, ao menos o cemiterio eu vou ver.
o grupo mudou bastante, o miolo, o kernel, o jeitão do grupo é o mesmo, mas na ultima mostra deu pra sacar um lance de diferença muito grande no traalho deles. porra, a queima roupa na mesma mostra do homens santos e desertores? as pessoas são muito diferentes. claro, as duas tão dentro de uma coisa que a gente recoinhece comno sendo do cemiterio, mas da pra ver que mudou coisa pra caramba. eu gosto de todas as fases, fã é uma merda, mas sei lá se isso soa muito conservador, mas as vezes eu acho que curto mais um chevrolet, postcards, queima roupa. tem duas fodidaças que tão meio que no meio do caminho, eua cho, o felizes para sempre e o diario das crianças. aqueles bostas não montaram nenhuma delas na ultima mostra! fiquei puto, felizes para sempe as vezes eu acho que é uma peça que os caras negligenciam, é uma puta obra de arte....
das ultimas do mário eu gosto muito dsa frente fria. mas não gostei muuito da montagem que eu vi - so vi uma vez, quando ela estreou no espaço do grupo na bela vista. achei alguns atores meio ruins. alias, uma coisa que o grupo perdeu era o puta elenco que eles tinham até 1999, ou 98, acho. o pedro fiore e o joeli mandavam bem pra aralho, faziam uns papeis muito engraçados. e tinha a lenda, everton bortoti, que por mais que eu morra um completo derrotado, vou me lembrar que ue tenho de superior a maior pare dos outros homens o fato de ter visti tres vezes esse monstro em cena. algus viram bem mais. a grande maioria nunca viu! e quem viu sabe do que eu to falando. que não viu, nem adiantaria explicar.
mas o elenco atual ta ficando afiado. a primeira vez que e eu vi homens santos eu achei o gabriel meio fraco, sei lá. ai ele foi melhorando nas outras vezes. fez a frente fria, mais sei lá o que. ai o mario lançou a o que restou do sagrado, e o gabriel tava foda, inpecável, bem pra caralho. alias, eu gostei de todos os atores dessa peça, principalmente do gabriel e da fernanda (novidade!), mas eu não gosto dessa peça. quer dizer, eu acho o argumento bem legal, os personagens legais, mas sei lá, não gostei nem do jeito que o mario montou o texto, nem da direção que ele deu pro texto. achei muito gritado, todo mundo fazendo uma baderna em cena, não tinha a delicadeza do diário, a agressividasde do uma fabula podre, os diálogos locos do queima roupa, isso apesar do bom argumento, dos bons personagens.
mesmo assim fui ver duas vezes. tipo, não gostar de uma peça do cemiterio é como não gostar de um discos dos beatles. vc pode ate ouvir pouco, mas é melhor que a maior parte das coisa que se faz por ai.
das adaptações, a minha preferida é ou claviculas. isso por que tanto faz nem entra no pareo, puta unanimidade, com atores bem pra caralhos, um jeito pratico e lógico de contar a história do livro, muito engraçado. faroestes em seguida. queria que o mario adaptasse mais marçal aquino. eles tem umas coisas em comum no jeito de contar hiostórias e no jeirto de mostrar um mesmo tipo de personagem, que eu acho que da muito certo adaptações deles. ovelhas que voam não me chamou assim taaaanta atenção. mas tem uma trilha bem legal.
definir a melhor peça do mário é como definir o melhor disco dos beatles, um troço legal de fazer, desde que não se espere conclusão nenhuma. mas a que eu mais gostei de ter lido foi a lua é minha. li numa viagem de onibuis e metro de santana para santo amaro, em 1998, faz-se muito tempo. a melhor performence em cena geral foi uma apresentação do di´[ario na primeira mostra, absolutamente imepcável, com o eucir de souza absolutamente a vontade do papel que era do fiori. na boa, eu achei que nunca daria certo. ficou tão bom quanto, diferente, mas tão bom quanto. alias, esse cara manda bem no queima roupa, peça genial, caramba! uma das ultimas que eu li dos dois primeiros livros, o vermelho e o azul.
uma peça esquecida dos filhos da puta é o tempo de trégua, que os putos faz tempo que não apresentam. ela é engraçada e dramática na medida, embora o final eu achei um pouco "mal acabdo", todo o resto do texto é fantástico, cheio de sarcasmo, e com um tempo martelado para um discurso final arrasador.do velho personagem "garotão beat com mais de trinta". vi ela montada duas vezes, e uma leitura. minha versão preferida, sem duvida, a da leitura.
é foda. as vezes ue acho que a minha peça preferida deles é o diário. nmão que isso tenha alguma importancia, mas se eu tivesse de escolher uma ultima peça para assistir deles antes de morrer, eu sei que escolheria ela. ia cair fora feliz.
por O Anfitrião 1:48 AM
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[Domingo, Julho 31]
vc sabe que é um idiota quando compara a sua maturidade com a de uma criança de tres anos. e se sente aliviado ao constatar que uma criança de tres anos é menos madura do que vc.
por O Anfitrião 3:34 PM
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[Domingo, Julho 24]
o engraçado é que nem mesmo no Brasil, onde a policia pratica com certo aval de parcelas significativas da sociedade uma ação de extermínio, nem mesmo na nação do 111 do carandiru, dos casetetes na sola do pé em diadema, da chacina da candelária, nem mesmo nesse pais impune, eu nunca vi um governo tão condenssendente com uma ação violenta de uma policia despreparada. o mais engraçado é que foi a policia londrina, famosa por não ser violenta, que executou por total despreparo um inocente.
a culpa queima como o fogo do inferno. americanos e ingleses sabem que tem culpa no cartório, sabem que são assasinos que fazem vista grossa às ações militaresa de sesu paises e sabem que ninguém escapá impune. e estão apavorados diante da justiça quase divina que é a natureza humana. por mais que blair e bush tentem a todo custo negar a relaçõs dos atentados em seus paises com as ações de seus exércitos de mercenários, o povo sabe que tem culpa. e como um pecador angustiado, eles se destroem a si mesmos, devorados pelo fogo da culpa.
quem morreu não foi um brasileiro, foi um cidadão londrino, ja que londres é abarrotada de estrangeiros do mundo todo. e os londrinos sabem disso - e ai se incluem todos os londrinos não londrinos. batem palma para a autofagia, pois estão desesperados. talvez seja o anuncio do fim dos tempos. mas o mais provável e que seja mesmo uma continuidade da precária condição humana.
a saída talvez seja um tiro na nuca. ou uma garrafa de vinho. o que for mais barato.
Londres pós atentado, pela visão do Bosch

por O Anfitrião 5:25 PM
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[Terça-feira, Julho 19]
algumas coisas são sagradas para certas leituras. certos livros e autores, e certos personagens ou roteiristas de quadrinhos precisam ser lidos em situções adequadas. não consgio encarar samurai X, lobo solitário, demildos, charles bukowski, henry miller sem certas frescuras. tem de ser tarde, um horario em que eu me recuso a trabalhar, mesmo com serviços atrasados, e com a rua mais silenciosa. tem de ser na poltrona, com a cortina um pouco aberta. tem de ter a musica adequada. cada musica tem uma explicação, uma bobagem, mas que justifica. quase sempre jazz - especial em saurai X e bukowski (embora ele detestasse jazz), classico para henry miller e pedro juan guiterrez, rock n roll para X man, wolverine.
beatles acaba tocando um pouco em todas as leituras.
jornal eu prefiro ler na mesa, em um horario mais no meio do dia. jornal sai todos os dias, é chato dedicar um momento escolido do dia para algo que eu faço tofos os dias. eu folheio, voiu jogando no chão, e jogando fora o que eu ja li ou não me interessa. o caderno de informatica da folha é muito melhor do que o do estadão.
comer é bom, mas depois de ler. e ai voltar para elr putra coisa, ou escrever no blog. da no mesmo
por O Anfitrião 1:36 AM
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[Domingo, Julho 17]
e ontem a dani, a nova garota do zé, apareceu aqui de novo, para o de sempre. e ela começou uma conversa de mulheres com a patricia. ok, nos nos retiramos, e fomos jogar xadrez no tatame. sabiamos o nosso lugar, ele atras das brancas, eu atraz das pretas, ao lado do vinho. apanhei, me atrapalhei na saída. ja a dani se arapalhou nas entradas, num ta acostuada com bebida. e bebeu rapido uma garrafa de vinho com a patricia. e uma ficou cuidando da outra.
a maíra parecia alehia a tudo, concentrada no computador, nas imagens de um cara que ela quer tatuar, chamado kurt halsey. minha irmã tem um desenho do cara tatuado no braço. ela e o andré ficaram na deles também.
eu queria entender como um apartamento tão pequeno consegue comportar tantos ambientes, tanta gente a vontade, como se estivesse em casa. eu nunca faço sala, as vezes ue fico trabalhando quando tem visita aqui. ontem, enquanto a menina passava mal e o andré dormia, e o zé cuidava dela e a patricia ficava pulando atras de todos os assuntos ao mesmo tempo, eu tava conversando com a maira na cozinha, alheio a tudo isso.
ainda ha garrafas de vinho no armário. em umas cervejas escuras na geladeira. ainda hoje tudo isso pode se repetir.
por O Anfitrião 2:04 PM
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[Sábado, Julho 16]
ando lendo a coluna do paulo coelho da folha, ando lendo não, achei ela ontem, e tava lendo uns textos antigos. as vezes a gente tem certos preconceitos com certos autores. eu, por exemplo, sempre achei o paulo coelho um pessimo escritor, além de charlatão e um defensor de uma moral yuppie disfarçado. mas agora com essa coluna, eu percebo que as coisas não são bem assim.
ele nem sequer é escritor, escreve pior do que mues colegas escreviam redação no ginásio. seu discurso é canastrão, ridiculo, insustentável, medíocre e cheio de buracos. suas metaforas são rizíveis, e, principalmente, suas bobagens desrespeitam filosofias orientais e sabedorias ocidentais antigas, que deveriam ser levadas mais a sério, ao invés de ficarem sendo adaptadas de modo abrupto a uma visão rasa e suérficial dop mundo burgues.
enfim, deviamos seguir as tradiçoes antigas, assim como o paulo coelho mesmo recomenda, e queimarmos o bruxo em praça publica.
por O Anfitrião 5:55 PM
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[Sexta-feira, Julho 15]
ja estou a mais de quatro messes na torre. tenho bebido todas as noites, bebendo vinho, muito vinho. algumas marcas baratas de vinho argentino. alguns muito bons, mesmo saborosos. tenho comido em PFs no almoço, e jantado pão com manteiga e misto quente. tenho recebido visitas quase todos os dias. ainda me faz falta um mascote, uma gato, um cachorro de preferenfia, mas ok.
tenho trabalhado nos fins de semana e editado videos assistindo "eu, a patroa e as crianças", no SBT. assisto o chaves também. e gosto dos desenhos de super heróis que passam de manhã. no fim da tarde, começo da noite, eu costumo dar voltas por ai. vou no largo são francisco, na praça da sé, as vezes na liberdade. mas quase sempre estou no centro novo. na 7 de abril, na praça da biblioteca. gosto do americano da galeria metropole. gosto do cha do rei do mate da são joão.
as vezes eu vou durante o da na santa efigenia.
durante as noites eu releio o mangá do samuraiX. e alguns livros. to lendo o misto quente, do bukowski. leio muita HQ da Marvel também. as vezes ponho uns filmes para asstir, passar o tempo. alugo-os em DVD, e os copio. abro uma garrafa de vinho, as vezes algumas cervejas. a vista sempre tranquila de noite, a luz suave. ponho jazz na vitrola, as vezes musica clássica. a casda esta sempre chiea de gente, mas eu gosto quando não ha ninguém, ao menos ninguém acordado, e eu posso me concentrar na falta de luz do lado de fora, e no jazz, e nos gibis.
de dia, eu espero que a noite caia logo, para haver silencio, para eu sentar na poltrona e matar alguns livros e gibis, com jazz. de noite, eu espero que amanheça, e que eu continue dormindo ate a manhã avançar, e que depois possa dar voltas no centro, e ir na santa ifigenia, e assistir os desenhos.
eu quase sempre estou numa boa. mas as vezes tem uma coisa aqui dentro que doi como o diabo. e que uma noite, nem o centro novo ou a 7 de abril, nem os gibis, nem o vinho, nem os desenhos, nem os livros, nem os mistos quentes e cafés, uma noite eu não vou suportar nada disso, e vou me encher o saco, e talvez eu me encha de vez. por enquanto, eu vou confiando no jazz. não suporto a ideia de soluçoes definitivas, me cheiram a fórmula mágica,a enganação. vou tentando adiá-las, com um pouco mais de vinho, e mais uma pagina virada (deus, ainda restam bastantes na estante!)
vai chegar uma noite, eu acho. mas ela não tem pressa. ela vai decidir a hora certa, e eu vou estar esperando-a. por uma responsabilidade moral. ou qualquer outra coisa. mas ela sabe onde me encontrar. entre a poltrona e a geladeira. o pedaço de chão mais gasto da casa.
por O Anfitrião 12:45 AM
Entra e sai:
[Sábado, Julho 9]
as coisas começam a volar ao normal. e a pararem de dar certo. ainda bem, ja estava quase estranhando.
por O Anfitrião 12:10 PM
Entra e sai:
[Quinta-feira, Junho 30]
imagine um lugar construido poara as pessoas se divertirem e passarem muitas horas a vontade, convivendo com amigos e conhecendo pessoas novas. ouvindo musica, e bebericando drinks. imagine que esse lugar tenha uma musica barulhenta e repetitiva, não tenha lugares para se sentar, tão pouco um lugar adequando para quek quer dançar, poder dançar. as bebidas tem valores como R$5,00 a long neck. imagine que nesses lugares, o cara que poderia ser seu vizinho, aquele crioulo simpático que vc encontra no bar de manhã e e troca ideia enquanto ambos tomam café de coador, nesse lugar seja um crioulo invocado, quase um esteriótipo, e trabalhe como segurança, e esqueça toda a camaradagem por que "está trabalhando". e esse cara visivelmente seria capaz de pular no seu pescoço aquela hora, com o intuito de garantir o proprio emprego e impedir que vc de uma olhada na rua para respirar um ar menos puluido de fumaça de cigarro.
imagine que esse lugar cheio repleto de pessoas vazias e sem cultura, mas que entretanto gostam de posar de eruditos e "antenados", e pior que isso, acham que são melhores que os outros não so por terem contas abastadas, mas também por serem mais cultos que o segurança negro da porta desse lugar. por fim, imagine que se paga um valor alto para entrar, na verdade, R$ 35,00. so para o segurnaça negro deixar vc entrar.
pois é, meus amigos, eventualmente eu acabo caindo em lugares assim, e me lembrando de que eles existem, e aos montes. e que as pessoas gostam muito deles. e vão neles as vezes mais de uma vez por semana.
AmpGalaxy. teve show do lobão la dentro ontem, o show foi muito bom. a espera para ele começar foi bastante chata. foi mais que chata, mas não vou ficar com melindres para descrever aquela cretinice toda. o lugar não merece.
por O Anfitrião 1:17 PM
Entra e sai:
[Domingo, Junho 26]
sieber:

por O Anfitrião 5:03 PM
Entra e sai:
"VIDA LÔCA!!!!!!!!!!!!!!!! Sempre!!! Felicidade!!! Alegria!!! Curtição!!! AMizade!!! E nunca se esquecendo dos pequenos grandes momentos q fazem a diferença!!!!
Paz, amor, saúde, sexo, responsabilidade e alegria para todos!!!!!
Beijos e afagos!!!
Camila!!!!"
achei isso no fotolog de uma conhecida. tem coisa mais lugar comum do que isso? quer dizer, é tão inquestionável esses termos, tão difíl de apontar onde está o problema dessa frase, mas ao mesmo tempo, tão pouco visceral. quer dizer, nada visceral. mais ou menos um mundo meninas superpoderosas.
é tão fácil sabe ro que pensar, pensar o certo, ter bons conceitos. e nem é tão difícil realizar grande parte deles nas pratica, por algum, ou mesmo, muito tempo. mas eu prefiro a visceracidade dos infortunados. dos que fazem bosta. mas com honestidade.
as pessoas não costumam ter culhão para serem viscerais, verdadeiras, agirem com o estomago, com o fígado, com o coração. preferem o tempo todo algo bom, do que algo real. preferm o tempo todo o espetáculo. a segurança do lugar comum. a neutralidade das energias positivas. a capacidade de manter-se letárgico. o medo de fazer errado, e a vontade de acertar dessas pessoas é tão grande que elasa costumam pregar o amor e as coisas boas da vida o tempo todo, e quanto a gente não ta com saco para essa gosma saudável, elas ficam putas, querendo a todo custo te mostrar o quanto vc ta errado, o quanto vc devia estar feliz, o quanto elas são felizes.
o responsabilidade logo em seguida do sexo não me espanta em nada. uma nacora numa pseudo realidade, uma tentativa de provar uma imensa sobriedade num universo pseudo-louco. na verdade, costumam ser pessoas que não se permitem enloquecer. uma loucura contida e programada. sem nenhuma visceralidade. fachada, como comercial de sabonete.
eu não tenho de provar nada para ningué, e por isso não costumo sorrir o tempo todo, ou espalhar energia positiva, ou fazer divulgações da minha alegria e felicidade.
por O Anfitrião 4:45 PM
Entra e sai:
ha noites em que, apesar de tudo, parece que está tudo certo. que algumas coisas fazem sentido. a noites em que eu acho que tudo vai dar certo. ja está dando. tomara que continue assim.
por O Anfitrião 3:07 AM
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[Domingo, Junho 19]
escreveram um texto muito legal sobre mim num blog ai.não so pela parte que me toca, mas pela qualidade literária do texto. achei du caralho ser homenageado num texto tão beme scrito, independente do que disseram de mim. mas sei que a pessoa que escreveu não ia gostar que eu dissesse quem foi, então, vou respeitar isso. mas quem esta por dentro de algumas coisas vai sacar. o blog ta linkado ai do lado. quem estiver disposto a arriscar, não vai ser dificil achar não.
ja a patrícia de lata anda se sentindo arturo bandini. normal. a gente se sente assim pelo menos umas duas vezes por ano. as vezes, todos os dias. mas ele escreveu um texto bala sobre isso. e acaba fazendo uma citação a minha pessoa. vou reporduzir o texto aqui, ja que sei que ela não se importa. andei conversando com a patricia esses dias umas coisas sobre a minha infancia e adolescencia. e algumas coisas sobre os dias de hoje também. ai ela, que é arturo bandini, resolveu me encontrar em um cara também, fiquei lisongeado. segue o texto, mas confiram no blog dela.
"Sou Atrúro Bandini
Essa noite sou Artúro Bandini.
Não me resta nenhuma dúvida
sobre isso.
Saío do meu emprego de merda
Disculto com o imbecil do "chefe"
Saío do Itaim Bibi,
aquele bobagem, que é
aquele bairro.
Rúmo as ruas da cidade.
Porque,aqui é a cidade.
Fico a perambular pelas ruas escuras
e mal iluminadas aquela hora.
Lojas fechadas,pessoas correndo para seus lares
E Artúro Bandini,passeia pela Xavier de Toledo
Abarrotada de chocolates contrabandiados
Artúro Bandini,atravessa a Pça Ramos,decidido.
Até uma grande loja de departantos
Por sorte,ou azar,não se sabe,
a loja esta se fechando.
Artúro,caminha rumo a Bela vista
Atravessando viadultos,passarelas,e muios chocolantes contrabandiados.
Artúro,está com o seu Fante,embaixo do braço,satisfeitissímo.
Artúro vai a meia noite,no cinéma
acompanhado de Bukóviski e Miller.
Os tres,assistem um mexicano de humor negro
Muito emocionante.
O trio se desfáz,só as duas da manhã.
Artúro,esculta rock hool
Conversa com Bukoviski até as tres
e cai fóra,Bandini."
Patricia Barcelos
por O Anfitrião 12:47 PM
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[Sábado, Junho 18]
ah, e to linkando mais um blog ai. da juliane.
por O Anfitrião 10:14 AM
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to linkando ai do lado o blog da minha irmã. ela tinha um fotolog que não deu certo, e agora abriu um blog mesmo. ah, e aproveito para avisar aos desavisados que o zé voltou a postar, com bastante peridiocidade. confiram ai.
por O Anfitrião 10:12 AM
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[Sexta-feira, Junho 10]
acho que cheguei na minha versão definitiva. o DOS foi até a sua versão 6.2. eu devo estar num numero desses. sou o tche versão MX qualquer coisa. o resto é só atualização. uns services packs que a gente baixa para concertar os erros d segurança mais graves, e uma hora nem isso vai ter mais. o projeto é abandonado.
cheguei na minha versão definitiva, o nucleo, o kernel não muda mais. nem o hardware, que agora so se prepara para envelhecer e se desatualizar. o jeito é aprender a se virar com o equipamento disponível.
por O Anfitrião 10:02 PM
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[Sábado, Junho 4]
quando eu fui pra portugal pela ultima vez, eu voltei de lá com uma tremenda vontade de voltar para morar, na terra dos meus antepassados. é incrível estar em portugal. toda a vez que eu vou para lá, é a mesma coisa: nos primeiros dias, me sinto meio deslocado a toda aquela paisagem bucólica, aquelas pessoas ligadas ao campo, o sotaque. minha alma de rato urbano de capital de pais subdesenvolvido se sente fora de casa. no terceiro, quarto dia, essa lalma flameur ja está fora: ja me sinto integrado, como se aquele fosse, e sempre tivesse sido, a minha casa.
é claro que ate hoje eu so fui la para passear, enrão dá aquela impressão de que lá é um paraiso, mas eu ja fui viajar para poutros lugares também, e nenhum me encanta tanto quanto a terra dos meus antepassados.
no dia em que eu cheguie da ultima viagem a portugal, o pablo, o zé, e os caras todos tinham organizado uma festa numa casa que era do avô do pablo. a casa estava alugada, e acaba de ter sido desocupada, e lá eles organizaram a festa. o zé passou em casa, e me levou de carona, para que eu ficasse ao menos um pouco, eu tinha acabado de chegar, e estava na verdade a fim de dormir. mas eu fui. a casa tinha a frente voltada para a praça santo eduardo, e tinha uma sacada.
casa do conde, que era o senhor da aldeia da minha mãe, antes da república.
eu fiquei na sacada, lembrando de cada dia no além mar. lembrando do vinho, do queijo, da amizade dos de lá. nas casinhas de pedra da aldeia da minha mãe, do quintal da casa da dona licínia, do cheiro das coisas, eu fiquei lembrando que algumas horas atrás eu estava do outro lado do atlantico, e que eu me sentia outra pessoa, que ainda me sentia um pocuo assim, e que talvez ainda não tivesse chegado.
então eu reparei que todos os meus fantasmas havia sumido, não via mais nenhum. Portugal ia eliminando, dia a dia, cada um dos meus fantasmas.eu não me preocupava, lá, com quase nada que me tira o sono aqui.
três dias antes de ir para Portugal, eu fui numa psicóloga, eu estava escrevendo uma peça com um persogame psicólogo, e quis conversar com uma para sacar melhor como é uma sessão de análise: bem, ela ao invés de me dar uma entrevista, me fez uma consulta mesmo.
ela conclui, um momento: ¿voce quer ser especial!¿ na hora, aquilo fez muito sentido, mas, duas semanas depois, já não fazia. não é que ela estivesse equivocada: eu estava em Portugal. e lá, um camponês se sente especial, por que sabe que o seu vinho é o melhor. lá, definitivamente, eu não tinha a vontade de ser especial. eu queria ser prosaico, eu queria ser comum, eu queria ser um agricultor cuja grande alegria é beber seu próprio vinho.
eu estava naquela sacada, pensando em tudo isso, e em quanto eu tinha mudado naquela viajem. mas eu tava sacando que o sossego não ia durar, logo os fantasmas iam saber que eu estava pela área de novo, e iam voltar pra me encher o saco. todas as coisas que eu sabia que Portugal tinha afastado iam voltar aos poucos.
e dali da sacada eu pensei se deveria voltar a Portugal, morar lá um, dois anos, pelo menos. ou ficar por aqui, e apostar minhas fichas em São Paulo. lá, eu ia fugir dos meus fantasmas. aqui, eu ia ter de enfretá-los, e aprender a lidar com eles.
eu pensei mais vezes a respeito, mas a verdade é que na sacada mesmo eu já sabia o que eu queria, eu resolvi ser herói, resolvi fazer o mais difícil so para ser herói, como se eu ainda não tivesse sacado qual era a da lição de Portugal. eu resolvi ficar e enfrentar os fantasmas, como se ouvesse alguma glória em apnahra de si mesmo por anos e anos.
e aqui estou, pensando se fiz bem em resolver aquilo. e se não era hora de cair fora de vez. e torcer para qus os fatasmas não me encontrem...
as aldeias de pedra, onde moram homens e mulheres com coração de manteiga
por O Anfitrião 2:59 PM
Entra e sai:
Quando você for embora
tenho permanecido tranqüilo demais
confiando demais
em uma certa capacidade
de ficar indiferente
de manter um
nível aceitável de placidez
como se permanecer
patético
resolvesse alguma coisa
tenho confiado no piano do Monk
e no sax do Parker
como nunca
tenho marcado pontos de fuga
nos calçadões da cidade
tenho escondido fotos
em livros estratégicos
tenho reservado garrafas num armário
preciso ter o bastante de
tédio induzido
acumulado
para quando você for embora
quando você for embora
eu vou ficar sozinho
e não é isso que
me preocupa
por que eu não tenho problemas com
a solidão
eu sou acostumado
a ficar sozinho
quando estou bebendo, gosto de
estar sozinho
olhando pela janela
olhando as luzes
apagadas
a rua gelada
quando estou pela rua
pelos viadutos e pelos
cafés e botecos
estou absolutamente sozinho
quando você está aqui
eu estou sozinho
as vezes, acho
mais do que nunca
e as vezes
eu acho que
gosto disso
minha indiferença forçada
não é uma máscara patética
para disfarçar sentimentos
mas uma tentativa de sobreviver
a sentimentos que me apavoram
tenho anotado teorias que
não funcionam
e tenho descoberto
que as teorias não estão erradas
a gente oculta a parte que não quer
não revela todas as variáveis
e a teoria fica incompleta
induzida ao erro
eu sei que vão fazer falta
as partes em que eu
não estou
levando em conta
para formular meus
planos de fuga
e meu kit de
primeiros socorros
conheço demais os
meus fantasmas
o suficiente para ludibriá-los
por algum tempo
o suficiente
para me desinteressar deles
e me cansar de peitá-los
e começar a deixar
que eles entrem na sala
tomem a poltrona
bebam o meu vinho
e usem o telefone
meus fantasmas tiram sarro
da minha guarda aberta
do meu relaxo
e eu rio também
por que é verdade
é engraçado mesmo
se fosse com outro
com certeza eu riria
quando você for embora
eu sei que vou ficar
bastante triste
não por ficar sozinho
mas
por ficar sem você.
Tchê Costa
14/04/2005
por O Anfitrião 2:23 PM
Entra e sai:
a gente não pode mais nem comer o que quer...
por O Anfitrião 11:53 AM
Entra e sai:
[Quinta-feira, Maio 26]
Me concentro no vinho
Ela arruma fotos mal tiradas no álbum
Ela as vezes se comporta como uma criança
ela aprecia chaves e Didi e acho que não
se envergonhe disso
embora
ela costume fingir
que esta envergonhada com algumas
coisas banais
eu gosto de vê-la fingindo
vergonha
gosto de vê-la de pijamas pela sala
de vê-la se dormindo
e das suas histórias
delicadamente romanceadas
de vê-la reclamando de
coisas banais
e de pensar em nada
como se estivesse sozinho
ela olha as fotos e diz
que o problema de ser fotógrafa
é que a gente não aparece nas fotos
e eu olho para aqueles castanho claros
pilantras
que brincam comigo a tanto
tempo
que talvez enganem a todos nós
e talvez eles sejam os culpados
os safados
me encantando brincando com
minhas convicções, meus sentimentos
e minha dignidade
e ela não percebe nada
que eles dissimuladamente fazem
e penso
naqueles canalhas
tão encantadores
do outro lado da lente
e penso em lhe dizer:
¿você aparece no reflexo dos seus
olhos castanhos
pilantras¿
então penso
em quanto aquilo é idiota
e me concentro no vinho
novamente
Tchê Costa
26/05/2005
por O Anfitrião 2:10 AM
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[Segunda-feira, Maio 23]
eu sei que ando sem postar, e achei que isso valia a pena ser mostrado, aindsa que não seja algo que eu escrevi.

por O Anfitrião 11:43 PM
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[Sexta-feira, Maio 13]
eu vou escrever um filme para colocar no elenco o o maio ator que eu viu na vida, o everton bortoti, mais o mário botolotto e o black jack, aquele maluco d escola do rock. acho que nunca vai virar realizade.foda-se.
por O Anfitrião 1:53 AM
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[Sexta-feira, Maio 6]
Letra de uma musica do sérgio godinho
O primeiro dia
A princípio é simples anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebem-se as certezas num copo de vinho
vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que leva a peito
bebe-se come-se e alguém nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vem cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se um descanso por curto que seja
apagam-se as dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Sérgio Godinho
por O Anfitrião 5:20 PM
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[Sexta-feira, Abril 29]
um dia me contaram a história do muhhamed ali. depois, eu vi varias vezes suas lutas na TV. não sou fissurado em boxe, luto kung fu, embora esteja a um tempo sem treinar, e considero o boxe longe de ser uma arte marcial: algo como um esporte violento. mas gosto de assistir as lutas de vez em quando, gosto de ver bons lutadores leves dando golpes perfeitos, gosto de ver os peso pesados amassando a cara um dos outros.
principalmente, gosto de ver os caras se arrebentando e segurando a parada. por que não ha artista marcial mais resistente do que um pugilista: eles são os que mais aguentam porrada!
bem, e um dia me contaram a história do cassios clay, e eu fiquei emocionado. na época fazia sentido, para uma dessas batalhas internas que a gente de vez em quando entra. essa. no caso, dura até hoje. e ta no fim do próximo assalto. ja não digo mais nada da luta, por que eu sempre acho que ela ta pra acabar, e nunca acaba.
bem, o muhammed ali ja era um monstro quando perdeu do Frazer. em seguida, o frazer lutou contra o Foremam, e perdeu. mais do que isso, o foremam deu um ganho no Frazer que fez o sujeito levantar, tirou os pés dele da lona. tem idéia da força de um gancho para tirar um peso pesado do chão, fazer ele praticamente voar? bem, então marcaram a famosa luta do século, do ali com o foremam. e o ali sabia que o foremam era bem mais forte do que ele.
mas ele percebeu que o foremam cansava. e decidiu uma estratégia de luta. ele ia desviar e ser golpeado durante toda a luta. até o foremam cansar. cansar de bater. ai, ele levava o bruto pra lona.
e ele desviava de cada golpe do adversário. tomou alguns. sempre de pé. pulando. esnobando. durante toda a luta, ate que o adversário cansou. e ai, não foi dificil por ele no chão.
sei lá. to deixando o inimigo cansar a muito tempo. ele ainda da sinais de força. mas eu sou mais durão.
quando a gente pega alguém amior pela frente, tem de ser astuto, mas não só. não é o suficente. se a gente tem pela frente alguém que sabe bater melhor. a gente sabe que para ganhar, vai etr de aprender a apanhar.
No final vai ser assim. quem aguenta mais fica de pé. depois descansa.
por O Anfitrião 11:51 AM
Entra e sai:
[Quinta-feira, Abril 28]
quem jogou street figter em fliperama vai se lembrar disso: a versão piarat do jogo, cheia de twits e problemas. visto dessa forma, é ainda mais engraçado.
por O Anfitrião 11:32 AM
Entra e sai:
[Terça-feira, Abril 26]
eu lembro de um tempo que não tinha internet. e eu não sabia o que era isso. e acho que internet um troço muito legal.
por O Anfitrião 4:54 PM
Entra e sai:
[Segunda-feira, Abril 25]
to escrevendo umas coisas ai, meio que reunindo idéias e acho que isso é um trecho:
Nunca entendi a expressão "medo de amar". Nunca consegui, na verdade, compreender a que as pessoas se referem com medo de amar. Eu tenho um puta medo de amar, e não adianta, eu acabo amando do mesmo jeito. Amo objetos pequenos que me lembram coisas ou pessoas, e sofro eles quebram, e eu preferia não me apegar a xícaras e roupas velhas, ou embalagens de canetas, essas tranqueiras, mas eu me apego. Sou nostálgico pra caralho, preferia não ser. E me apaixono perdidamente por qualquer garota pela qual eu deveria apenas ficar a fim.
Eu não fico a fim de garotas. Eu me apaixono.
Nunca pela mais bonita e inconquistável. Eu me apaixono pelas garotas que se apresentam. Por isso as vezes duvido que eu seja um idealista romântico: eu não idealizo ninguém, eu so me apaixono por uma mulher quando eu sei quem ela é. Paixão a primeira vista é algo muito vaidoso, eu nunca sentiria isso, nunca senti. É amar a si mesmo. Eu me apaixono por quem se torna parte da minha vida, e não alguém em quem eu me espelho.
Eu sei disso, e tenho medo disso, e não deixo de me apaixonar assim, por que eu não tenho escolha. Aliás, sou obrigado a confessar que preferia ter sim, escolha.
Queria ser o tipo do cara fim que esconde os seus sentimentos, ou provavelmente nem os sinta tanto assim. Queria saber ter medo de amar a ponto de evitar o amor, ter dezenas de mulheres jogando isso na minha cara. Exigindo que eu deixasse de ser frio, e me tornasse mais espontâneo para que minhas relações dessem certo. Eu queria que as minhas relações não dessem certo! Por que ao menos eu teria algumas relações, ainda que no final não dessem certo. Eu teria ao menos o começo delas.
Mas eu não sou assim, não saberia se-lo nem por um dia. Posso voltar a fita em que o garrincha dribla um marcador por uma tarde inteira, mas nunca vou conseguir repetir num jogo. Por que não adianta ver, seria preciso entrar na cabeça dele, ver como é que ele faz aquilo de dentro, e então eu saberia executar fora.
por O Anfitrião 1:31 AM
Entra e sai:
[Sábado, Abril 23]
a patrília lançou um blog. passou a tarde do feriado fazendo ele, e acabou escolhendo um template infantil, da templates by marina. ela é assim. tem mais sobre ela, mas eu escrevo em breve. por enquanto, vão entrando no blog delá. chama-se "pergunte a noosfera"
por O Anfitrião 11:06 AM
Entra e sai:
[Segunda-feira, Abril 18]
meu avô passou uma semana na UTI espereando morrer. ele tava com cancer no estomago. ai, um ano antes, ele fez uma operação para tirar fora o tumor, e ganhou um pouco mais de seis messes de vida. se recuperou muito bem da operação, para um velho de 78 anos. foi para portugal, sem estomago. ele ia todo ano, passava lá uns tres messes, nunca quis sair para ir a europa, o negocio dele era ficar com os parentes e amigos, na terra dele. ele sabia que era a ultima viagem, e ele falava isso. "mesmo que eu dure ate o outro ano, duvido que esteja com saúde. vou lá com o resto de saude que eu tenho, se não não vou nem aproveitar nada". ele não era do tipo orgulhoso, que tem vergonha em ficar doente, mas não ia se deslocar para lá para dar trabalho para os outros, não poder dirigir.
mas ele não durou ate o outro verão (europeu), e morreu no verão daqui, em janeiro de 2000.
o cancer tinha voltado, em meados de novembro a saúde dele acabou. entre idas e voltas do hospítal, um médico do hospital modelo ofereceu a ele uma operação para reconstruir algumas coisas do recheio do velho. na sala de espera, ele explicou para minha mãe - que é enfermeira e sempre foi CDF, e não adianta medico tentar errola-lá - que a operação não era para o corpo dele - era para a moral. nem o médico nem ninguém tinha coragem de dizer ao velho "sr costa, agente podia fazer uma operação ai, mas se voce fizer ela morre, e se não fizer, morre do mesmo jeito". ninguém quer ouvir isso. e ele não queria.
fui me despedir dele no hospital como quem se desdepe de um condenado. apesar da saude debilitada por causa do cancer, ele estava amplamente lucido, podia se levantar da cama, ate arriscar uns passos. tinha tanta consciencia das coisas quanto eu ou voce. e sabia - so não ia admitir - mas sabia que ia morrer em alguns dias. e que aquela operação so ia adiantar as coisas.
todo mundo sabia que era a ultima vez que a gente via o velho vivo. e que ele via a gente.
na ocasião. trocamos piadas. eu tirei sarro da roupa de hospital dele. e ele riu, e disse que ia adotar de uniforme na loja dele. que hoje é do meu pai.
ele semopre riu de tudo de ruim que aconteceu com ele, de tudo.
quando era novo, morava em portugal, na época do Salazar. ele odiava o Salazar. e desconfiava do FHC. dizia que ele tinha pinta de ditador.
morava na quintão, perto de Coimbra, uma aldeia tradicional. o pai dele, meu bisavô, foi assassinado um pouco antes dele nascer pelo próprio sogro, que seria meu bisavô pela parte da mãe dele. a mãe dele, já com uns três filhos, resolveu nunca mais ver o pai.e, numa época de extrema pobreza em Portugal, eles eram os mais pobres.
meu vô passava fome constantemente, e trabalhava uma vez por ano no Alentejo, como semi escravo, onde além de passra fome e frio, ainda apanhava.
e ele contava isso rindo. rindo gostoso. f
teve, segundo agente acha hoje, uma crise de depressão com uns 30 anos. o padrinho lhe pagou um médico de Coimbra, que resolveu o problema sem prozac. meu vo achava que estava tuberculoso. um médico de cantanhede achava que ele estava com tuberculose. o médico lhe disse, que ¿se estavas com tuberculose, já não estás mais¿, e conversou com ele.
meu vô resolveu se casar, e vir para o Brasil. marcou casamento para a minha vó, uma mulher que bonita, so que muita enquencreira, que já estava chegando nos trinta e ainda não tinha se casado. dizem os que ainda estão vivos que era por que ninguém a queria, era muito geniosa.
meu vô se casou com ela de passagem comrada para o Brasil. mas não falou para ela. ela descobriu, e obrigou ele a levá-la junto, ainda qu ele não quisesse vir para o Brasil. mas tão pouco iria ficar recém casada sozinha na aldeia.
ela odiava o Brasil. sempre odiou. ele sempre gostou. aqui, ele deixou de ser pobre.
para ele que viveu a guerra na Europa de perto, e a miséria de Portugal, deixar de ser pobre era a coisa mais importante da vida. ele tinha orgulho da loja dele, dos imóveis que tinha comrpado.
não tinha luxo nenhum. andava com roupa velha, carro velho, nunca ia em restaurante. nada assim. esse tipo de velho que resolve nunca mais passar pelos perrengues da pobreza. eles não querem o luxo que o dinheiro compra. eles querem segurança de não ver voar tanto sofrimento para ganhar a vida, tanto sacrifício para deixar de ser pobre.
depois que ele foi operado, passou mais uns quatro dias na UTI. semi consciente. ali era o fim da linha. cada dia se aprofundava mais num coma, que depois virou morte mesmo.
num dos dias mais lúcidos dele, minha mãe que estava la visitando-o. ela era nora dele.
ele não sabia por que tinha tanta coisa espetada de agulhas nele, e queria tirá-las. então amarraram ele na maca. ele, que a dois dias atrás estava lúcido, e sabendo que ficaria assim ou morto em seguida.
amarraram ele na maca, e ele passou a entender menos ainda. ele dizia para minha mãe. ¿Lucia, eu sou um bom homem, eu não vou fazer nada a ninguém. não precisa me amarrar.¿
ele achava que estavam o prendendo por que quarenta anos atrás, no navio que vinha para o brasil, um imigrante da mesma região ofereceu a ele um anel, e disse que ele pagasse quando já estivesse trabalhando no Brasil. eles perderam o contato, e o anel nunca foi pago.
ele achava que era pelo anel o estavam o prendendo. desesperado, semi demente. acho que ele examinou a memória, e so lembrou de uma unica vez que tivesse feito algo que lhe valesse uma punição, uma prisão. e tudo o que achou foi um mal entendido, da qual estava disposto a pedir desculpas, e resolver.
não deve ter se lembrado de mais nada. na certa, era mesmo um bom homem.
por O Anfitrião 7:07 PM
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[Sexta-feira, Abril 15]
gosto da parte em que el afirma que o grito de guerra do wal-mart pode estar fora de moda. não se trata de moda. grito de guerra da empresa é ridiculo. é uma declaração de fraeyer, de panaca, de completo tolo. assim como aceitar seu rosto na parede como funcionário do mes. pior, do mc donalds. vesticar a camisa de uma empresa é uma tremenda babaquice.
por O Anfitrião 9:15 PM
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[Terça-feira, Abril 12]
isso é bem engraçadao. segundo a crença católica, santos são aqueles cuja alma subio aos céus, devido a vida devotada a Deus e a verdade cristã. uma vez ao lado do paim podem interceder pelos que ainda etsão na terra. porntanto, milagres são a prova de que a alma daquele que partiu está intercedendo pela humanidade. são nomeados santos aqueles que, após pesquisa sobre suas vidas, e provas de milagres, a igreja considera como certa a sua presença no céu.
nomear uma pessoa que morreu como santa significa reconhecer a sua presença no céu.
durante o funeral do Papa, a multidão gritava pela santificação do pontífice. e agora a igreja anda correndo para beatificá-lo, e torná-lo santo o mais rápido possível. isso devido a aclamação popular. ou seja, os cardeais estão considerando que o papa subio aos céues e intercede pela humanidade, devido aos pedidos do povo. sabe-se lá por onde anda a alma do carol. é como se o povo, no berro, tivesse garantido a presença do papa no céu.
a igreja católica é recheada dessas hipocrisias na sua prática cotidiana. pouco importa o quanto o povo grite, se o joão paulo II tiver pecado escondido, ele não está no céu. não importa o pedido popular. não adianta nomeá-lo santo, segundo a prórpia doutrina católica, antes de ter provas suficientes de que ele é santo.
a igreja católica se pensa universal, e é por isso que essas coisas acontece, eu acho. ela mistura uma cultura mística popular com uma ciencia teológica dita sofisticada. na prática, os cardeais acreditam numa coisa, os padres em outras, os bismps em mais uma, e cada fiel acredita no seu jeito. mas todos eles acham que acreditam na mesma coisa.
por O Anfitrião 5:03 PM
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[Segunda-feira, Abril 11]
não faço idéia
de quanto tempo
minha tristeza vai durar
sei que não é pouco tempo
sei que as
garrafas irão acabar antes
disso
por O Anfitrião 6:50 PM
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isso soa tão ridiculo quanro a proibição da maconha ou as leias que protegem a microsoft nos EUA.
por O Anfitrião 5:55 PM
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isso se chama eutanásia.
por O Anfitrião 5:45 PM
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[Terça-feira, Abril 5]
graças a microsoft podemos agora usufruir de um sistema operacional mais barato e bem pior, ao invés de um sistema gratuito e melhor. nada como genios como bill gates, que entendem as necessidades dos usuários de computadores e do avanço dsa informática como um todo.
por O Anfitrião 11:30 PM
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toda e qualuqer iniciativa que tente explicar, comprovar ou sustentar que os beatles são algo fora do comum e realmente espetacular é válida, e deve ser minimamente considerada.
por O Anfitrião 9:39 PM
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sabe quando vc se mete numa fria, sabe o tempo todo que ta se metendo numa fria, descobre que ta metido numa tremenda fria. e que não tem mais como sair dela. quer dizer, sabe quando vc se da conta que o tempo todo tava fazendo uma besteira, e uma hora a coisa fica clara, vc realmente fez besteira. o que mais me preocupa não é ter feito besteira, mas o de não ter me importado em nenhum momento, e continuado a não me importar. e saber que uma hora a coisa vai estourar. e ai eu vou realmente me importar.
até lá, foda-se.
por O Anfitrião 2:19 AM
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[Terça-feira, Março 29]
até que o sujeito se perde. eu nunca tinha pensado que leria um conto assim do Guiterrez. ele nunca deixou visivel que havia espaço para escolha. como se Havana não deixasse mesmo escolha. mas há, sempre ha,e ele fez algumas.
por O Anfitrião 12:04 AM
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[Sábado, Março 26]
ha dias em que pequenos milagres acontecem, e as vezes, acontecem com antecedencia e hora marcada. ontem a noite a gente apareceu na casa da mariana. o pablo levou uma infinidade de bifes, alguns caras pagaram cerveja. havia bastante gente, mas nem todos ficaram ate o fim. melhor, pois fez sobrar o verdadeiro motivo do nosso encontro.
nosso amigo alexandre "el choco" havia "pego emprestado" do sr. abilio diniz, duas garrafs de vinho do porto. uma ruby. e a outra, tão e simplesmente, um vintage de 1996. so tomei portos melhores em duas ou tres ocasiões, sempre em portugal. aqui, nunca havia degustado tamanha perfeição em vinho. carraspento, forte, apurado, mas ao mesmo tempo extremamente macio, na comparação com um ruby, a medida ficoi bem clara "é como comprar sonho de valsa com ferreiro rocher". por mais saboroso que seja um sonho de valsa, um ferreiro rocher é sempre um pequeno pedaço de Deus.
realizei um sonho antigo. alias, eu e o pablo realizamos. o de tomar um porre de vinho do porto. o de beber tanto porto que ainda ha porto na garrafa e nos não conseguiamos tomá-lo. ta certo que a gente ja estava calibrado de vinho branco barato e cerveja. mas o porre mesmo foi de porto.
nessa manhã, agora, so espero que as promessas de el choco sem cumpram. ele jura arranjar mais umas duas, para a gente tomar no 1014.
ah, e o evento, sem querer, acabou se transformando numa boa vindas do rubens, que desembarcou ontem do japão. depois de seis messes trabalhando por lá. veio com a mala cheia de fotos, e dezenas de histórias engraçadas.
por O Anfitrião 11:28 AM
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[Quarta-feira, Março 23]
O problema dessas coleções de musica clássica que a gente compra em pacotes fechados, é que a gente põe para tocar qualquer disco, e se encanta com a porra de uma musica. São mais de uma dúzia de discos no pacote, e algumas daquelas musicas eu me lembro de já ter ouvido em algum concerto no Municipal, ou naquela sala encantadora da Barra Funda, que já deve estar para fechar, ou então em algum filme, ou desenho animado, tipo o Pernalonga, o Pica-Pau.
Eu gosto muito de musica clássica, mas não conheço quase nada, eu apenas ouço, conheço um pouco, sei diferenciar os estilos ¿ romântica, clássica, barroca, e tenho preferência especial pela renascentista e medieval, nos os gregorianos, mais as danças e estampitas mesmo. Conheço as obras principais os autores mais famosos, e um pouco de alguns autores mais discretos, como as obras do Mursogski. So que essas caixas de vinis trazem um monte de obras de autores importantes, e eu apenas ponho o disco para tocar, eu ate olho a musica e o autor, mas geralmente esqueço o que li no minuto seguinte.
E então, enquanto eu pego café, ou abro o Henry Miller, aquela parte da musica me pega pela nuca, me faz pensar alto algo como um ¿nossa¿, nunca nada suficiente para interromper o que eu to fazendo, e ir olhar o disco que esta tocando de novo, e então guardar o nome do autor e da composição, nada disso, eu apenas penso ¿quando eu for trocar o disco, eu olho¿, mas então eu esqueço, ponho outro.
E nessas eu quero escolher um disco, e quero uma musica que ta na minha cabeça. Mas os discos são todos iguais, e eu não lembro, ou simpslesmente não sei, de quem era aquela canção que ta tocando no meu ouvido, ai eu começo a chutar, e colocar vários discos, e procurar o trecho em composições longas. Acabo colocando qualquer coisa, um dia eu encontro de novo aquela musica que tocava no pernalonga.
Tenho tido esse tipo de preocupação na vida. Além de grana, de onde tirar o do próximo condomínio. Além das crises existencias imbecis que me fazem ter de trocar ideia comigo mesmo por horas a fio, enquanto ouço essas musicas, essa péssima companhia, que fica jogando na cara uma porção de coisas imbecis, que fica dizendo, "ta vendo, seu pretencioso de merda, voce achou que ia mudar, achou que tinha mudado, que tinha ficado mais esperto e matreiro. voce achou que não seria mais enganado por mim. ta aí, fazendo as mesmas merdas de sempre." além de prestar atenção no que eu tenho a dizer e mim, e não devia, simplesmente não devia confiar no que uma pessoa como eu tem para me dizer, eu presto atenção e me convenço de que estou absolutamente certo, e que quase nada mudou, a não ser o fato de que o histórico de cagadas ta cada vez maior. isso me preocupa, e as vezes acho que não vou olhar o nome da musica para me manter ao menos com um problema ameno para pensar.
As vezes o vento bate, e fecha uma porta, e eu sei quer to sozinho no apartamento minúsculo, mas toda vez eu me assusto, então, por alguns segundo eu me preocupo sem tem mais alguém aqui, e como chegou, como entrou, mas não mais de por três ou quatro segundos, então, na verdade,entre as minhas maiores preocupações de hoje está mesmo em que musicas são aquelas que eu ouvi das coleções, e que eu não lembro que disco que era.
por O Anfitrião 12:42 PM
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esse foi o primeiro poema que eu escrevi falando do Criador. depois escrevi mais uma meia duzia, fora outras referencia.
A Visita de Deus
Outro dia Deus veio trocar uma idéia comigo
Eu ofereci a poltrona
Mas ele quis sentar-se no chão
Pediu um copo de café,
Bem quente,
E perguntou se poderia acender um cigarro
Eu trouxe o café
E pedi um cigarro
Deus estava com uma cara horrível
Ele confessou que não estava bem
E que queria conversar
Que estava indo a um analista
Mas que não estava resolvendo muito
Ele não quis falar o que ele tinha
Mas eu sabia que tinha a ver com alguma garota
Ele sabe que eu também não estou numa boa
E acho que é por isso que agente se entende
Mas eu tento não falar nada
Porque Deus é um cara muito ocupado
E eu não quero dar mais problemas para Ele
Deus começa a me contar tudo que Ele já fez
Pela humanidade
Ele fala de dilúvios, alianças, mares que se abrem
Milagres
Até o filho Ele conta que já mandou
Para ver se passava o recado direito
Eu fico pensando quem pode ser a garota que está acabando com Deus
Enquanto Ele acende mais um cigarro
Deus fala que está achando que o problema é com Ele
Mas Ele não está se sentindo complexado nem nada
Esse lance, Deus garante que está levando numa boa
O grilo é que Deus me conta
Que acha que devia fazer alguma coisa agora
Mas não está com a mínima vontade
Esta meio de saco cheio
Ele diz que acha que só fez merda
Até agora
E que preferia, ao invés de ter feito o
Mundo
Do jeito que ele é
Ter feito somente um grande lago
Para poder pescar numa boa
Mas que nem isso, agora, Ele está a fim de mudar
Pergunto se tem alguma coisa a ver com o trato que
Ele
Fez com a gente depois do dilúvio
Mas Deus mau se lembra que trato foi esse
Eu sei que Ele anda bebendo demais
Que tem um monte de títulos em protesto
E não anda se alimentando regularmente
Nunca esteve tão
Solitário
Tem passado as noites ouvindo
Milles Davis & David Brubeck
E a meses não escreve um poema decente
Dá um silêncio, e Deus muda de assunto
Fala dos velhos tempos
Da época em que acompanhava o seu povo
Passo a passo
Lembra do Jonas, que não queria
Ir pregar em Nínive
E acabou sendo levado na barriga de um peixe
E na sorte do Davi
Em acertar uma pedrada bem na testa do Golias
E na sacanagem que o José
Fez
Antes de contar aos irmãos em quem o caçula da casa de Israel
Tinha de tornado
Ele riu um pouco
E depois deu um suspiro
Dizendo que estava cansado
E afim de se mandar
Ele fumou um último cigarro
E depois caiu fora
Mas não deve demorar para voltar
21/11/2001
Tchê Costa
por O Anfitrião 12:25 PM
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[Sábado, Março 19]
e hj tive uma boa peleja. eu e um inimogo que eu arranjei essa semana. um sujo, desleal e perigodso pentium 233 MMX. uma máquina de chateações, de um cliente que o TT Boy, safadamente, arranjou para mim. uma maquina velha, com uma instalação do win98 feita a mais tempo do que a minha formatura no jardim da infancia. um velho PC, com cerca de 522 virus diferentes. cheio de armadilhas deixadas por sites de pornografia barata. rastros de uma devassidão inofensiva, a não ser ao sistema. enfim, uma pedreira!
comecei a lutar contra esse singelo MMX na segunda, fiz um mnte de rolos com o cara, e resolvo por fim levar a maquina para casa, e peguei ela pelos chifres essa tarde! um monte de dispositivos antigos, que nenhum fabricante deixa mais os drives disponiveis na internet. uma maquina lenta, que demora para carregar, que usa memória EDO. ela tentou me enganar a tarde inteira, mas fui mais esperto do que ela.
cada vez que eu resolvia uma coisa aparecia um problema novo. eu tinha a placa de video original, uma S3986 PCI. não achava driver para ela. espetei uma Tridente ISA. sem driver também. pior, a imagem, em 16 cores, dançava como se estivesse embaixo d´agua. pus uma cyrrus. ambas de 1 mega. no drivers for me, babe. desesperadamente, me cadastrei num site duvidoso de fornecimento de drivers. o registro demorou quase uma hora. consegui o driver para a S3.
chegando na casa do cliente, desesperado para testar minha criação, a internet do cara tava fora do ar! mancada da speedy. para mostrar boa vontade, e deixar claro que a culpa não era minha de o micro não receber internet, fiquei mais uns 40 minutos com os malas da telefonica, tentando marcar uma visita do tecnico.
por fim, sai de lá me sentindo um vencedor! me senti como Kasparov vendendo o Deep Blue. homem X maquina. a fera domada. o disco formatado e reeducado. e a diversão de uma tarde tensa, lidando com uma coisa que jamais imaginava, ate tres anos tras, que eu gostaria de fazer, e gostaria de me irritar fazendo. alias, acho que a gente se da conta de que ta gostando de uma coisa queando aquela coisa começa a encher, mas vc não consegue parar de fazer.
por O Anfitrião 10:40 PM
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[Quinta-feira, Março 17]
ah, e to ouvindo premeditando o breque.
por O Anfitrião 2:24 AM
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bem, aqui estou, desse lado do teclado nada é mais igula. acordo de manhã. faço café. ligo a máquina, bate punheta. cago e abro um pacote de bolachas. perco menos tempo entre a cozinha, o banheiro e o micro. não tenho mais nickelodeon, doug, ginger, bob esponja, e todos os meus desenhos prefeidos. não tenho mais uma dispensa de onde não sei de onde vieram certos generos alimenticios integrias ou lights. sei quanto custou cada item da merda da minha dispensa.
e tenho a vista da porra da minha cidade ao lado esquerdo. olhei para ela agora. a cidade é mesmo uma garota bem safada. ta sempre me atentando com uma lascividade barata.
alias, hj passei a manhã num dos meus lugares preferidos a cidade. a santa efigenia. ali na rua dos andradas, onde eles vendem um monte de merda velha ( "vc tem memória velha?" "velkha quanto" memória DIM?" "dim não. tenho EDO" "porra, pedi memória velha. não fósseis dos primeiros nerds") lá tem uma das coisas que mais sintetizam a cidade. as putas da rua dos andradas. são velhas, feias e com cara de saco cheio. voc passa com a sacola cheia de placas e periféricos, etc. ta olhando uma vitrine. ela ta no hotel ao lado. pensa que vc ta olhando para ela. ela fala "ai, boy, vamo fazer amor gostoso". porra! eu só quero um café aquela hora. e um pão de batata. o olho para aquela quase senhora se oferecendo. antiga como uma SIS 5565. e fico com o pau duro!
isso é a cidade. uma puta velha e feia. mas sabe a hora de exitar um cara.
eu geralmente sorrio e caio fora. placas e putas não se misturam. são encaixes e barramentos muitos distintos. algo como colocar um 365 num K6. mas não deixam de ter ambos sua sensualidade.
computadores são como garotas. se vc fica muito grilado e atencioso, elas passam a te dar muita dor de cabeça, sugar seu sangue. mas se vc for desatento demais, se apenas quiser se aproveitar de suas peças e não for atencioso o suficiente, vc não tem chance. como a uma boa mulher, computadores merecem atenção e interesse.
na verdade, isso tudo é uma grande merda. não entendo de computadores tanto assim, e menos ainda de mulheres. apenas vou tentando acertar o barramento e encaixar o slot PCI.
to bebendo Porto. que eu trouxe de Portugal. a cidade ta mandando lembranças para vcs que tão lendo. ela ta sempre por aqui, espiando o que eu escrevo. e eu não sei dizer não a ela.
eu poderia enumerar umas cinco pessoas que me lembram a cidade. mas apenas no caso de uma seria verdade.
por O Anfitrião 2:15 AM
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[Sexta-feira, Março 11]
hoje é meu ultimo dia de vila guilherme. meus moveis chegaram ontem, e agora estou para desmontar esse micro daqui. a gardel e associados não irá mais operar do fundo da casa dos meus pais.
para quem ta lendo esse blog, isso nãoi muda nada. daqui a algumas horas, mais tardar amanhã ou domingo a noite, eu vou estar postando de volta. falando da chegada. mas, daqui desse lado da tela, da parte de cima do teclado, é como uma jornada. eu to caindo fora, e lógico que eu queria dizer que isso é muito legal, maior barato, curtição e talz, por que é. mas eu to ansioso. não, ansioso é uma palavra amena, eu to meio emocionado mesmo. agora é por minha conta. eu sempre contei comigo para me virar. eu sempre soube que eu ia fazer por minha conta, do meu jeito, e ia fazer bonito. agora eu tenho de fazer, porra
não é medo de não dar certo. não é medo de dar tudo errado, de eu ter problemas, de eu ficar sem grana, ou medo de ficar sozinho. não é nada paupável assim. se não, seria fácil pra caramba resolver. mas não é.
to emocionado de estar saidno de casa, to vendo os vinte e quatro anos que passei aqui passando na minha frente, to levando minhas coisas todas pra casa e lembrando das coisas que eu fiz, das épocas e talz. to emocionado de mudar de vida, eu me emociono com essas coisas. não sei explicar o que é. acho que é coisa de ibérico mesmo, se bem que parace que os italianossão meio assim também, então deve ser coisa de europeu latino mesmo.
eu to ansioso de desmontar esse computador, e eu não quero parar de escrever aqui, por que ai eu vou desligar a maquina e tirar ela daqui, e ai esse espaço vai ficar vazio. eu acordava de manhã, fazia café, ligava a TV no canal de desenho animado, e começava a trabalhar. as vezes eu parava para bater uma punheta. eu tinha uma rotina, e me divertia com ela. eu trabalhava nesse canto da casa, sozinho, por que ninguém tava por aqui de manhã, eu não tinha chefe, e gostava de ver os meus desenhos, daqui do fundo da casa, com o ventilador ligado.
todas as coisas que eu lembro tão associadas a essa casa. cada canto me lembra uma porrada de coisas. eu não consigo disassociar as coisas, os lugares, da vida. para mim as coisas tão ligadas demais. eu olho hoje para os comodos da casa e me lembro de como eles eram, da minha vó andando por eles, do meu avo sentado na mesa, da minha tia morando aqui quando eu era pequeno. das festas que eu fiz aqui. dos churrascos e bailinhos. minha vida sempre foi essa casa, e eu vou continuar do zero.
não é que é ruim. não é que eu to com medo. eu to emocionado. de deixar uma porrada de coisas para trás. de me pensar me associando com outro bairro. me sentindo morador de outro quarteirão. de ter de perguntar para alguém coisas da vila. de deixar as minhas gatas. de deixar os meus pais.
eu vou fazer tudo isso agora, so que vai ser melhor, eu vou estar no meu apartamento! mas saudade é uma coisa estranha. não é que eu vou sentir falta. acho que não. mas com certeza eu vou sentir saudades. que é uma espécie de nostalgia. uma coisa sentimental. uma sensação de vazio quando algo acaba. em mim sempre dá esse puta vazio.
entre esse e o proximo post, eu vou estar mudando os equipamentos todos. e montando tudo lá. na próxima vez qeu eu postar, o lado de cá não será mais o mesmo.
vou sentir saudades.
por O Anfitrião 6:42 PM
Entra e sai:
[Sexta-feira, Março 4]
me enchi o saco de levar o orkut a sério, ou tentar. agora, so entro nas comunidades de sacanagem.
por O Anfitrião 3:10 PM
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[Domingo, Fevereiro 27]
Os fantasmas se divertem as minhas custas
os fantasmas se divertem
as minhas custas
eu tento não me importar
eu tento entender
por que eles fazem isso
eu já debochei dos meus fantasmas
eu já ri deles
eu já abri garrafas de vinho
em homenagem a eles
enquanto eles
estavam do lado de fora
tocando a campainha
eu nunca deixei nada
na porta
capaz de espantar os fantasmas
alhos ou cruzes
eu achava que metia medo neles
ou que eles
haviam perdido meu
endereço
eu costumava
me dar bem com os fantasmas
gostava de andar com eles
pelas ruas, de madrugada
pelos bares e casas estranhas
um dia eu comecei
a me cansar da companhia deles
experimentei sair escondido
e as vezes mentia
dizendo que tinha ligado e
não encontrado ninguém
depois eles pararam
de esperar qualquer cosia de mim
e eu pensei que eles tinham,
caído fora
fiz piada deles
e eles não gostaram
mas achava que os conhecia bem
e que podia mantê-los a distância
como tudo
que é perigoso
depois que a gente aprende a lidar um pouco
perde o cuidado
e com os fantasmas foi assim
eu perdi
o respeito
e deixei de tomar
os devidos cuidados
mas são matreiros os fantasmas
eles sabem a hora da abordagem
e sabem não serem
agressivos
eles me encontra no bar
e não deixam que eu vire a cara
eles me param na rua
com uma conversa enfadonha
sobre os velhos tempos
e sobre a nossa amizade
como se houvesse
algo de bom
e se conviver com fantasmas
eles quase nos convencem
a lhes dar uma segunda chance
depois, de uma forma pouco polida
mas sem serem grosseiros
entram na sua casa
e começa tudo de novo
hoje eles sobem
e se servem de vinho
mexem nas coisa
e deixam os livros
e as revistas
fora de lugar
os fantasmas não
costumam
perdoar
quem não tem respeito por eles
eles fazem questão
de serem desagradáveis
e ficar nos lembrando
de como duvidamos
que eles estariam em nossa casa de novo
eu não duvido de nada dos
fantasmas
eles podem sair a qualquer momento
e me deixar em paz
por algumas semanas
ou messes, mas
hoje
eles não tão com jeito
de que
querem ir embora cedo
Tchê Costa
26/01/2005
por O Anfitrião 1:29 PM
Entra e sai:
[Sexta-feira, Fevereiro 18]
soa como um retrocesso, mas eu tinha de fazer isso. to voltando a assistir aulas na PUC. como ouvinte. sou ciente da zona que é a PUC, não ha controle nenhum de quem entra e sai da faculdade, graças a Deus. então, um professor muito amigo meu, o silvio mieli, me disse que tinha montado uma optativa de midiativismo nova, e eu me convidei para assisti-la. tenho pretensões de voltar a academia, de repente fazer mestrado, essas coisa, continuar lendo esses filósofos doidos da comunicação, estudar nietchze, foucault, esses caras. conviver com gente como o jorge rafael, professor chileno que eu tive, fantástico, o esteriótipo do filósofo niilista, cisudo, descrente, cheio de observações cruéis sobre a realidade, mas com uma espécie de brilho escondido no olhar, uma esperança que de certa forma resiste atrás dos óculos de armação bem grossa...
bem, essa manhã eu fui lá, e conheci a anelise, que ta a fim de fazer uns filmes com a gardel & associados. ela fez um video maneiro, sobre o punk feminino e talz. a gente deve reeditar o filme, vamos ver se dá certo... ela me convidou para assisitr a segunda aula dela, uma optativa de video. gostei, bem maneira, e a professora deixou eu ficar. devo fazer duas aulas na PUC esse semestre, sempre de sexta de manhã. sem matricula, pagamentos ou responsabilidades com trabalhos. apenas a diversão de aprender.
por O Anfitrião 1:03 PM
Entra e sai:
[Quinta-feira, Fevereiro 17]
arnaldo

por O Anfitrião 11:33 AM
Entra e sai:
[Quarta-feira, Fevereiro 16]
a onda dos blogs foi definitivamente substituida pelo barato dos flogs, fotologs e blogs de fotos. não é difícil entender por que. os blogs e fotologs são espaços de livres de divulgação autoral, e ambos são igualmente interessantes, a principio. mas, mesmo a mais tapada patricinha, precisa se expor ao escrever um blog. escrever é se expor, mesmo para quem esconde o que sente ou pensa quando escreve. além disso, se espera que algo esteja bem escrito, ou com estilo, e pensar como escrever o que se quer da trabalho. e então, o autor fica sujeio a crticias. é inevitável.
fotologs são mais simples. a maior parte dos fotologs são de pessoas que ja tiveram blogs, e descobriram que continuma a fim de aparecer na NET. mas se intimidaram com a ideia de continuaram a se expor nos textos. inevitavelmente, todo o texto traz reflexões e idéias. e aí, todos os leitores começam a conhecer mais do autor, do que ele pensa. a foto diz menos, nesse sentido. é a pessoa, com os amigos, num luhar expecífico, fazendo caretas. todas iguasi, não ha diferença entre achar essa gente na rua ou em seus fotologs. nada se sabe delas, na verdade.
os blogs tiveram um impacto muito grande no seu auge, a um e dois anos atrás. pessoas que nunca pensaram em escrever começaram a contar suas vidas e pensar sobre o mundo. um puta exercício. era possível ver gente medíocre se tornando pessoas melhores ao longo dos posts, pelo simples exercício de ter de pensar ara escrever. claro, nãoi abundava isso. essa cobrança natural, alias, é o que eu penso que fez as pessoas irem desistindo de escrever em seus blogs - além da preguiça, falta de tempo e falta de interesse ou gosto por escrever mesmo. o cidadão em dois anos de blog viu que não evoluia nada, perdeu mesmo seus leitores que são seus amigos, nem ele conseguia olhar para seu blog. leiam o obtuário de vários blogs. ta cheio de coisa assim "acho que esse é o ultimo post, to de saco cheio desse blog, não aguento mais olhar para isso".
os blogs forçavam essas mudanças, e neguinho não comprou, a maior parte arregou mesmo. alguns não fizeram mais nada, e aparentemente são os que não curtiram a viagem da net. mas alguns figuras resolveram migrar para os fotologs. e ai colocam suas fotos que não dizem nada, ou dizem no máximo tanto quanto seus textos covardes, medrosos e dissimulados. mas a foto é mais imparcial, ou melhor, mas inquestinável. trata-se do fucinho do sujeito, não ha muito o que se discutir em termos de "quem é essa pessoa"
não quero tirar, de modo algum, o poder comunicativo da imagem. a foto tem o mesmo poder de comunicação que o texto, mas as pessoas esperam mais do texto do que da foto, acho, e por isso não questionam as fotos dos fotologs. ou ao menos o autor não se questiona nas suas imagens. claro que existem fotologs em que o autor se expõe, quero dizer, em que ele tenta comunicar uma série de coisas nas suas fotos, seja seus retratos, seja as fotos de si mesmos. ai do lado tem alguns, a maíra e a carol tem grandes fotologs nesse sentido. mas elas também tem bons blogs, em que elas se expõem sem medos e receizonhos.
a maior parte dos fotologs repete mesmo as intenções dos blogs que estão sumindo: algum cretino que coloca a fuça dele na tela. mas com o anteparo da autoria disfarçada. por que embora o dono do fotolog seja seu autor, as vezes ele enche de fotos dele, que sequer ele que bateu as fotos! o que ha dele ali? na verdade, muito. mais do que o autor imagina. mas aprenta bem pouco. apenas mais um focinho. e umas fotos dos amigos.
fotologs são ótimos lugares para se esconder. não que tenham nascido com essa vocação. mas fotologs são bons e seguros refúgios.
por O Anfitrião 11:10 AM
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[Sábado, Fevereiro 12]
texto lindo, preciso, delicado e levemente cruel da fernanda sem gelo. não é que eu concorde ou não com ela. é que eu nunca tinha pensado na coisa desse jeito. vou pensar essa semana, depois eu falo. se concordo, e com o que.
ARTHUR MILLER, MY DEAR FRIEND
Chove e o Arthur Miller morreu aos 89 anos.
Todo mundo sabe que foi casado com Marylin Monroe e que ela vivia em baixa. Ele foi também grande amigo dela.
Coisa difícil. O cara amar e ser um grande amigo de uma mina como ela. Meter-lhe a mão na goela e arrancar de lá o que for preciso.
Os homens gostam mesmo é de homens. É evidente que não há aqui conotação homossexual, mas uma deliberada predileção pelo que eles consideram seu igual. Acho normal.
Em verdade não os considero confiáveis, como a maioria das mulheres, que adora dizer que só tem ¿amigo homem¿. Não acho que a amizade masculina seja assim essa coisa linda quando você é uma mina. Eles apenas nos toleram, nos acham chatas e falsas.
E simplesmente não acreditam que você valha meia hora de papo. Ficam entediados ao nosso lado e estou certa em afirmar que mantêm conosco uma amizade que beira a compaixão.
Além de preferirem os homens, eles preferem a si mesmos e isso é a coisa mais comum do mundo. Posam de solitários e isso é um glamorzinho antigo que eles praticam. Sabem que mulheres gostam de homens solitários na mesma proporção que os caras gostam de mulheres casadas.
Os homens não devem inspirar confiança, porque eles, de verdade, estão cagando pra você.
Os homens não têm tempo, não têm saco e não têm a menor obrigação de serem amigos das mulheres.
Sei que pareço machista, mas convivo com muitos amigos homens e sei que eles só esperam que eu não os atrapalhe e não espere nada deles. Talvez à noite você tenha que enfiar seu dedo na própria goela, passar mal sozinha e respirar compassadamente até pegar no sono. É totalmente possível e bem mais comum do que parece.
É sabido que a separação de Arthur Miller e Marilyn Monroe doeu por muito tempo. Arthur Miller ainda admitiria isso muitos anos depois. Ele tinha por ela grande amor e afeição. E ela era toda complicada. O que não ajudava em nada.
Além do amor, Marilyn teve a amizade de Arthur Miller, mas não era bem assim.
Marilyn não era um homem. E isso todo mundo também sabe.
Amor e amizade não se parecem porque no primeiro você pode dar uma enganada, mas quando se é amigo, não se pode deixar neguinho na mão. E nesse caso, é melhor não se meter com mulheres. Elas que se fodam
alias, a fernanda escreve bem pra caramba, quando quer. gosto desse jeito dela de escrever com frases curtas.
por O Anfitrião 11:36 AM
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[Terça-feira, Fevereiro 8]
esses caras estão tomando bomba ate o cu fazer bico, mas ta todo mundo tirando o seu da reta, dando uma de joão sem braço. ate a FIFA. nunca morreu tanta gente em campo, e a coisa so deve piorar. claro, a gente podia esperar que os jogadores tomassem uma atitude, e isso seria uma perspectiva bem marxista. e bem ingenua também. o mais provável é que os caras continuem morrendo, é muita grana rolando para alguém arricar o seu. as pessoas trocam tranquilamete a vida por dinheiro. e isso não é materialismo, uma vez que não se vive pelos bens materiais. é umas espécie de religião mesmo, uma inversão de coisas. um objeto material elevadop ao posto de metafísica. o sucesso e a grana, coisas que Fausto consideraria riquezas materias, e proprias a se pedir ao diabo, hoje são pedidas a Deus.
por O Anfitrião 12:55 PM
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ando de saco cheio das besteiras que a imprenssa tem publicado a respeito dos blogs de meninas com TA (transtorno alimentar, bulimia e anorexia, etc). de longe não conheço a questão a fundo, mas tenho certeza que sei bem mais que esses reporteres medíocres que escrevem sobre isso como se isso se tratasse apenas de uma questão de saúde publica. é tão mais do que isso! é uma coisa cultura, social, que merece ser trabalhada com sociólogos mais do que com nutricionistas. quero escrever algo maior aqui nesse blog, para me aprofundar no assunto, em breve, mas deixo aqui duas bombas para aqueles que simplificam o assunto. esse blog sempre me impressionou pelo nivel do TA dessa menina, mas ao mesmo tempo uma imensa lucidez. algo que assutaria esse jornalistas que pensam que sabem de tudo, e deixariam confusos os profissionais da saúde que tem respostas científicas para tudo.
quero colocar também esse poema de uma tal de nathy, não sei mais se ela tem blog, perdi o endereço dela. se a autora se reconhecer, favor se manifestar.
Versos Cândidos
Menina-poema
Das pernas abertas
Da vulva indiscreta
Da cara vazia
Os braços fininhos
A boca entreaberta
Olhos que dormem
Na fome do dia
Medo do escuro
Da sede e da morte
Cândida chora
Se a pipa não voa
Menina-trovão
Vagabunda e vadia
O carinho na cara
Pra dar outro dia
As roupas sujinhas
De lama e esperma
A rua cansada
Do sangue da vida
por O Anfitrião 12:33 PM
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[Segunda-feira, Fevereiro 7]
puta trampo pintar o 1014! acabamos de pintar tudo hoje, embora ainda falte um monte de coisas para fazer. arrumar tudo, tirar os protetores do chão, remontar a cozinha. limpar os vidros. mas ja esta tudo pintado, foi-se aquela cor de casa de velho que ocupava as minhas paredes. agora temos uma cor suave e clara que a suvinil chama de pérola. nas paredes e armario, o esmalte sintetico que a corla chama de branco super branco super brilho. adoro nomes de tintas, são bastante criativos. gostaria de trabalhar nisso. "qual a sua profissão?" "eu dou nome às tintas. o engenheiro cria um novo pigmento e eu batizo com algum nome cretino".
é tanta especificação e nome diferente que a gente acaba fazendo merda na hora de comprar as latas. o esmalte acabou e eu fui comprar mais, mas mesmo com as especificações da lata todas anotadas, faltava dados para saber se a lata era da mesma cor da que a gente ja havia pintado um monte de coisas. e não pode misturar.
de qualquer forma, o serviço foi terminado to quebrado. amanha comemoro meu aniversário com os vagabundos aqui na vila guilherme, e o resto da semana eu vou terminando o que falta para deixar o 1014 nos trinques.
por O Anfitrião 10:04 PM
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[Sexta-feira, Fevereiro 4]
e ontem assisti de novo edukators. fui com a patricia. no final do filme, ela comentou "entendi por que voce quis ver esse filme de novo". é por que é muito bom mesmo. depois, imendamos em um vinho argentino de 6 reais no 1014, que esta uma zona, com papelão no chão, as coisas embrulhadas. mas sempre sobra um canto para tomar um vinho, e falar mal dos outros.
por O Anfitrião 10:55 AM
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e o que voce vai fazer nesse carnaval? bem, eu vou pintar o meu 1014. as latas de tinta ja estão lá. as escadas também. os rolos e pincés - lá não tem broxa.faltam umas garrafas de vinho, e uma de wiskie, a de conhaque ja está lá também. e o chão ja esta coberto de papelão ondulado. hoje eu vou comprar uma mesa, por que sei que essas coisas demoram para entregar.
enfim, em breve, muito em breve, a gardel e associados irá operar a partir do 1014. o lar dos vagabundos.
por O Anfitrião 10:46 AM
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[Terça-feira, Fevereiro 1]
a algum tempo descobri uma coisa que eu preciso dividir com os leitores desse blog: um vinho saborosissimo, por apenas R$ 7,00!!! sim meus amigos, um vinho melhor do que almadém (que na melhor das hipóteses pode ser considerado um vinagre tomável), com preço de chateu duvalier. trata-se do maravilhoso "marques de la colina", um vinho argentino finissimo, de sabor delicado, não muito forte, mas muito, muito gostoso. claro, existem coisas melhores, mas esse vinho não tem o menor gosto desses sucos de uva com pinga que chamam de sangue de boi ou chapinha, ou chalise. tem gosto de vinho, de bom vinho.
da para achar essa maravilha nas lojas do Extra. eu tenho comprado duzias dessas garrafas na loja da brigadeiro, perto da paulista. delícia!
por O Anfitrião 8:28 PM
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[Quinta-feira, Janeiro 27]
depois de beber muito
vai embora o pensamento
sobra a sensação
por O Anfitrião 12:19 AM
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[Quarta-feira, Janeiro 26]
*TOC é Transtorno Obsessivo Compulsivo, um sintoma de varias doenças psicológicas que, a grosso modo, a pessoa fica realizando uma atividade repetidamente ate uma exalstão beeem distante.
eu tenho o meu caminho. eu não tenho muito orgulho do meu caminho. quer dizer, não é que eu tenha vergonha dele, não tenho vergonha de olhar para a minha cara mo espelho de manhã, não tenho vergonha de olhar para os meus livros ou para as pessoas que eu conheço, não tenho vergonha do que pensam de mim, não tenho nada dessas frescuras. não tenho vergonha de olhar a rua ou de andar na rua. mas não sinto orgulho de pensar no ¿meu caminho¿ como se nele tivesse alguma coisa de especial, ou algo do tipo, nada disso. eu não me acho realmente especial, e não é por humildade, ou pelo menos acredito que não.
é que eu olho para a porra do caminho que eu faço, e vejo que ele não tem nada mesmo para se orgulhar, nada das coisas que eu vejo nos livros de auto ajuda, ou no papo dos kardecistas, ou algo assim, tem poucas decisões corajosas, poucas demonstrações de culhão ou mesmo uma merreca de aventuras que valham a pena serem contadas numa mesa de bar. na verdade, a maior parte das coisas interessantes que eu faço, dessas que a gente conta para animar a roda, precisam de uma pincelada de emoção adicional, algo que fica eventualmente ridículo, ainda que parcialmente calculado. enfim, nada que valha a pena realmente se orgulhar.
eu não acho graça em contar desventuras em mesas de reuniões de família, natal, páscoa, essas coisas. minha família celebra todas essas coisas, e eu adoraria dizer que eles fingem que está tudo bem, que na verdade são hipócritas, que tudo anda mal e que as pessoas despencam por dentro, e eu já quis acreditar nisso, eu já quis acreditar que eram todos hipócritas, que era tudo mentira, e que as pessoas, no seu intimo sofriam, e eu tentava sacar no rosto de cada tio ou primo suas frustrações e arrependimentos, mas não nada disso, nunca houve, em momento algum, não havia nada disso. não há nada do que se arrepender, a maior parte deles, na maior parte do tempo, é feliz, e está numa boa, e desfruta de certas comodidades e certezas.
acho que essa é uma das coisas que mais me machuca, essa sensação de que algumas pessoas fazem caminhos estranhos, escondem seus sonhos nos armários e depois os esquecem por lá, aceitam passivamente repetir um discurso repetitivo e chato, e mesmo assim são felizes, e não se dão conta de que estão sendo ridículos em nenhum momento! e isso me faz pensar que eu sou o cara ridículo, o cara que pensa que alguma coisa pode ser diferente, que algumas coisas podem ter um sabor melhor, ou ao menos original, algo assim. eu fico insistindo em pensar que as pessoas se esqueceram de algo, ou desistiram, mas, merda, nenhuma delas desistiu de nada, nenhuma delas abriu mão de nada, parece que isso foi sempre o que eles quiseram, nunca fizeram questão de outra coisa, eu é que quero, eu é que quis, eu que esperava algo de diferente, então, merda, por que eles estariam errados? por que eu acho que tenho um algo a mais? não, não tenho, não tenho nada de mais para a oferecer a não ser uma teimosia em procurar algo que a maior parte das pessoa já descobriu que não existe, ou mesmo nasceu sabendo, ou melhor, talvez nunca tenham pensado que existisse por que simplesmente não existe. como se fosse algo que eu inventei, algo da minha cabeça maluca, uma baboseira que eu fico batendo achando que to fazendo musica.
não é nada disso, é uma musica dissonante e chata, e que quase ninguém agüenta ouvir. e eu também não gosto, não tem a ver com gostar, e esse é o lance, não tem a ver com gostar. não tem a ver com prazer, não tem a ver com opção, é apenas o que eu tenho de fazer.
eu não faço a musica, ela é a conseqüência barulhenta de uma espécie de TOC ideológico, uma piração, uma bobagem, uma infantilidade, uma teimosia, algo assim, uma coisas dessas que me faz realizar movimentos repetitivos, ou seja, eu to sempre fazendo as coisas do mesmo jeito, acreditando nas mesmas coisas, pensado da mesma maneira e apostando nos cavalos errados, essas coisas. é como se eu fosse numa corrida de cavalos e apostasse sempre no cavalo mais bonito, e não no mais veloz, ou no que já está com as coisas arranjadas para ganhar, mesmo u saiba que esta tudo arranjado, eu aposto no cavalo mais bonito.
e ai é que está, eu acabo apostando no cavalo mais feio, mas que tem algum brilho nos olhos, como se brilho nos olhos fizesse alguma diferença na porra da corrida, e eu sei que não faz,. não se trata de falta de informação EU SEI Q EU NÃO FAZ DIFERENÇA, mas eu preciso apostar nele, e eu fico achando que é por principio, mas eu nem acredito tanto assim em princípios, embora pregue o contrario, então eu não sei por que raios eu sempre aposto na porra do cavalo que tem mais brilho nos olhos. e me avisam que ele vai perder.
essa é a merda, e é por isso que não adianta conselho, por que eu não faço ou deixo de fazer ou de pensar por causa de informação, é por causa da porra do TOC mesmo, um louco não para de fazer o sue ritual, seja rezar, tomar banho, lavar as mãos ou qualquer coisa, por racionalidade, ele tem de fazer aquilo, e eu vou lá e obedeço a porra do TOC, sem respeito nenhum para a racionalidade ou qualqeur cosia assim, eu vou lá e faço.
sempre do mesmo jeito!
quase sempre eu me dou mal. por que essa coisa, esse TOC, parece ter uma predileção pela derrota, não que eu esteja chorando,m caramba, falando assim ate parece que e to me queixando, mas eu não to querendo fazer manha, não aqui, o lance é que quase sempre eu perco, quase sempre o cavalo chega nas ultimas posições, por que os conceitos não batem com a realidade, as vezes eu ganho, mas é pura coincidência.
é por isso que eu não sinto orgulho do meu caminho. por que não é nada que eu escolhi, não há méritos, apenas uma obediência ao TOC, as manias e loucuras, as crenças cegas, e a uma certa afinidade com a ternura.
por O Anfitrião 9:46 PM
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[Domingo, Janeiro 23]
uma palavra adequada para isso seria covardia.
por O Anfitrião 11:48 PM
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o mundo talvez fosse melhor se ouvissemos os mais velhos.
por O Anfitrião 11:42 PM
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[Sexta-feira, Janeiro 21]
ontem comprei meu primeiro céline. queria saber qual era a do cara. peguei o de castelo em castelo, o unico que tinha na livraria, preço meio salgado, uma capa bonita. um jeito estranho de escrever, colocando retiscencias a cada tres ou quatro frases, nunca pensei que veria isso num escritor europeu.
sexta passada fuii assisitir o edukators, filme alemão que eu fugi de ver na Mostra por que sabia que ia entrar em cartaz. filme inocente e quase adolescente, idealista e provavelmente fruto de uma mente sonhadora que tem os pes longe do chão. ainda bem, não vi ninguém da critica da folha falar bem desse filme. talvez fosse melhor mesmo vermos histórias sobre vencedores e executivos bem sucedidos, ao invés de perder tempo vendo na tela jovens revolucionarios sonhadores que tentam manter seus principios? quem é que precisa de principíos?
enfim, edukators é mesmo um filme bobo e um mal exemplo. se voce quer ganhar dinheiro e ficar bem na fita, evite-o. prefira sex and the city, ou o BBB 5. deixe a sala de cinema livre, que eu pretendo ver edukators de novo, além de adquirir o DVD quando sair. gosto de alguns maus exemplos.
ah, os alemães são foda!
por O Anfitrião 12:42 PM
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[Sábado, Janeiro 15]
eu acho que não trocava uma tarde como a de ontem por dinheiro nenhum no mundo.
por O Anfitrião 2:49 PM
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