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[Terça-feira, Novembro 6]
O cheiro do cinearte. Aquele cheiro de rico, ou pelo menos é o cheiro que eu imagino que tem rico. Na verdade eu sei, fui em algumas casas de rico, algumas vezes na vida. Trabalhei em casa de rico quando era adolescente, ajudante de cozinha em banquete. Meu chefe era um chef francês, casado com a minha tia. Noutros tempos, tinha colegas bem ricos na faculdade e freqüentei a casa de alguns deles. Era diferente, mas tinha um cheiro assim como o do cinearte depois da reforma e da placa escrita cinebombril. Um cheiro que prende o tempo.
As mostras acontecem sempre no mesmo período do ano, quase no fim dele, quando algumas coisas estão para aocntecer, mas a maior parte das coisas que podiam acontecer contigo num ano já tinham acontecido. Mas ainda não era a reta final, o spring, ainda havia um tempo para cair fora antes que as coisas apertassem e o que estava pendente o ano todo se concluísse.
Nas duas semanas entre o final de outubro e o começo de novembro, nós saíamos da dimensão do cotidiano e entrávamos numa dimensão fora do espaço e do tempo, chamado mostra. Ali o tempo paravam, e se confundia de tal forma que acredito que durante o peridodo da mostra op tempo sofre aberrações de forma e perce sua continuidade. Não há mais dias, horas, messes ou semanas, mas apenas filmes que habitam os espaços atravessados pelos ponteiros do relógio. O tempo contado em filmes.
O cheiro do cinearte é uma espécie de cheiro da mostra. Sim por que todo o mundo parace adquirir aquele cheiro marron claro, pipoca e café de qualidade de seus foyers. Ali ele é mais forte, é claro, talves tudo comece como um faro que a gente persegue.
Quando acaba a mostra,a nossa velha dimensão parece desabar apressada e urgente nas nossas costas. todas as malditas caras conhecidas estão çá nos esperando, e agora com ainda mais pressa.
Na mostra de 2003, eu estava para concluir a faculdade, mas precisava terminar de redigir um livro reportagem que era meu TCC. Uma pesquisa bacana sobre a história da construção de uma favela na zona norte. Já tinha quase tudo pesquisado, faltavam três ou quatro entrevistas, mas ainda tinha de escrever todo o livro. Eu sabia que o prazo era curto, e subia para a PUC imaginando quando começaria a mostra, e se eu conseguiria fazê-la. Imaginei que iria começar dali uma semana, e resolvi me informar, mas correr para deixar tudo adiantado, para poder fazer mostra. Eu teria uma semana, com sorte, duas...
Na hora do intervalo, a gostosa da Flávia (que além de gostosa era politizada, culta, bem humorada, simpática e inteligente) me perguntou se eu faia mostra aquele ano.
- e quando é que começa?
- hoje!
- porra
- vc não sabia? Não acredito!
- porra. Ainda pensei agora de manhã quando começava a mostra.
- começa hoje.
Dei um grande foda-se. Foda-se que o trabalho não ia ficar grande coisa. Eu nãi ia reprovar. Ia escrever um trabalho legal ne que dobrasse noites, mesmo que bom o suficiente para não ser reprovado.
Consegui ver 27 filmes aquele ano. Não foi um ano maravilhoso, mas eu estava lá e era isso que importava.
Muna tentativa mais pragmática de entender a mostra, eu costumava dizer que ela era uma forma de se fazer turismo. Como eu não podia viajar para todos aqueles paises e conhecer tantas pessoas, eu ia a mostra para fazer turismo, entender o mundo que não é o meu para me ver de fora. Essas coisas.
Mas a mostra é mesmo o desejo de viver num outro plano onde eu apenas absorvo e em nada interfiro, onde tudo aocntece distante da minha vontade ou ação, ou melhor, onde a minha ação é totalmente nula, e em nada interefrem. A minha existência significa nada do que acontece na tela. Mas talvez só aconteça por que eu estou lá para assisitr.
Talvez seja a chance de sermos Deus. Onipresente, Onisciente. Não Oniponte. Talvez esse seja Deus, o universo acontece para a sua contemplação, mas não lhe confere o direito de interferir.
Mas por que o cheiro? Deus então sente cheiros?
por O Anfitrião 12:48 AM
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[Quarta-feira, Outubro 24]
Adio ir para a cama toda noite. Quando tenho certeza que não vai haver sexo, então passo a madrugada acordado. É distancia do sono mesmo. As vezes não tenho saco de esperar dormir. É chato. Seria legal se desse para a gente simplesmente desligar. Acordar é legal, quer dizer, o processo (lento) de acordar. Demorar o maior tempo possível para se levantar, despertar e voltar a dormir varias vezes enquanto sente o sono passando lentamente até a chegada do começo da tarde...
Mas ir dormir me atrapalha. Então eu fico zanzando pela noite, tentando ganhar tempo, e como não tenho o que fazer, fico caçando assunto. Leio e releio histórias em quadrinhos, velhos livros de história antiga, sites com o noticiário internacional e blogs de pessoas conhecidas. Bebo vinho e queimo muita erva. Assalto o armário e a geladeira, e como deito um porco, As vezes me masturbo. Fico tentando ganhar tempo, ganhar sono. Quase sempre so fico mais acordado, buscando alguma coisa na tv e assistindo DVDs das séries dos Simpsons. As vezes fico editando vídeos de aniversário.
Besteira. O sono nunca vem e eu só fico mais acordado. Acabo resolvendo deitar por causa da hora. Só que cada noite eu acho que to indo dormir mais tarde. E nem sempre dá para acordar lentamente ao longo da manhã, até chegar na tarde. Qusse sempre eu tenho de lvantar com um pulo, não muito cedo, é verdade, mas com cada vez menos horas dormirdas, devido aos horários avançados em que me deito.
Isso deve estar fodendo comigo, saúde, e outras coisas.
Tenho pensado em por que me incomoda tanto ir dormir. Não é medo de estar sozinho, pois eu deixo de dormir para estar sozinho, entre a pequena sala e a abastecida cozinha do 1014. achei por muito tempo, na verdade que era justamente o contrário. Alias, já tive muita certeza disso.
Passo o dia inteiro tumultuado. Mesmo trabalhando em casa. Aqui mora, em menos de 48 m2, eu e a patrícia. Metade da semana, ou mais, o filho dela, o Logan. Mais de três vezes por semana, na maior parte das semanas, dorme aqui o meu cunhado, o Lucas. Há ainda, os clientes e amigos, que sempre estão por aqui. A casa tem um único cômodo confortável de se “estar”, que é a sala. Ninguém se sujeita a ficar sentado lendo no banheiro quando não está cagando ou terminou de cagar. Enfim, eu estou sempre cercado de “gente”, se comunicando e “existindo” em volta de mim. Tenho certeza de que todos nessa casa se cansam desse excesso de convivência. (falta espaço para se mover, para abrir os braços, etc)
Mas já não tenho mais essa certeza. É certo que ainda acho que é um prazer enorme essas horas em que estou em silencio e sozinho nas madrugadas, por isso, mas essa sensação de prazer mascara a verdade de eu nunca estar com disposição para deitar, e não com vontade de estar acordado.
Claro que também achei que no fim do texto eu teria a resposta para essa questão.
O aquário do peixe quebrou quando tentávamos trocar a água. Ele agora mora numa grande taça de vinho, cheia d´agua, é claro.
por O Anfitrião 2:50 AM
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[Terça-feira, Setembro 25]
Voltei. Acho que estava esperando esse blog ficar bem esquecido. Acho que vai se melhor se menos gente ler o que eu escrevo. Então, agora acho que escrevo mais a vontade, escrevo para ninguém ler, apenas para dar forma, cor, passar para um estado material e tangível as coisas todas que passam pela minha cabeça o dia inteiro. Agora não vou mais ter noiazinha de se preocupa com leitor, pois não devo ter mais nenhum.
Se vc quer continuar lendo daqui pra frente, problema seu. Eu peço que não leia.
Bom, agora estamos confortáveis, eu e a nuvem de idéias cinzentas que eu vejo da janela do 1014.
O nome desse blog é a vida no 1014. por que eu sou muito ligado ao espaço. Sempre passei no terceiro bimestre em geografia, desde a quinta série. Na verdade, fiz isso com ciências e história também, e mais tarde, em biologia. Tinha problemas em português e matemática no ginásio, e matemática e física no colegial. Ia bem de química, mas nunca passei no terceiro bimestre. Tínhamos um professor casca grossa.
Em inglês, eu fiquei de recuperação em todos os anos do colegia. I hate this thing!
Enfim, eu gostava de geografia em especial por que ela analisava todas as outras ciências que eu gostava, so que do ponto de vista do espaço, do local.
Me apego a coisas que me lembram histórias. Me apego as histórias e tenho medo de perdê-las. Quero todas aqui! As vezes parece um jeito de tornar a vida mais longa. Carregar os pedaços dela para cima e para baixo. Tenho medo de morrer. Não que a vida seja grande coisa, garanto, não acho isso, mas tem erva, tem vinho, tem história em quadrinhos e tem uma gata reclamando da sujeira do banheiro e do alto consumo de substancias psicoativas enquanto anda sem calcinha pelo apartamento.
Meu Deus, eu abro mão do Céu, mas me deixe aqui curtindo a minha monotonia! Eu não estou pedindo muita coisa, eu sei! Apenas paz, arroz e amor.
Quase esqueci. A vitrola. Que gora sempre pro mesmo lado, nunca erra. É um trabalho simples, mas ela executa com perfeição!
Tenho ouvido musica clássica quando estou sozinho. Aquelas coleções da Abril e da Seleções.
por O Anfitrião 8:16 PM
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[Quarta-feira, Maio 23]
por que por tanto tempo dá vermelho 27, e de repente, não para de aparecer o preto, 17?
hoje o muhammed ali ta com mal de parkinson, e o foremman ta vendendo grill.
a aline, do buffet que trabalha comigo, me disse categoricamente que não respeita quem não consegue ganhar dinheiro. é engraçado. ganhar dinheiro, é visivel, nada tem a ver diretamente com esforços, dedicação, inteligencia ou beleza.
querer é poder é uma frase cruel, feita para as pessoas tornarem a si mesmas mais infelizes e frustradas.
o foremman sempre quis derrotar o muhammed ali, e o cassius clay nunca deve ter pedido para ter mal de parkinson, por outro lado, nunca deve ter desejado anunciar maquina de grelhar hamburguer ao lado ana maria braga. na pior das hioteses, teria desejado melhor compania.
por O Anfitrião 1:49 AM
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a vida é uma tartaruga que adquire turbos no meio do caminho, ou a gente é que é uma lebre que se põe a ter cãimbras?
por O Anfitrião 1:11 AM
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a vida as vezes é com aquela corida da lebre e da tartaruga. vc se acha a lebre, a vida é a tataruga.
antes que a tartaruga possa ter mexido as quatro patas, vc ja está tão longe que ja nem consegue ver a ponta do casco. mas não para nem por um minuto, e a escamosa ja esta na sua cola.
a internet ja não é mais novidade. isso é uma constatação, não uma impressão. a impressão que eu tenho é de que é tudo novo. como quando surgiu o IG, o Terra, e todos esses grandes portais. o blog ja não é mais novidade. desde quando algumas pessoas tem seus blogs? e outros que finalmente colocaram um blog no ar, depois de tanto tempo, agora ja estão a tanto tempo na rede que até já os abandoram...
por O Anfitrião 1:01 AM
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[Quinta-feira, Março 29]
Tem vinho, blues e café o suficiente aqui dentro para pelo menos tres semanas. Seria só eu trancar a porta e jogar a chave pela janela. Ainda que alguém batesse na porta, eu não teria como abri-la. Depois eu escrevia uma história sobre isso e arranjava grana para passar mais um tempo. Simples assim. Eu tiro o telefone do gancho e acendo uns incensos durante dia, para disfarçar a fumaça. Na primeira oportunidade, aviso o cara da portaria para evitar de me interfonar, alego que estou numa busca espiritual. É claro que ele vai interfonar para cá quando as pessoas começarem a aparecer. Mas ao menos não vai esperar que eu atenda.
O zelador deve aparecer antes de uma semana. Talvez preocupado se me aconteceu alguma coisa. Logo vai correr um sinal de que eu estou desaparecido. Vão vir procurar aqui dentro, posso ter sofrido um acidente, e estar precisando de ajuda. Não se trata de um acidente, e nem eles poderia me ajudar, o que não quer dizer que eu não estou com problemas. Quando a gente começa uma coisa, tem de estar consciente dos riscos, ou então depois vai ficar botando a culpa nos outros pelas cagadas no meio do caminho.
Então foda-se. Quando alguém subir aqui, eu digo que não abro, e peço educadamente que caia fora. Isso vai evitar que confundam minha exquisitisse com algum desespero mais grave, um surto psicótio, qualquer coisa assim. Vou simplesmente impor o meu direito de não abrir a porta da minha casa. Isso sim seria uma atitude perigosa, ao menos antes do final da segunda semana. Nesse tempo devo aliviar a ojeriza civilizatoria que parece impregnada na pele como carrapatos mas enquanto durar os estoques de porcarias e o café, eu manterei a porta trancada. Uma espécie de ritual de purificação.
Posso ligar a TV. O mundo parece mais inofensivo dentro do vidro. Como uma Naja do aquário do Instituto Butantã. É possível parar e admirá-la, sem comprometer a própria vida. Presas afiadas e cheias de veneno.
Vou ser Robson Crusoé da Selva de Pedra, sem sexta feira para encher o saco. Pretendo ler Primo Levi em voz alta. Para sempre lembrar de quem realmente se fode. O resto se resolve.
por O Anfitrião 2:13 AM
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[Segunda-feira, Dezembro 18]
César: O que você não entende sobre ela é que a maior parte das pessoas problemáticas convivem todos os dias na companhia de um demônio qualquer. Você pode se queixar de falta de grana, ou que seu ex marido fosse menos idiota. Eu mesmo posso olhar no espelho de manhã e desejar que a minha irmã não fosse tão panaca. Você deve olhar no espelho antes de escovar os dentes e pensar, ¿poxa, minha pele podia estar melhor, ou meu cabelo podia estar menos quebradiço¿. Pessoas como o Flavinho acordam de manhã e olham no espelho e vem um demônio atrás delas. Elas podem ser perfeitamente felizes, ate mais que você ou eu, e o preconceito é achar que não, que pessoas paraplégicas como o Flavinho são infelizes, mas acredite, por mais feliz que ele seja, tem um demônio atrás dele lembrando ele que ele já não pode andar, já não pode correr, já não pode trepar, e mesmo que ele aceite que a vida dele vai seguir sem nada disso, sempre vai ter um demônio feio olhando para ele pelo espelho, nem que seja um demônio sádico mandando ele agradecer a Deus por não ter morrido no acidente, ele ouve isso todo dia de manhã, justamente do demônio que o lembra que ele não anda, não trepa e não consegue se virar completamente sozinho.
Paula: Mas a Fernanda não é paraplégica nem tem nenhum problema físico, e já teve todas as oportunidades de resolver a sua vida.
César: Por que a Fernanda não convive com um demônio, a Fernanda é um demônio. O Flavinho esteve no inferno, olhou na cara do diabo e voltou com um demônio de souvenir. Alguém pode ir para o inferno duas, três vezes, e conviver com alguns demônios, mas depois você não agüenta ter de voltar e fica por lá mesmo. Eu so tenho uma explicação para a Fernanda conseguir ir e voltar do inferno tantas vezes: ela é um demônio.
por O Anfitrião 8:49 PM
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[Quarta-feira, Novembro 22]
pra não dizrem que estou morto...
por O Anfitrião 5:38 PM
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[Quinta-feira, Outubro 5]
sou um cidadão de bem e responsável, que lava a sua louça e aspira o chão da sua sala. moro numa casa pequena com uma mulher e uma criança que não fui eu que gerei, mas cuido dela como se fosse eu o responsável. costumo beber de noite sozinho, não gosto da ideia de beber socialmente, ja que não sou muito sociavel. não bebo para fazer amigos, não bebo para me soltar, não bebo para relaxar, bebo para ficar bebado, e por que o gosto do vinho as vezes é muito bom. mas não me incomodo ninguém. não bato na minha mulher, nem grito com meu enteado, nem vejo as coisas ficarem dubias.
costumo segurar a porta do elevador e correr para o portão da rua quando vejo entrar alguém carregado de sacolas ou pacotes. sorrio para os porteiros. me pediram para não subir mais no terraço fora do horário, e eu não subo mais. me pediram para tirar um poster do "meu tio matou um cara" da porta, eu tirei assim que recebi a intimação.
pago minhas contas em dia, as vezes atraso, so as vezes.
trabalho. quando a coisa aperta, aceito os mais locos free lances. ja me vesti do dinosauro "barney" e fiquei pulando por quatro horas na frente de uma locadora de video. ja filmei sinistro de seguro de vida. as vezes acordo tarde, as vezes tomo cafe da manhã ao meio dia, mas se preciso viro a noite trabalhando no micro, editando video ou qualquer outra coisa.
sou um homem de bem e uma pessoa bacana, pelo menos me considero.
meus vizinhos não acham isso. e eles não vieram me contar isso. assim como eu, se consideram boas pessoas. eu tenho vizinhos que não gostam dos mendigos que se abrigam em baixo da marquise do prédio, nos dias d chuva. exigem a presença do segurança do prédio na porta, para protegê-los da inconveniencia de algumas pessoas. eles nunca falam aos mendigos que querem que eles caiam fora. eles pedem para os seguranças pagos do meu predio fazerem isso.
eles ja pediram para os caras pagos que trabalham aqui mandarem eu me portar melhor. não me disseram isso diretamente, essas boas pessoas. talvez falte tempo. talvez eles não se sintam preparados para falar de determinados assuntos comigo. de qualquer forma eu ja voltei as medidas de antes.
nos ultimos 20 anos, nunca foi tão fácil ser subversivo.
por O Anfitrião 4:22 PM
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[Quarta-feira, Outubro 4]
não apareci para votar nessas eleições. nem fui ate lá, e ainda não fui justificar. é claro que a escolha do proximo presidente ou deputado muda algumas coisas na vida em geral da população, mas a verdade é que muda muito pouco. a politica esta comprometida com um certo projeto economico e social e ninguém que for para lá vai mudar isso
uma democracia real seria podermos escolher os presidentes das corporações. o presidente da chevrolet, do mcdonalds, da ambev, enfim, cada um poderia escolher a corporação que mais utiliza e votar no presidente dela.eu votaria na Leites Paulista, pois consumo muita mantega, no presidente da Ambev e nas importadoras de vinhos argentinos. acho que votaria no presidente do Burguer King também, caso ele tivesse como proposta de governo abrir uma loja aqui perto de casa.
por O Anfitrião 12:22 PM
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[Terça-feira, Setembro 26]
essa é a maior pérola das ultimas semanas.l nada contra os cães, eu gosto muito de cachorros e não quero o mal para nenhum bicho. mas depois de permitirem e auxiliarem, direta e indiretamente, no massacre do libano, o povo americano agora tenta aliviar sua culpa com um ato de caridade que beira o humor negro. ate por que tem cachorro abandonado no mundo inteiro, e para um cachorro tanto faz perdeu seu dono numa explosão ou cair do caminhão no dia da mudança.
pessoas com culpa são ridiculas.
por O Anfitrião 11:47 AM
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[Domingo, Setembro 24]
a casa ta muito bagunçada.
a pilha atolada da louça da sexta, o chão esquceu o que é o aspirador e a mesa com restos de cafe da manhã e sobras dos trabalhos do sábado.
amanhã eu arrumo as coisas, ate o fim do dia estaremos limpos de novo.
por O Anfitrião 8:54 PM
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[Sexta-feira, Setembro 15]
O que significa tirar um pedaço do tatame?
ela está com essa idéia faz tempo,
as roupas dela e do Logan não cabiam no pequeno guarda roupa embutido do 1014. compramos a prestação uma cômoda de madeira estilo colonial, no Mix Moveis do shopping D. um ano depois e eu estava lá, escolhendo moveis para a casa. achei que demoraria mais. mas a cômoda ainda não consegue abrigar todas as roupas dela e do filho. e ela andou comprando mais roupas. eu ando jogando algumas camisetas fora. andam rasgando, e não tenho comprado outras.
ela achou duas opções. uma usada, branca, num antiquário, num preço bom. e outra menor, mas com espelho, numa loja de moveis novos, que parcela o valor. ela gostou da branca. enorme.
o quarto é quase todo tomado de tatames. era um sonho de adolescência. um sonho simples e tolo, mas era um troço que eu queria ter. e era mais barato que comprar uma cama e um colchão.
graças a ele dormem ate cinco pessoas lá. mas quase sempre so dormimos eu, ela e o filho dela. la os birnquedos dele podem ficar jogados e ele pode correr e se jogar a vontade. lá a gente tem um espaço aberto bem grande para os padrões desse apartamento pequeno.
eu pensei aqueles tatames para juntar as pessoas em cima dele em noitadas como as do 1014 antes de eu morar aqui definitivamente. naquela época eu acreditava que se podia juntar gente para sempre na sua casa e viver a nossa resistência, a nossa republica democrática independente e anarquista.
vivemos em nossa pequena comunidade anarquista aqui. A patrícia e o Logan e eu. temos acordos fáceis e uma moral maleável. e precisamos de menos espaço para pessoas, e mais espaço para as pessoas que moram aqui. e o tatame vai ter que perder um pedaço.
por O Anfitrião 4:42 PM
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[Quarta-feira, Setembro 13]
a vida no 1014 inclui pasteis antes do meio dia e meia. como cafe da manhã. não que a gente so tenha acordado agora, mas nem tudo aqui acontece na ordem correta. os horarios do 1014 são volateis, são frutos do imrpoviso completo. as coisas aqui não acontecem na mesma sequencia que em outros lugares. aqui criamos uma familia, recebemos duzias de amigos e gerenciamos uma empresa em menos de 50 m2. não sei se funciona. a gente vai levando.
houve um tempo em que eu editava os concertos da banda sinfonica. acho que não os atendi direito. sei o que eu fiz de errado, e morro de vergonha das cagadas que fiz, mas sei que ao menos uma parte foi por culpa da inesperiencia e da mania de meter as caras. as vezes não dou conta de tudo que me proponho a fazer, ok, paciencia, a gente recomeça e vai tentando.
por O Anfitrião 12:30 PM
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[Segunda-feira, Setembro 11]
faz cinco anos que aquela porra caiu e ate agora não acharam o osama. ando cansado de imaginar o que realmente acontece, não adianta especular, mas tem muita coisa que a gente não sabe. eu sei que conco anos é muito tempo.
é foda ver as coisas fazendo varios aniversarios. faz dez anos o ano de 1996, quando eu tinha quinze anos e tocava numa banda de rock que nunca saiu do papel. ninguém ali unnca soube tocar um instrumento decentemente. também não sabiamos amar, e nos apaixonavamos por garotas recem saidas da puberdade. ouviamos musica dos anos 60 e 70 e aquilo parecia magico e libertador. era musica velha naquela época, hoje é ainda mais.
naquela época ainda se especulava sobre a volta dos gun s roses. a gente tinha medo do bon jovi, achava um rock muito comercial. naquela época a joven pan so tocava dance music, e o mundo se dividia, ao menos para nos, entre aqueles que eram do rock e aqueles que não eram. cinco anos depois as torres cairam e eu era uma pessoa muito diferente daquela de 1996. hoje em 2006 não me acho assim tão diferente do que era em 2001.
ok, naquela época eu não teria um blog chamado a vida no 1014, mas acho que sou muito mais parecido com o cara de 2001 do que o cara de 2001 era parecido com o de 1996. adolescencia é um periodo mesmo conturbado! nem sei se não sou mais adolescente, ou se um dia fui.
não tive ritos de passagem, não casei, não tive baile de formatura, demorei alguns messes ocupando o 1014 antes de vir para cá. as coisas acontecem lentamente, na maior parte delas é dificil precisar o inicio ou o fim de alguma coisa. sei que o CRUJ não é mais o mesmo, mas acho que ninguém sabe quando foi que ele morreu.
sinto falta do 1014 com o zé e o pinça, do CRUJ com suas noites com xícaras de vidro cheias de cerveja, luz baixa, fumaça e beatles. sinto falta de jogar war. não estou reclamando da vida que elvo hoje, mas quase tudo que eu deixei para tras, minha banda imbecil, meus cursos de teatro na mazzaropi, a faculdade, essas coisas, todas acabaram na hora certa, gosto de olhar para tras e ver o que fiz, mas fico feliz que todas elas tenham acabado. mas não o CRUJ, ou o antigo 1014, ou as reuniões que faziamos e que eram muito mais constantes.
tenho me repetido quando a isso, eu sei, cada um dos meus amigos ja ouviu muito sobre isso. eles concordam, mas como quem ´não esta insatisfeito de que tudo aquilo acabou. alguns vão muito bem, e outros nem tanto. todos sem vem ainda, bastante. mas o tempo desgastou mesmo alguma coisa, eu eu fico triste por ser algo que eu presava tanto.

por O Anfitrião 2:25 PM
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[Sexta-feira, Setembro 8]
não sei direito o que quero com esse blog agora. nem me lembro mais a quanto tempo tenho ele, desde 2003, eu acho. naquela época eu ja achava que sabia pouca coisa, mas ao menos sabia o que era relevante para se escrever. hoje acho bem pouca coisa relevante. continuo lendo quadrinhos e ouvindo jazz, acho que tenho bebido mais, mas não muito. escrevo menos, mas isso é sazonal, ao menos sempre foi assim. não que sempre aos 25 anos seja muito tempo.
não me tornei menos pessimista. talvez ainda mais. não que isso tenha algo a ver com as coisas que acontecem na minha vida, que tem superado as espectativas mais otimistas, e as ezes, sobre mim mesmo, ainda tenho expectativas otimistas. mas de modo geral acho cada vez menos coisas importantes. não me decepcionei com o Lula, sequer acho graça nas propagandas eleitorais. ja prestei atenção nos discursos. ja me enervei com eles. ja achei graça, e achei os politicos ridiculos. hoje so acho ridiculo prestar atenção na propaganda. jogo da terceira divisão é mais interessante que propaganda eleitoral um aquario é mais imprevisivel que propaganda eleitoral. não olho nenhum dos dois.
olho a janela, de vez em quando. menos que no começo, mas ainda assim todo dia olho pela janela. a um ano e meio olhando essa janela. quanto tempo mais? ainda parece novidade. quanto tempo eu vou ficar aqui, para depois de um ano e meio ainda parecer que mal comecei?
ainda sonho que esse apartameto é maior do que ele é. as vezes bem diferente. com comodos secretos repletos de moveis. ja sonhei que aqui tinha um jardim. mais de uma vez. sabe o que iso significa? sei lá, não acho, junto com o resto, que isso tenha importancia.
ainda leio quadrinhos, talvez ainda mais do que antes. mas também assisto novela, as vezes. tratam de problemas pertinentes a pessoas nada pertinentes. jogo menos xadrz, e a muitos messes não jogo war. sinto falta disso. lembro as vezes do antigo 1014. a cada vazia sem moveis, os caras jogados pelos colchonetes, a pia cheia de garrafas. a pia ainda tem garrafas. tem também calcinhas e sapatos femininos pelo banheiro, e meias de criança pela sala.
de modo geral, durmo bem todas as noites. tem sempre vinho demais na minha cabeça, deve ser isso. sorrio sempre antes de dormir. não tenho muito do que reclamar. mas apesar da minha criação catolica, continuo não rezando.

por O Anfitrião 12:09 AM
Entra e sai:
[Quinta-feira, Setembro 7]
o novo layout é esse.
por O Anfitrião 11:35 PM
Entra e sai:
por O Anfitrião 10:45 PM
Entra e sai:
bg.jpg
por O Anfitrião 10:39 PM
Entra e sai:
mais mais mais
por O Anfitrião 10:37 PM
Entra e sai:
continuandio
por O Anfitrião 10:35 PM
Entra e sai:
reinaugurando...
por O Anfitrião 10:33 PM
Entra e sai:
[Quinta-feira, Junho 29]
FESTIVAL DE ENCERRAMENTO DA MOSTRA ¿CEMITÉRIO À MEIA-NOITE¿
Curtas, vídeos e música
SEXTA-FEIRA (30/06)
00h00 : Exibição do Curta ¿Diário das Crianças no Porão¿
Sobre a Mostra Cemitério de Automóveis de 2.002
Direção : Bedrock Vídeo (Marcelo Montenegro, Walter Figueiredo, Robson Timóteo e Jorge Oliveira)
00h20 : Exibição do Vídeo Clipe ¿Sentimental¿ dos Los Hermanos
Direção : Nilson Primitivo
00h25 Banda ¿Saco de Ratos Blues¿ ¿ Mário Bortolotto, Fábio Brum e Marcello Amalfi
Blues em português com letras porra louca
00h35: Uma Quinta-Feira
Curta-Metragem com direção de Tche Costa
00h42 : Cabelo Azul, Bikini e Bota
Curta-Metragem com direção de Rafael Saparelli
00h52 : Marcelo Montenegro lendo poemas com Marcello Amalfi
Possível participação de Flavinho Vajman
01h05 Desde o fim até o começo
Curta-Metragem de Jarbas Capusso
01h25 O jogador
Novo vídeo Clipe de Edvaldo Santana com direção de Telso Freire
01h30 : Manera
Curta de Tche Costa
01h37 : Street Dance
Curta de Tche Costa
01h40 : A Gralha
Direção de Roberto Skora
01h47 : Jazz com Fábio Brum e Marcello Amalfi
SÁBADO (01/07)
00h00 : Making off da Mostra Cemitério de 2.005
Documentário com direção de Douglas Kim
00h20 : Fernanda D´Umbra cantando acompanhada
pelo Maestro Marcello Amalfi
00h35 : Bala
Curta-Metragem de Daniel Sabino e Simone Elias
00h45 : Tempo Instável
Pocket formação da banda com Mário Bortolotto, Noa Stroeter e Marcello Amalfi
01h00 : Cíntia e Celina
Curta de Tche Costa
01h08 : Balaio
Curta de Luiz Montes
01h20 : Paulo de Tharso e Fábio Brum (composições da dupla interpretadas por eles)
01h30 : Dietagsarbit
Curta de Tche Costa
01h35 : Camões ao Alto e Andante Cantabile
Curtas de Robert Coelho e Carlos Ribeiro
01h38 : Patife Band
Curta documentário sobre a banda ¿Patife Band¿ ¿ Direção de Marcelo Montenegro
01h43 : Melodrama Blues
Curta de Robson Timóteo com poema de Marcelo Montenegro
01h50 : Jam Session com os músicos e amigos do Grupo
O Festival acontece no Satyros 1 e começa às 24h (nos dois dias)
O ingresso custa R$ 10,00
O Satyros 1 fica na Praça Roosevelt, 214
Tel : 3258-6345
por O Anfitrião 11:11 PM
Entra e sai:
[Domingo, Junho 25]
sobre eramos todos thunderbirds e outras coisas...
por O Anfitrião 8:30 PM
Entra e sai:
[Quinta-feira, Junho 22]
estamos inaugurando uma nova era nesse blog. talvez mude ate o layout. aguardem no local.
por O Anfitrião 10:05 AM
Entra e sai:
[Segunda-feira, Junho 12]
acho que pórtugal passa da primeira fase, mas não chega nas oitavas. todo ano torço contra o brasil. e esse ano não vai ser o contrario, nada contra a seleção, é so para contrariar o chato do galvão. mas assisto o maximo de jogos que eu consigo. o melhor de hj foi o do mexico. o da copa, da alemanha. fazer o que , gosto de ver gol.
por O Anfitrião 1:09 AM
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[Domingo, Junho 4]
LA BOHEME
FALO-VOS DE UM TEMPO
QUE OS MENORES DE VINTE ANOS
NÃO PODEM CONHECER
MONMARTRE NESSE TEMPO
PRENDIA OS SEUS LILÁS
SOB AS NOSSAS JANELAS
E SE A HUMILDE GUARNIÇÃO
QUE NOS SERVIA DE NINHO
NÃO DAVA NAS NAS VISTAS
FOI LÁ QUE NOS CONHECEMOS
EU QUE GRITAVA FAMINTO
E TU QUE POSAVAS NUA
A BOÉMIA; A BOÉMIA
ISSO QUERIA DIZER QUE ÉRAMOS FELIZES
A BOÉMIA; A BOHÉMIA
SÓ COMÍAMOS NUM DE DOIS DIAS
NOS CAFÉS VIZINHOS
ÉRAMOS QUAISQUER UNS
À ESPERA DA GLÓRIA
E AINDA QUE MISERÁVEIS
DE BARRIGA VAZIA
NÃO PARÁVAMOS DE ACREDITAR NELA
E QUANDO NUM QUISQUE QUALQUER
APÓS UMA BOA REFIÇÃO QUENTE
UMA ESTRELA NOS TOMAVA
RECITÁVAMOS VERSOS
EM VOLTA DA CHAMINÉ
ESQUECENDO O INVERNO
A BOHÉME; A BOÉMIA
ISSO QUERIA DIZER TU ÉS BONITA
A BOÉMIA; A BOHÉME
E TODOS TÍNHAMOS GÉNIO
MUITAS VEZES ME ACONTECIA
DIANTE DO MEU CAVALETE
PASSAR NOITES EM BRANCO
RETOCANDO O DESENHO
DA LINHA DE UM SEIO
À CURVA DE UMA ANCA
E SÓ DE MANHÃ
NOS SENTÁVAMOS ENFIM
DIANTE DE UM CAFÉ-CRÉME
EXAUTOS MAS RADIANTES
FALTARIA QUE NOS AMÁSSEMOS
E QUE AMÁSSEMOS A VIDA
A BOÉMIA; A BOHÉME
QUERIA DIZER QUE TÍNHAMOS VINTE ANOS
A BOHÉME; A BOÉMIA
E VIVÍAMOS DO AR QUE PASSAVA
SE AO ACASO DOS DIAS
VOU DAR UMA VOLTA
AO MEU ANTIGO ENDEREÇO
JÁ O NÃO RECONHEÇO
NEM AS PAREDES, NEM AS RUAS
QUE VIRAM A MINHA JUVENTUDE
AO CIMO DE UMA ESCADARIA
PROCURO UM ATELIÊ
DE QUE NADA MAIS SUBSISTE
NO SEU NOVO DÊCOR
MONMARTRE PARECE TRISTE
E OS LILASES MORRERAM
A BOHÉME; A BOÉMIA
ÉRAMOS JOVENS, ÉRAMOS LOUCOS
A BOÉMIA; A BOHÉME
JÁ NADA MAIS QUER DIZER
por O Anfitrião 4:06 PM
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[Sexta-feira, Junho 2]
ha 17 anos atrás eu estava na segunda série e tinha uma prova de ciencias, algo a respeito de meio ambiente, gases, sei lá qual era, professora Maria Amélia, uma gorda bem branca com a cara estourada de acne, mas eu gostava dela. eu passei a tarde lendo um livro da coleção vaga lume, chamado açucar amargo. era a históri de uma jovem boia fria e sua familia, contada de forma humana, politizada e pouco maniqueista.
conheci um novo mundo. o que era o boia fria, o gato, como era a vida de familias rurais, seu cotidiano, suas dificulddes e sua luta. eu tinha 8 anos. aprendi a pensar diferente e entender o que é viver em outro mundo enquanto o livro ta aberrto.
tirei acho que 5,5. a media era seis. bronca da professora, da mãe, minha irmã falando, mas ele estudou!, e eu disse sim, pasei a tarde estudando, mas a maior parte do tempo que deveia estar estudando estava lendo o romancesinho da coleção vaga lume. tinha vergonha daquela tarde em que não estudei ciencias e tirei nota vermelha. mas foi o primeiro livro não infantil que eu li, e na certa aquilo fez alguma coisa na minha vida. vai ver estou aqui, nesse apartamento, vivendo com essa pessoa. andando com esses amigos, acreditando nessas coisas, e tudo iniciado por causa de um livro no minimo mais inteligente que a novela do sassá mutema e que o programa da mara maravilha e do bozo.
hoje eu não me arrependo de ter lido o açucar amargo naquela tarde. mas vai ver que deveria.
por O Anfitrião 12:54 AM
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[Quinta-feira, Junho 1]
ha dez anos atras eu tinha uma banda de rock que se chamava o ovo e nos ensaiavamos numa garagem na vila carrão. nos eramos quatro primos, sendo dois irmãos nas cordas, eu na segundsa guitarra e voz e outro primo na bateria, o dono da casa. ha dez anos ras nos fizemos um mega show para nossos parcos amigos na obra da reforma da minha antiga casa. ha dez anos atras eu tocava violão clássico com um maluco chamado manuel marques.
ha dez anos atrás eu estava formado no ginásio e estava indo para o colegial, numa escola nova. eu havia acabado de me adaptar a escola antiga, após mas de dez anos me sentindo deslocado. ha dez anos atras eu resolvi que eu era comunista, e comecei a lewr filosofia e estudar marx. ha dez anos atrás eu tinha desseseis anos e ainda não havia beijado nenhuma garota.
ha dez anos atrás eu me mudava para p sobrado do meu avo e voltava a dividir o quarto com a minha irmã. ha dez anos atrás eu descobri que eu era, mas não com intimidade. somos mais intimos agora, mas ainda não me entendo.
por O Anfitrião 11:15 PM
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[Quinta-feira, Maio 25]
a vida é como uma manga. voce pode passar por ela sem se sujar, mas voce vai ter de jogar fora mais da metade.
por O Anfitrião 1:58 AM
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[Segunda-feira, Maio 22]
a maior arrogancia de um artista é querer agradar a todos. arte é um troço pessoal, memso feito em equipe, e fazer arte para agradar alguém vira automaticamente entretenimento ou publicidade. o cara aida se utiliza de mais um recurso mediocre: compensar a frustração do que dizem os criticos apelando para o que diz o publico. o publico gosta de axé, netinho, gugu, se o publico gostou do filme do cara deve ser por que é uma bosta.
a gentefica aqui repetindo as mesmas coisas e defendendo os mesmos conceitos, as vezes me sinto repetitivo. mas fazer o que, se os caras continuam fazendo as mesmas cagadas?
por O Anfitrião 1:24 PM
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raphsody in blue do gershwin me lembra muito o rio de janeiro, não sei por que. me lembra a tranquilidade da lagoa, e a evervescencia do centro. antes de tudo, uma musica inconstante, algo como o meu estado de espirito sempre que estou no rio.
ja fui pro rio 4 vezes. de certa foram, toda a vez que eu fui pra lá, estava em busca de algumas respostas. nas duas primeiras, gostei do que encontrei. a penultima vez, em 2004, eu realmente nção gostei do que encontrei. quem pergunta tem de estar disposto a ouvir. e eu obtive as minhas respostas num fim de tarde triste em copacaba, longe de casa e escrevendo alucinadamente num caderninho espiral que a essa hora ja deve ter ido para o espaço.
voltei do rio pior do que fui, mas sabendo o que ia se dali pra frente. nos quatro dias que passei lá, li pergunte ao pó, tinha acabado d conseguir a versão da brasiliense, com tradução do leminski. fui sozinho nessa ocasião. estavamos sozinhos, eu e o bandini.
fumei sozinho num quarto de hotel. na minha pequena opera pessoal, foi uma rapsodia triste, adagio. as ruas do catete soavam como um piano martelo ao estilo americano, e com violinos dramaticos, para não se chorar pela metade.
por O Anfitrião 3:45 AM
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[Sábado, Maio 20]
esse blog ja tem mais de tres anos. eu não sei o que isso significa, e não pode significar qualquer coisa. eu sinto saudades de uma loja do rei do mate na são joão. essa semana ainda vou passra lá. até lá, se eu puder recomendar alguma coisa pra algum leitor, eu recomendaria reler um ou dois capitulos do apanhador no campo de centeio.
para quem ainda não leu, ja deivia ter começado.
por O Anfitrião 1:25 AM
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[Terça-feira, Maio 16]
dia quente na cidade da garoa. aqui na bela vista tudo estava fechado depois das 20hrs. as padarias, a locadora, o chaveiro, a papelaria, os dois mercadinhos, o boteco, a banca de jornal. o toque selencioso de recolher, que ninguém avisa mas todos sabem, tão comum na periferia, chegou em toda a cidade com a naturalidad da chuva fina dessa noite de outono. so ficou ela mesmo na rua. eu voltei logo pra casa.
o Lembo ja disse que esta tudo sobre controle. tuso sobre o controle do PCC, é claro. uma organização criminossa, corrupta e planejada para atender principalmente os objetivos de seus lideres, usando suas camadas mais baixas como ferramentas desses processos. como qualquer partido politico ou Estado nacional.
tão claro isso que seus alvos foram basicamente os instrumentos do poder institucionalizado. um processo bem parecidso com o dos chamados "rebeldes" iraquianos. e com uma eficiencia que as organizações de esquerda jamais sonharam. poucos partidos comunistas no mundo conseguiram proeza igual, e menos ainda conseguram superar o PCC. talvez os russos, e os espanhois. o nivel de paralização que eles conseguiram provocar numa cidade do tamanho de são paulo é de causar inveja em grupos como o Hamas. o IRA nem em seus maiores delirios deve ter sonhado com uma ação como essa.
estão sem duvida, de parabéns.
por O Anfitrião 1:22 AM
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21 gramas é um filme genial. uma montagem ousada e bem feita, que apesar de fora dos padrões é bem feita o bastante para o espectador não se perder, um roteiro perfeito, da concepção aos diálogos, uma fotografia fodidamente inteligente e bonita, uma direção imperceptível (coisa de bons diretores) e principalmente, grandes atuações.
quase toda obra que fala de doação de orgãos parace desesperada para provar a necessidade e a nobreza desse ato. um tipo de postura bem didática, que ja deve ter salvado centenas de vidas, mas que infelizmente compromete quase sempre a qualidade artistica. a arte tem relmente um problema com o mundo pratico, e isso é mesmo lamentável, mas inevitável. 21 gramas parece querer provar que duas pessoas que estavam para com a vida comprometida precisavam mesmo é ficar mortas. a sustenção dessas duas vidas, a do doador, na forma do orgão transplantado, e a do paciente, parecem so trazer mesmo muitos problemas.
21 gramas repete a mesma ladainha dos gregos e seus edipos e antigonas: não se foge do destino, lamentável, mas inevitável.

por O Anfitrião 1:03 AM
Entra e sai:
[Sábado, Maio 13]
algumas pessaos tem a capacidade de nos surpreender absurdamente. existem limites para o que vc espera das pessoas, e as vezes elas passam no fioentre limites e inauguram um novo campo de surpresas. fazem coisas que voce não espera. dai pra frente, voce passa a esperar um monte de coisas novas.
pessoas covardes são mais perigosas que as corajosas. vc sabe o que esprar de quem tem coragem. quem não tem é traiçoeiro, e te pega desprevinido. o covarde tem de ser tratado com mais cuidado do que o corajoso.
de resto, tudo na paz.
por O Anfitrião 1:45 PM
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vamos falar de coisa boa, como dizia meu avô, então aqui vão as fotos do rio:
o hotel em que a gente fica, no catete.
Os arcos da Lapa
Vista de Santa Tereza
A garota mais linda da cidade, sendo linda em outra cidade
por O Anfitrião 1:31 PM
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[Quinta-feira, Maio 11]
pretendo voltar a blogar com mais intensidade daqui pr frente. além de ser legal escrever aqui, ainda é um exerciciovbom para escrever, meio que se cobrar para escrever no blog. acaba estinulando para escrever mais, e eu ando fervilhando na teoria, mas fazendo pouco na pratica. sei lá, as vezes eu funciono assim. sempre que volto do rio, volto escrevendo bastante, e parece que dessa vez não será diferente.
como diria o pariz, o rio é uma doidura, uma doidera loco sem precedentes. é uma cidade muito bonita, e tem um centro exelente para se flanar. e isso é o que eu mais gosto de fazer em qualquer cidade: flanar! gosto de tentar sacar as ruas e criar o mapa da região na cabeça. minha unica obsessão ao flanar é sacar o mapa, decorar as ruas, entender cada uma delas. um geógrafo dos centrões, e o centor do rio é exelente para esse tipo dfe flanatividade.
é um lugar meio esquecido por quem é de fora do rio, ningém nunca lembra de muita coisa do centro de lá, não aparece em cartões postais (a não ser alguns poucos predios modernosos), e não faz parte dos principais roteiros das agencias de turismo. mas é meu lugar preferido do rio. fico muito tempo por lá.
a patricia gosta mais de natureza e praia do que eu. achei que, nessa viagem, a gente ficaria bastante pelas regiões das praias, copacabana, leblon, ipanema. mas so fomos uma unica tarde pra lá. ela é também muito urbana, descobri isso esses dias. nosso passatempo era flanar pelo centro, em busca de um chop ou uma empada. tomei um chop na beira da praia, mas duzias deles longe dela.
uma das coisas mais bacanas de lá é que não existe muito uma parte nova e otra velha, uma berrini u uma paulista, ou uma libero badaró. tudo lá é misturado, inclusive aquele parque no meio do largo da carioca. um lugar espetacular, que pode ser coberto todo a pé.
apesar de não me sentir bem quando estou longde de são paulo, acho o centro do rio mais bonito que o de são paulo. sem exageros, é apenas uma imprissão, posso duvidar disso o futuro.
por O Anfitrião 5:45 PM
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[Sexta-feira, Abril 28]
ando bebendo menos. hoje abri minha melhor garrafa de vinho, a melhor que ja tive em casa. ando feliz. as vezes acontece.
por O Anfitrião 2:59 AM
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[Quinta-feira, Abril 6]
ao menos um de nós chegou lá. a mariana foi escolhida para fazer a oficina de interpretação da fernanda d´umbra. da vila medeiros para a roosvelt, isso é o que eu chamo de ascensão social.
por O Anfitrião 5:40 PM
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[Domingo, Abril 2]
era uma vez um garoto que morava ao lado do Circo. assim, mesmo perto, eles dividiam o mesmo terreno. o garoto achava o Circo algo realmente deslumbrante, não havia nada que emocionasse mais nosso pequeno herói do que a tenda volumosa do circo. so que ele não podia entrar.
a razão não importa para a história, pois em verdade o garoto também não sacava por que el não podia entrar. o certo é que ele passava as tardes, as noites e as manhãs admirando a bela tenda e ouvindo as risadas, sempre do lado de fora. rodeava a lona em busca de buracos, mas não achava nunca nenhum em fosse possivek ver o picadeiro. sempre atiçado de curiosodade, e sempre deslumbrado com a infinita diversão em baixo da lona colorida, o nosso joem e infeliz herói tentou se aproximar ainda mais no circo, na esperança de que, por uma brecha, ele pudesse entrar ali.
passou a cuidar do macaquinho, dar de comer ao leão e afagar a cachorrinha amestrada. limpava a jaula do elefante e esfregava o pescoço da girafa. passava semanas em suas atividades, sempre paciente, acreditando que, de uma forma ou de outra, ainda saberia o que é estar denro do circo.
as pessoas do circo pareciam cada vez mais dependentes dos ser serviços, que antes eram apenas gentilezas de um garoto solitário e sem nada melhor para fazer. ele passou a ser requisitado o tempo todo, e se envolveu com toda a vida do circo. ainda assim, por mais que pedisse ou se disfarsasse, era sempre barrado na entrada do circo, sessão após sessão.
um dia, cansado de tentar entrar, ele se sentou na porta do circo, enaunto as pessoas entravam, acendeu um cigarro e disse. "foda-se, eu nem gosto de palhaço." nunca mais foi visto.
por O Anfitrião 11:24 PM
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[Sexta-feira, Março 24]
coleman hawkins é o silencio que as vezes eu preciso.

por O Anfitrião 11:21 PM
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[Quinta-feira, Março 23]
A vida era mais facil com os problemas simples dos pre adolescentes dos desenhos da nickelodeon. eu via ginger, rugrats crescidos, doug, e era tudo tão facil de resolver ate o final do episodio, uma vó exentrica, um namorinho de ginásio, discussões com os pais sobre hora de voltar pra casa, algumas boas piadas e uma mostra do cotidiano do suburbio americano. eu tinha uma sala enorme no fundo da casa so pra mim, alguns amigos que eu podia confiar e algumas boas ideias na cabeça. o bar do meu pai era cheio de bebidas espetaculares, que eu podia me servir a madrugada inteira, escolhendo o que eu quisesse.
eu juntava dinheiro para mobiliar um apartamento e gastava um pouco em ingressos de cinema, comida na rua, cerveja nos botecos. algumas coisas mudaram, e eu não me lembro de ter planejado isso. eu so me lembro de ter preparado o espirito para o que desse e viesse. mas de certa maneira, eu previa tudo o que ia aocntecer, e, se mesmo com uma forte intuição eu resolvi tentar, eu vou ate o fim.
mas é uma barra. não recomendo a ninguém, de nenhuma forma. não posso dize se valha a pena. não acho que eu não tive escolha. também não acho que foram decisões. foi apenas um monte de coisa que tinha de acontecer, e mais um monte que ainda vão. ainda tenho o vinho.
por O Anfitrião 1:32 PM
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[Segunda-feira, Março 6]
a cidade é infestada de latrinas, mas de madrugada é mais fácil encontrá-las, pois alguns desses buracos podem ser a unica coisa aberta que voce vai encontrar. não são lugares ruins para tomar uma dose de wiskie, e ainda ha buracos em que as pessoas se enfiam para dormir, devido ao preço, bem mais em conta que os hotéis.
apesar das ruas absurdamente desertas, costuma ter muito movimento dentro desses recantos. não é a sujeira, a falta de roupas, a falta de luz, a má qualidade das bebidas ou da projeção, os corpos decadentes e rostos feios ou a sujeira do chão, não é o cheiro nem a aperecia péssima desses lugares que os tornam latrinas. não é so isso, o que torna esse lugares tão escrotos é sem duvida a sensação de deslocamento e desconforto, os olhos perdidos de quem esta enfiado ali por algum motivo.
quem se mete ali é por que não conseguiu ir, estar ou permanecer em nenhum outro lugar, por qualquer motivo. são campos de refugiados, campos de concentração de quem ta perdendo as suas proprias guerras internas, uma espécie de exílio da carne e do expírito, distraido pelos gemidos fingidos de alguém na tela ou no palco.
por O Anfitrião 1:34 PM
Entra e sai:
[Sexta-feira, Março 3]
a beleza, a beleza é algo que faz falta. o rio de janeiro me enche de bem estar mesmo me sentindo deslocado andando pela cinelandia ou pelo aterro, mas aquela beleza, a beleza é sempre convidativa, por que de certa forma ela é para todos, ao menos a felicidade, as boas sensaçoes que trazem olhar aquilo que é belo.
ela é bela. belíssima, de banho tomado, cabelo molhado, saia estampada, blusa estampada, um olhar delicado. essa beleza pela casa, enchendo o 1014 de uma certa alegria, mesmo em dias ruins, mesmo em dias azedos, mesmo em dias que eu não estou bem, ou que ela não esta bem, ou nenhum de nós está bem, eu olho para ela e vejo a beleza, e me sinto melhor, como quem olha para o pão de açucar, ou para o amanhgabaú, ou para a pinacoteca, como quem ouve uma musica dos beatles. ela é bela como yesterday, bela como she is living home, bela como something, ela é bela como um poema do bukowski, bela como um parágrafo do fante.
as mãos jogadas pelas pernas cruzadas, o olhar quase sempre perdido, como uma personagem desses filmes franceses que a gente assiste pela cidade, um daqueles filmes bonitos que a gente sai encantado do cinema.
a beleza não é realmente essencial, e pode-se viver com saúde por bastantes anos sem ela. mas a beleza tornou o ultimo ano da minha vida mais interessante. a beleza não precisa responder quando vc chama, o pão de açucar não sai do lugar, copacabana não sai do lugar, a beleza vai continuar existindo antes e depois de vc, a beleza não se importa com o que vc pensa dela. a beleza apenas esta ali, se vc puder se encantar de olhar, melhor para vc, para a beleza, é indiferente.
há muitas coisas belas, mas a beleza de uma mulher é a unica que vale uma bebedeira.
por O Anfitrião 10:04 PM
Entra e sai:
[Quinta-feira, Fevereiro 23]
E a minha pita, que foi a por fora!
por O Anfitrião 8:06 AM
Entra e sai:
[Segunda-feira, Fevereiro 20]
to triste, mas eu tinha de fazer isso. num da mais para ficar do jeito que está. eu to fora.
por O Anfitrião 4:30 PM
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[Terça-feira, Fevereiro 7]
toda a vez que eu assisto apocalipse now eu tenho um sentimento dividio: uma parte de mim deseja ser escritor para escrever algo assim. a outra tem vontade de desistir, da a impressão que o maximo que eu faria era redizer o que ele ja disse. o filme é a medida exata das coisas, sem nenhum exesso ou falta de elementos para passra a mensagem. cada vez que eu assisto, eu me encanto com uma parte nova. o coronel kurts ja é uma das minhas referencias mais importantes.
é um dos filmes que eu mais gosto mesmo. o melhor road movie ja feito.
por O Anfitrião 12:06 PM
Entra e sai:
[Domingo, Fevereiro 5]
montar um telão agora em algum lugar da regis bittecourt que eu não faço nem ideia de onde seja. ja devia ter saido, to esperando o zé, que vai me fazer compania. to me sentindo sozinho, não é a primeira vez.
ontem jogamos conco partidas de xadrez, eu e o zé. ganhei tres. o zé andava imbatível, e eu consegui desbancar o reinado dele. uma das partidas, uma virada incrivel, eu estava a duas jogadas do xeque mate quando dei uma sequencia violenta com a rainha e os bispos, e encurralei o rei dele. jogamos sicnuca também, mas nisso não somos realmente nada. uma sinuca na rua da gloria, clientes compostos basicamente de coreanos. ninguém falava portugues, fora nos e o dono do lugar.
ja essa tarde aconteceu uma coisa que me deixou um pouco confuso das ideias. algo que eu esperava a muito tempo, do nada, aconteceu. algo que eu ainda não entendi. algo que nem sei se devo acreditar que aconteceu. mas mudou meu humor essa tarde, e possivelmente a minha vida, para sempre.
um dia falo disso, por enquanto é melhor não.
por O Anfitrião 4:34 PM
Entra e sai:
[Sexta-feira, Janeiro 20]
puta ressaca essa manhã. alguns wiskies, cerevejas, caipirinha e vinho. acordei cedo por causa do calor, não conseguia mais dormir, nem queria sair da cama. acordei com vontade de mijar no mundo pela janela, e depois dar a descarga. acordei sem vonta de olhar minha cara minha barba mal feita meu cabelo por cortar no espelho. acordei e não devia ter acordado.
acordei com vontade de cair fora. ou ficar por aqui com as portas trancadas. tenho vinhos do velho mundo, e uma garrafa cheia de wiskie també, pinga e alguns limões. tenho bastante cafe também. e posso tolerar o entregador de pizza, se for o caso. vou fechar a janela para o homem aranha não entrar. não to a fim das piadas fracas do peter parker.
talvez eu assista apocalipse now de novo. talvez assista mais de uma vez. talvez releia uns gibis velhos. talvez eu so volte pra cama e tente esperar essa ressaca passar.
eu sei que não vai passar.
por O Anfitrião 11:02 AM
Entra e sai:
Transcendência
Ela dá mais um gole
No iogurte e
Parece estar delicioso
Ela olha direto para mim
como quem quer
a minha pele
eu agradeço e desligo
a TV
Esta tarde
eu não estou a fim
de transcender
Eu já usei o símbolo
da paz no pescoço
E ouvi Hendrix nas
noites do Tatuapé
Eu conhecia uns
caras que me garantiam
que isso era
o caminho da salvação
já assisti culto de igreja
evangélica
e comprei um
tira mancha
que o cara anunciava na TV
numa propaganda de 45 minutos
Eu já fui em missa de sétimo
Dia
e entrei num Pet Shop
numa tarde de sábado
chuvosa
Levei flores no cemitério
em dia de finados
e tentei perder a vergonha
me tornar mais sociável
tomando alguns tragos
Mas a noite só ficou mais longa
E entediada
Guardei uma garrafa de vinho
para tomar com uma garota
em uma ocasião especial
eu não a vejo
Faz mais de um ano
ela teve um filho
e eu ainda não abri o vinho
fiquei acordado
até tarde
para ver o Jô Soares
e montei
a discografia do
Iron Maidem
Já acreditei em partido
tenho alguns bons livros
na estante
li Jack Keroac
e Allen Ginsberg
Baudelaire
Resolvi criar hamster
ter um aquário
mas
Esta tarde
eu não estou a fim de transcender
Contei epopéias sexuais
em conversas na calçada
sentado a mesas de ferro
desbotadas
Colecionei miniaturas de
carros esportivos
e comprei uma
guitarra importada
Experimentei Wiskie, Gim, Vodka
Vinho Cerveja, Pinga, Caipirinha,
Licor e Batida
Ouvi Música Eletrônica
e defendi os direitos das bixas
Freqüentei bares badalados
da Vila Madalena
Participei de grupos
de discussão de Nietzche
acusei a hipocrisia das instituições
dormi no chão do pátio
no ponto de ônibus da Brigadeiro
e mijei na pia
do Terminal Princesa Isabel
mas hoje estou preguiçoso
um pouco entediado
e de saco cheio
já está escurecendo
e, pelo menos, até amanhã,
eu não estou a fim de topar com
a trascendência
Tchê Costa
03/12/2002
por O Anfitrião 10:52 AM
Entra e sai:
[Domingo, Janeiro 15]
Algumas Pessoas
algumas pessoas
sofrem demais
com coisas pequenas
e não se atem
ao mais importante
algumas pessoas bebem
e fumam
outras
passam horas
visitando os mesmos
sites
debruçados
no computador
algumas pessoas
não esquecem seus passados
batem sempre na mesma tecla
e acreditam nas mesmas coisas
algumas pessoas
sofrem quando
pensam
que deveriam
acreditar em outras coisas
e continuam alimentando
seus sonhos
e seus devaneios
com entorpecentes leves
e com a luz da cidade
algumas pessoas
ouvem os mesmos discos
e passam
tarde melancólicas
tentando se lembrar
onde foi que
tudo começou
são pessoas que
sempre acreditam estarem
finalmente
chegando em algum lugar
após tanto tempo
vão sempre acreditar nisso
são pessoas assim
que trocaram a esperança
pela teimosia
quando a primeira não
valia mais nada
que mentem
sobre o que sentem
mentem mal
mantém a cabeça erguida
quando passam na rua
mas o olhar baixo
algumas pessoas
se vestem mal
ou
passam dias sem tomar banho
escolhem errado
seu corte de cabelo
fazem tatuagens ruins
tem vidas sedentárias
algumas pessoas
nunca tem horário para comer
e quando passa muito da hora
de uma refeição
ingere qualquer coisa saborosa
que esteja a mão
algumas pessoas acordam muito tarde
não lavam seus banheiros
ou sua louça
algumas pessoas
visitam seus pais aos domingos
e recebem os amigos no fim do dia
e tomam porções generosas de conhaque
ou matam garrafas de cerveja
jogam xadrez sem pressa
penduram fotos pela geladeira
e outros cantos da casa
algumas pessoas
perderam a fé
mas ainda acreditam
que podem recuperá-la
são pessoas
que alimentam sonhos toscos
pequenos planos
e precisam de um pouco
de carinho
eu conheço algumas pessoas
assim
Tchê Costa
15/01/2006
por O Anfitrião 8:45 PM
Entra e sai:
fui filmar uma bodas de prata de uns japoneses ali na tamandaré essa noite. um salão em frente ao hospital Modelo. ai vem na cabeça algumas lembranças. fiz cursinho no anglo no ano de 1999. sempre fui CDF e gostava de aprender pela ultima vez na vida algumas coisa, como quimica e biologia. mas detestava aquele monte de gente, aquele deposito de gente jovem e empolgada. eu queria estudar, era mais jovem e mais empolgado do que sou hj, mas não me sentia confortável no pátio do anglo, disputando na fila um salgado mal feito e caro, para ser comido de pé, tendo de gritar para conversar com algum demente sem assunto. não fiz amigos no cursinho, nenhum que durou.
na hora do intervalo, que era longa, meia hora, eu subia ate o Hospital Modelo, que é ali perto. entrava no estacionamento e ia para a lanchonete do hospital. um lugar aprazivel, em meio a um pequeno jardim silencioso, onde se podia comer um americano e tomar uma coca cola sem ser incomodado. ficava ali ate quase dar o horario. e depois voltava para o tumulto.
não tive uma boa relação com meus colegas de escola quando era criança, eles costumavam me aporrinhar e dar uns sopapos de vez em quando. pode ser por isso que eu não gosto de gente. ou vai ver que ja não gostava na época, por isso eles me batiam. eu passei a gostar ainda menos das pessoas, é como uma bola de neve, quase infantil de tão simples.
a cidade fica vazia a essa hora. gosto de andar pelos calçadões do centro de dia. ar ruas lotadas, mas ninguém presta atenção em ninguém. mas é ainda mais aprazivel de noite. vazio, escuro e siencioso. gosto de hospitais por isso, gosto do centro de madrugada, gosto de igrejas e gosto de predios altos. todos pelo mesmo motivo.
por O Anfitrião 1:30 AM
Entra e sai:
[Sexta-feira, Janeiro 6]
Parati
esses olhos...
por O Anfitrião 12:04 PM
Entra e sai:
[Quinta-feira, Dezembro 1]
agumas pessoas insistem para que eu va no seus cultos, ora, não é possível que a minha falta de fé seja tão importante para os outros, deus ou qualquer coisa ignora a inha falta de fé, não deve fazer a minima falta para ele. as pessoas explicam meu ateísmo pela falta da experiencia religiosa na minha vida. ou na falta de entrega. entrega ao divino, ao superior, ao redentor. algo assim.
meu ateísmo não é definitivamente falta de expericnia religiosa. tive onze anos de intensa experiencia religiosa, nos anos que apesar de serm poucos sempre nos parecem a maior parte da nossa vida. entrei no jardim, me formei no ginásio e fui para um outro colegio de freiras. mas a verdade é que o sion não era nenhuma expericnia religiosa, não que fosse um mentes perigosas, mas realmente a vida religiosa não fazia parte diretamente da nossa vida de alunos.
no santa maria, não. vivamos a vida de um convento. nos onze anos, todas as manhãs, rezávamos o pai nosso, ave maria, e santo anjo. as vezes, a freira que comandava a oração esquecia o santo anjo. eu não gostava. queria rezar todas, cmungar com o pai criador.
ate a sexta série, todas as rezas eram feitas antes de entrarmos na sala de aula, todas as classes, do maternal a oitava série, de pé, enfileirados por ordem de tamanho. a irma, geramente a Anunciata, uma freita nissei, muito lucida e inteligente, fazia um pequeno sermão, sobre as coisas que aconteciam na escola e no mundo. na sexta série, instalaram auto falantes na sala de aula, mas não deu muito certo. quase sempre a oração era mesmo no patio, acho que eramos poupados em dia de chuva. ah, e nas sextas e segundas cantávamos o hino nacional.
havia uma capela, e visitavamos a capela regurlamnte. sempre havia alguma freira idosa rezando. haviam muitas freiras, muitas velhas espalhadas pelo convento, esperando o derradeiro encontro com o pai criador. uma vez por ano, uma delas caia fora.
recentemente visitei a escola, e a sensação de santidasde dentro da capela era quase a mesma.
uma a dua svezes por mes haviam eventos comomorativos a alguma coisa. dia da árvore, páscoa, dia da bíblia, mes de maria, mes das voca~ções, campanha da fraternidade, dias dos ais, dia das mães, os alunos montavam pequenas apresentações, assistidos pelos professores. haviam algumas coisas nada a ver, as meninas inventavam uma coreografia de jazz no dia da comemoração do dia livro, e era legal, algumas delas usavam shortinhos pequenos.mas a maior parte da tematica era mesmo algo voltado para a religiosidade da data, mesmo no casp de comemorações çaicas, como sete de setembro.
eu gostava de tudo isso. a gente não tinha aula durante esses eventos, e dava para conversar. mas mesmo na multidão de todas as salas de aula, a irmã via quem esrava conversando, e fazia uma censura direta, em frente a toda a escola. era melhor ser discreto. mas eu também gostava de vivenciar, prestar atenção e curtir aquele lance todo. eu tinha minha reliiosidade a flor da pele.
eu tive meu contato com o divino, mas no final nos não nos entendemos. não nascemos para ficar juntos, eu sinto muito. fui um católico dedicado. coinheçoi a biblia mais do que alguns conhecidos evangélicos praticamntes. fiz promessas para a virgem maira, rezai para pedir e para agradecer. ia as missas orgulhoso. tinha vergonha de ficar com o pau duro na igreja. de peidar na hora de receber a hóstia. senti uma imensa alegria quando conheci Fátima e vi a oliveira em que a virgem apareceu para os pastorzinhos.
mas agora estou por fora. ele vai entender. se não entender, depois eu explico pra ele.
por O Anfitrião 1:18 PM
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[Segunda-feira, Novembro 28]
na época ninguém lia bukowski, o conan falou, então eu escrevi o meu e mail euleiobukowski@hotmail.com. ele é um dos poucos caras que eu conheço que tem o factotun. agora, continuou, popularizou, vc encontra bokowski ate em farmacia. com certeza fazendo uma referencia aos livros da LP&M.
parece ate uma metáfora. estantes da L&PM com livros do bukowski na farmácia. tenho alguns livros dele na minha caixa de primeiros socorros. junto com o St. Peppers, Trimedal, aspirina, digeplus, Brahms, Fante, vinho do porto, Sallinguer, Coppola, Lindão, xarope de guaco, própolis, novalgina e aguns videos de sacanagem totalmente amadores.
UTI pra mim é Fabulário Geral, no leito improvisado da poltrona, assistido pela vista dessa cidade. a melhor, mis cuidadosa e mais gostosa enfermeira.
por O Anfitrião 12:45 AM
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[Sexta-feira, Novembro 25]
a cidade dorme mais tarde numa noite quente como essas, havia muitas janelas acessas até a gora a noite, a cidade toda começa a mudsar, agora tem um monte de carrinhos de fruta em todo canto. as garotas ja usam aquelas blusinhas, com os peitos soltos, e as costas a mostra, isso torna os passeis pela cidade ate mais agradaveis. daquia a pouco os botecos vão ter mais gente sentada tomando cerveja, e eu vou estar um pouco mais por lá também.
na galeria metrópole, no marajá, na roosvelt, na barão, a algusta. a cidade começa a ficar mais vazia ainda de dia. ha gente sentada bebendo ainda de dia. as janelas do 1014 vão ficar todas abertas o dia todo, e vai correr um vento que derruba porta retratos. a gente bebe mais vinho branco e espumante também. vai ter siriri voando nos postes, e vai ser mais gostoso ir no rei do mate. vai dar vonta de de ir no rio de janeiro. mas eu devo ficar por aqui, e ir no cinema, no fim da tarde, e depois matar umas cervejas na noite fresca. eu gosto da cidade.
por O Anfitrião 12:49 AM
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compararam alguma das atitudes que tenho tomado com os personagens do filme edukators.deve ser por ai.
por O Anfitrião 12:38 AM
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fiz trilogia de cogumelos essa noite. sonhei com esse prato, eu cozinhava carne com chitaque e outros cogumelos. acordei com a receita na cabeça, fui na liberdade atrás deos tres cogumelos clássico,s champignon fresco, chitaki e shimeji. refoguei os tres bem picados com azeite, joguei tofu picado, e um monte de pimenta do reino. coloquei shoyo, e deixei a coisa toda cozinhas na agua que saiu do cogumelo. fritei umas guiozaz previamente adquiridas na liberdade.
faltou o alho poró, mas estamos fora de época. com alho poró, o cogumelo, sem o tofu, fica um otimo recheio de torta.
essa é a culinária européia baseada em alimentos estragados. o vinho, antes de ser vinho, é um caldo onde se vc jogar um gato, ele derrete naquelas bolhas. um caldo venenoso e vivo. o queijo é queijo estragado. o pão é farinha mofada. come-se muitos cogumelos, que é um fungo que cresce na terra cheia de esterco e em galhos podres de árvore - dispenso comentários óbvios sobre chá alucinógino de cogumelo que cresce em esterco de vaca. a maior parte dos embutidos passa por um processo de fermentação também.
a culinária européia é baseada em estragar a comida, para depois comê-la.
eurpeus são he´róis gastos pelo tempo. europeus carregam nas costas séculos de uma história quase sempre sangrenta e miserável. europeus transformaram comida podre em alimento fino. os alemães tem conserva de repolho, o chucrutz, que passa por uma fermentação também. é muito grande a miséria de um povo que precisou fermentar repolho para ter algo pra comer durante os messes de frio. as vezes penso que europeus são uma praga pior do que os ratos, espalhan-se por qualquer canto do planeta - ha muito poucos lugares no mundo em que euopeus não infestaram, eles se adaptam em qualquer ambiente, e verdadeiros carniceiros, se alimentam basicamente de comida previamente estragada.
muito interessante esses europeus.
por O Anfitrião 12:36 AM
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[Sexta-feira, Novembro 11]
to filmando uma ópera no teatro são pedro. a viviam me deu o contato, pois a direção da parte cênica é dos parlapatões. vãos er quatro dias de film,agem, hj é o ultimo. os outros foram segunda, terça e quarta. é um troçe bem legal. melhor que filmar criança e noiva. e tem uns rangos fodaça nos camarins.
por O Anfitrião 4:29 PM
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[Domingo, Novembro 6]
eu ja sei que não quero cerscer. não existe vida fora do CRUJ. quero ficar por lá ára sempre. sempre vão haver cervejas na geladeirinnha velha. cervejas quase quentes. a vitrola vai estar sempre com a agulha cega, com a borracha frouxa. o pablo vai estar fazendo seu artesanato, e vamos fazer a coisa como se deve, sem pressa, cada um na sua vez.
não ha nada pra mim fora do CRUJ. fora do CRUJ, eu sou apenas uma criatura bizarra, as vezes um porco repugnante. fora do CRUJ eu tenho um monte de coisas grandes para conquistar. fora do CRUJ, todas as mulheres do mundo existem, e queria que todas elas sumisse, que não existisse mais mulher nenhum ano mundo. ou que eu não tivesse de sair nunca do CRUJ. que eu pudesse ficar lá como num bunker, onde nenhum sonho imbecil possa entrar, nenhuma decepção amorosa, nenhuma reclamação de cliente, nenhuma festa mala, nada dessas porcarias conseguem invadir o bunker da vila maria.
quero me esticar nas almofadas e ficar quieto. quero pensar na vida estando longe dela. quero sentir saudades sem sentir falta. quero lembrar de coisas chatas e sorrir. quero rir dos meus amigos e eles de mim. quero jogar jogar xadrez quando o dia estiver amanhecendo. quero posters das mostras passadas, e me sentir como ainda durante uma delas. quero beber vinho em xicaras de vidro.
não quero a responsabilidade de mais nada. eu ja sei que sei fazer a coisa. ja mostrei serviço e fiz bonito. agora quero a minha solidão de volta. quero fichas de fliper no Samarone, que jackpots, quero multibol. quero x-saladas gordurosos olhando a praça. quero entrar no CRUJ, tirar o sapato, sentar no chão e não esperar que mais nada aconteça. e ficar feliz com isso.
por O Anfitrião 12:42 PM
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[Sábado, Novembro 5]
depressão pós mostra, fica um vazio. uma preguiça, um certo cansaço antecipado do tanto de coisa que eu tenho para fazer daqui ate o fim do ano. pode ser que pinte um negovcio legal, filmar uma ópera no teatro são pedro. daria muito trabalho, mas um trabalho que eu ia adorar fazer, por que adoro musica clássica. mas os caras estão sem verba, precisam conseguir o dinheiro com a prefeitura. ok, eu epsero torcendo, hj tem um anversario, ok.
mas tem muitas edições atrasadas. e mais uns trampos nesse pé. hoje precisava capturar video, ou fazer compras no mercado, mas estamos por aqui, eu, a débora e a patricia, revezando o computador e ouvindo rock n roll. não sei muito o que escrever hj, é so uma tarde meio morta e preguiçosa, mas que eu estava a fim de escrever.
por O Anfitrião 2:46 PM
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[Sexta-feira, Novembro 4]
e a mostra acabou, com novo recorde. 52 filmes, em duas semanas. nunca sou o memso depois de uma Mostra. é uma carga de informação enorme em pouco tempo, ao mesmo tempo que é uma mudança de rotina muito grande num tempo considerável. a cidade ganha outra cara. eu ando na rua enquadrando o mundo.presto atenção nos barulhos como se fossem parte sons incidentais dos filmes.
mas principalmente, pelo menos uma vez por dia, um cara vai te colocar contra a parede. são 4 filmes por dia. as vezes é num filme ruim, mas sempre alguém vai te colocar contra a parede, vai te dizer algumas coisas pesadas e vc vai ter so uns vinte minutos entre uma sessaõ e outra para pensar naquilo. alguns ingenuos se perguntam se isso não é ruim. se não era melhor ter mis tempo para digerir essa carga. meus caros, na vida, nem sempre ha tempo para pensar muito. um café, um salgado. asd vezes a subida da algusta. as vezes é so o que voce tem para epnsar no que vc acabou de aprender. a vida não para para ninguém ficar pensando nela.
quse sempre coltando pra casa a poé na descida da algusta. a primeira mostra que eu faço desde que cai fora de casa.
a mostra é uma religião sem Deus. a prima da maíra, essa semana, me disse, "nossa que legal, vc tão apaixonado por cinema". não sei se sou apaixonado or cinema ao menos não da forma que ela chama as coisas de paixão. eu to ali para ver alguma coisa. não é cinema. não é arte. é vida. pode ser qualquer coisa parecida. não por acaso é cinema. mas eu vi nessas duas semanas henry chinaski dar seus sapatos para a sua garota. e essa foi uma das cenas mais romanticas da história do cinema. vi zucker simulando infartos para poder continuar a jogar sinuca. vi um diretor de cionema palestino querendo cair fora enquanto testa não atores que so querem paracer no video para tentarem cair fora, conseguirem um passaporte. vi um cara vivendo a coisa mais parecida com o que chama de solidão, enquanto agonizava com cancer. sim, eu entendo, a solidão de verdade é a morte. pode ter quanta gente tiver a sua volta. voce esta sozinho. definitivamente.
a mostra é um momento de solidão. é voce e o filme. esse ano a patricia me acompanhou em quase todos os filmes, em outros eu encontrei o pablo e a mirella, ou outras pessoas. mas a hora que a vinheta de abertura acaba, é so vc e o filme. e ai, eu volto a ser o adolecente desluimbrado, tentando achar alguma coisa de diferente no mundo, alguma coisa realmente interessante. subindo e descedo a augusta atrás dessas coisas.
por O Anfitrião 1:57 AM
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[Quarta-feira, Outubro 26]
eu reparo o tempo todo nela. ela sabe disso, eu imagino. ela é discreta, eu não. eu não sei esconder o que estou pensando ou sentindo. ela não consegue esconder o que esta sentindo, mas é boa em esconder o que esta pensando.
gosto de olhar seu corpo, pensa em cada uma daquelas partes. ela não usa muitos decotes, embora tenha seios grandes e bons e bem formados. um decote pode ser bastante perigoso, em alguns momentos de um dia dificil, um decote pode abalar drasticamente a lucidez de um homem, ao menos por algumas horas. ja vi decotes em metros, pontos de onibus, filas de cinema, que me fizeram perder o dia. - ainda que de uma forma ou de outra semore se ganha alguma coisa. ela não usa decotes grandes, seus belos seios arredondados, levemente apontados para fora ficam sempre bem guardados. gosto de prestar atenção no cheiro dela, as vezes, enquanto ela fala sem parar, eu esqueço o que ela esta falando, me concentro no cheiro do corpo dela.
mas sua boca é a parte mais atrativa, sem duvida. nem grande nem pequena. bem desenhada, sempre se mexendo, se entortando, falando. vermelho claro, aqueles lábios ficam perfeitos com um pouco de gloss. eu costumava lembra-la de passar gloss neles. gostava de ve-los com gloss.
quase sempre eu sei o que ela esta sentindo. quase sempre eu sei como ela vai fazer, o que ela vai fazer. quase sempre eu lhe dou conselhos, ou explico alguma coisa pra ela. quase sempre trocamos ideias e conhecimento sobre cinema e literatura. quase sempre ha uma troca entre duas almas semelhantes e que se sentem confortaveis, aconchegadas uma a outra.
mas a vezes em que eu me sinto, perto dela, um pre adolescente deslumbrado. e eu olho para ela deslumbrado como quando comprei minha primeira playboy. atonito, encantado, exitado, tenso. e penso que aquela mulher não e real. e agradeço a Deus pelas mulhres não reais, ela em especial, que dão aos sonhos o tempero suficiente para que a gente continue a viver por eles.
por O Anfitrião 1:29 AM
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[Terça-feira, Outubro 25]
Que a mostra ta sendo do caralho? pra quem ainda não contei, está.
por O Anfitrião 4:03 AM
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[Terça-feira, Outubro 18]
a parada da mostra começou. sexta eu inicio com 5 filmes, sessões 01, 02, 31, 26 e 27. sessão 26 ás 21h30 na Unibanco. o filme é o factotum. adaptação do livro homonimo do Bukowski. talvez eu entre com uma garrafa de vinho escondida.
por O Anfitrião 1:28 AM
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[Quinta-feira, Outubro 13]
escrever para mm é um ato de desespero. não que eu pareça ou esteja angustiado, atordoado, quando escrevo, ou quando preciso escrever. nada disso, escrever é uma coisa que as vezes precisa ser feita. mais do que qualquer outra coisa naquela hora, vc não enche o copo num bom parágrafo, não vai ao banheiro, perde o horário de um filme e desencana do horário seguinte. eu posso fazer tudo isso com tranquilidade. escrevo como quem faz café ou pinta uma parede, não sangro pelos olhos, nem disparto raios pelo cu, nem viajo num universo onírico. apenas vou escrevendo uma palavra depois da outra, recriando a imagem, ou a idéia, que ja ta na minha cabeça.
é uma coisa que precisa ser feita, se caso o butijão da vizinha explidise, ou eu visse pela janela uma mina ser atropelada, eu iria parar de escrever na mesma hora, por que apesar de ser um ato de desespero, não é um ato de obsessão. por isso, apesar do desespero, não ha, necessariamente, e ao menos não o tempo todo, voracidade ao tocar no teclado. as vezes há, é verdade, não o tempo todo.
mas escreve não serve pra nada. vc tem dezenas de maneiras de resolver uma coisa. por falta de vontade, ou por incapacidade real, testada após muita insistencia, eu resolvo resolver a coisa escrevendo. e não resolve nada. embora eu tenha de fazer mais do que ir ao cinema, ligar para uma garotaou comer uma puta da liberdade. mas eu tenho de escrever.
e no final escrever não serviu para nada. arquivo salvo, imprimi-se uma cópia, mata o resto do vinho e a vida continua a mesma, so aquela vontade de escrever que passou. escrever é como estra na cama com uma mulher gostosa, vc goza e ja esta com o pau duro de novo, esta acima do seu controle.escrever não serve para nada e o cara tem de estar muito desesperado para tentar resolver a porra da sua vida escrevendo.
tenho escrito bastante nos ultimos tempos. esse final era óbvio, ou lógico, tanto faz. devo escrever mais um pouco daqui a pouco.

por O Anfitrião 3:04 AM
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[Quarta-feira, Outubro 12]
a imprenssa se assustam com qualquer coisa. ou vai é o mundo todo. padre que come criança é tão antigo quanto a igreja católica. e agora vira escândalo. será que as pessoas fingem essa inocencia toda, ou realmente acreditam em instituições? tive um bom professor sobre esse assunto no segundo ano da faculdadfe. é claro que ele não nrespondeu essa questão. o legal da PUC é que, como em todo o mundo, nincguém tinha resposta pra nada. mas ao menos nunca se prontificaram a responder nada também. parece pouco, mas não é.
a PUC foi uma grande escola de não jornalistas. não sei se isso é bom ou ruim. minha turna, todos reporteres natos, a maior parte não virou jornalista. o pariz ta na reutrers em brasilia. grande cara, dedicado pra caramba. ele não imagina o quanto eu admiro ele. mas eu não to nessa. nem o zé. a maíra, mais ou menos. sei lá. a PUC era um lugar bacana, onde a gente discutia assuntos inuteis com caras que a gente admirava. alguns menos, outros bastantes. mas da para contar nos dedos as aulas que eu assisti do começo ao fim. sem sair da aula, era inevitável um café na lanchonete da japonesa, perto da atlética do direito.
por O Anfitrião 4:59 PM
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blur e weezer, o melhor que a musica comercial atual produzio nos ultimos anos. o resto é conversa.
por O Anfitrião 4:40 PM
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[Domingo, Outubro 9]
"A Baby's Gotta Do What A Baby's Gotta Do"
tommy picles
por O Anfitrião 1:36 PM
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blogs abrem e fecham, eu a gardel e associados continuam aqui. blogs são abandonados por messes, e esse sempre tem um post, a cada quinze dias, as vezes mais, mas eles aparecem. não que isso seja uma virtude desse blog, ou um vicio dos outros. so que esse blog tem quase tres anos já. e eu gosto disso.
ainda sou meio novo, o que significa que em tres anos mudou muito. minha vida mudou pra cacete nesses ultimos dois anos e meio. muito mesmo. a verdade é que essas coisas tendem a parar com o tempo, mas parece que ainda mudam algumas coisas. o processador é o mesmo. o resto dos componetes principais da maquina, todos mudaram. bom, a placa de video é a mesma também, mas isso não muda muita coisa.
eu montei um blog para poder colocar disponível para quaquer um o que eu to a fim de escrever. nunca fiz divulgação do meu blog no blog dos outros. pras que? quem quiser que leia. tenho poucos leitores, não tenho contador e nem quero. tenho um publico legal. gosto de ver comentarios do bortoloto e do márcio américo no meu blog. e gosto de ver comentarios dos meus amigos também. eu sei quem é meu publico, e pra mim ta bom. se eu não tivesse leitores, estaria bom também, eu so preciso escrever algumas coisas de vez em quando e colocar elas no ar.
montei a gardel e associados no tempo em que esse blog existe. na verdade, uma alcunha pros meus projetos solos. a coisa agora sustenta minha vagabundagem. tenho ganho algum dinheiro, da pra comprar vinhos, almoçar nuns restaurantes a pampa e pagar uns cinemas. as vezes acho que trabalho demais, nesse fim de ano vou trabalhar demais. mas que se foda, eu gosto de filmar e editar. so não pode atrapalhar o resto das coisas da vida.
considerações de um domingo de manhã. dispersas, soltas, sem ordem alguma.
devo dar uma volta, tomar um café. vou com medo e com o pé atras, com cautela em demasia, com receio e com cuidados. mas não abandono a luta.
por O Anfitrião 1:35 PM
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[Segunda-feira, Outubro 3]
"a verdade é que de ontem pra hoje quase nada mudou. e eu tenho pensado isso todos os dias, ha anos..".
por O Anfitrião 10:59 PM
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Wiskie e silencio
há dias em que eu preciso
de coerência
e racionalidade
colocar as idéias no lugar
como dizem os entendidos
no comportamento humano
pensar em planos
e ter projetos
mas essa noite eu preciso
de wiskie
e silencio
há noites que pedem
emoção
sexo no banco de trás de carros
em ruas escuras
em motéis baratos
em chuveiros
em puteiros
e cinemas vips
em pistas de dança
em pés de escada
embaladas
pelo sax doce
do dexter gordon
ou o piano martelado
do Monk
mas essa noite eu preciso
de wiskie
e silencio
há tardes de sol
de outono
com o céu claro
de outono
o vento cortante
de outono
machucando o rosto
contando histórias
enfeitando as ruas
tardes que pedem
mesas repletas
de garrafas vazias
de cerveja
de conversas inúteis
de planos mirabolantes
de idéias bem planejadas
de imagens coloridas
tardes em caminhadas tranqüilas
pela sete a abril
a procura de
nada
em lembranças de rostos
femininos
e poemas clichês
tardes em que sentir-se
vivo
é um prazer
e provar do olhar
apenas uma delicadeza
mas essa noite eu preciso
de wiskie
e silencio
há momentos em que o
olhar
é doce
como uma canção antiga
ou um bordado artesanal
em que a alegria
parece quase
normal
como
um gato que corre assustado
ou um ônibus lotado
ou a velhice estampada
em um prédio antigo
da Brigadeiro
olhar doce como um licor
que se bebe por prazer
e pelo perfume
mas essa noite eu preciso
de wiskie
e silencio
há noites
em que a tristeza nos faz companhia
e por sorte
há alguém
para dividir o assunto
alguma boa alma
que não se importa
com o mal hálito da sua tristeza
ou as histórias enfadonhas &
cansativas
que ela insiste em contar
como se ela fosse o centro das atenções
quase querendo
diminuir o volume
achando-se mais importante
que o piano do Brubeck
e colocando
mais vinho
em nossos copos baratos de vidro
mas essa noite eu preciso
de wiskie
e silencio
para ter ao menos a impressão
de que estou pensando em algo
para acreditar
que algo está mudando
e saber
ao mesmo tempo
que é tudo a mesma coisa
uma sacada de ferro
fria
e uma paisagem triste
e bem conhecida
Tchê Costa
12/05/2004
por O Anfitrião 10:56 PM
Entra e sai:
de onde vem esse vazio que a maior parte das pessoas parecem trazer dentro de si? será que ja houve no mundo, em algum lugar, ou alguma civilização, em que as pessoas não pareciam estar sempre com uma espécie de vazio, de descontentamento constante? por que parece que todo mundo faz o tempo todo as coisas todas para preecherem uma falta que elas tem que elas tem de qualquer coisa que elas tentam suprir, substituir pelas coisas que elas fazem? será que a sensação que eu chamo de vazio é a mesma que você chama de vazio?
tem dias que o mundo parece ser movido apenas por esse vazio, como se a humanidade tivesse construido uma civilização apenas para preencher o buraco em cada um. e com tantas coisas que foram feitas e criadas, parece que todas elas não são bastante grandes para preencherem os vazios.
por que as pessoas esperam tanto das coisas simples? coisas simples, como a vida, por que as pessoas esperam que ela seja isso ou aquilo. ou esperam que a si mesmas sejam assim, ou de outro jeito? por que as coisas tem sempre de ser de uma determinada maneira, que quase sempre se for dessa maneira também não vai levar a nada, e então vai ter de ser de outra?
por que apesar de tudo o que fazem, conseguem ou perdem e dizem entender, as pessoas estão sempre tão descontentes? esse vazio pode ser Deus. mas as pessoas mais religiosas parecem as mais vazias, na verdade, potes sem fundo se esbaldando de Deus ou qualquer outra figura mistica, e parecem nunca estarem satisfeitos de deus. por que então estamos aqui, vivendo a carne, se a unica coisa que nos preencheria é Deus?
se exuste Deus, então tem de existir algum sentido na carne, mas qual? os espiritas dizem que na carne o espirito se desenvolve, cresce e amadurece. mas por que aqui, num lugar dito inferior, os espíritos vem aprender? a carne deve ser então muito mais do que a gente pensa. não, a resposta não parece encher o pote de Deus, pois ele nunca fica cheio, não ha sentido nisso, o melhor seria entçao logo morrer, se estripar, pois se o sentido é deus, não vale a pena ficar por aqui.
"durante o inverno, a garça permanece com um pé na água congelada e o pescoço abaixado, sem se mover. ela não contraria a natureza, nem tenta fugir dela. apenas sobrevive, usando todas as suas forças. a beleza da garço do inverno esta exatamente nesse esforço silencioso. essa é a unica forma que esse pássaro encontrou para poder sobreviver"
por O Anfitrião 10:49 PM
Entra e sai:
[Quarta-feira, Setembro 28]
Marcelo Coelho mandou bem nesse texto. para quem não sabe, estão construindo uma espécie de rampa em baixo de um viaduto na paulista, para evitar que os mendigos durmam lá. o resto é com ele ai:
MARCELO COELHO
Como embelezar São Paulo (e sair ganhando com isso)
Direitos todo mundo tem: à saúde, à educação, à moradia, à segurança... Verdade é que essas coisas muitas vezes ficam no papel. Mas há um direito humano, lembrado por Anatole France, que até hoje ninguém ousou desrespeitar: o de dormir debaixo da ponte. Eis, frisava o escritor, uma prerrogativa que o Estado assegura "tanto aos mendigos quanto aos milionários".
Recente iniciativa do prefeito José Serra parece colocar em xeque essa evidência. Na passagem subterrânea entre a avenida Paulista e a Doutor Arnaldo, surge uma verdadeira inovação em termos de arquitetura pública: a "rampa antimendigo". Trata-se de um piso inclinado, com superfície áspera, que impede os miseráveis de se abrigarem no lugar.
Já era um espaço bastante exíguo e disputado. O motorista que sai da Doutor Arnaldo e avança por aquela espécie de túnel começa reparando nas pinturas murais que enfeitam o caminho. Vê simpáticos grafites, figurinhas dançantes, uns ETs sorridentes e, à medida que o túnel se aprofunda, toma contato com ótimas reproduções de quadros modernistas: uma praia de Pancetti, uma paisagem de Tarsila, algumas mulheres de Di Cavalcanti ilustram aquele buraco urbano.
Quando subimos de novo em direção à Paulista, o vão de parede disponível para as pinturas diminui; só então, num ângulo espremido entre dois planos de calçada, é que vemos amontoados alguns seres humanos entre sacos de lixo, caixotes desmontados, fardos de roupa velha e ruínas de um colchão.
Construída como a arquibancada de um imaginário estádio para ratazanas, a obra da prefeitura ocupa esse pedaço do túnel, cuidando de desalojar os mendigos que dormiam por ali. A não ser que eles insistam em se deitar no novo plano inclinado, correndo o risco de rolar até o asfalto, onde terminariam providencialmente atropelados. De todo modo, a rampa ganhou um revestimento de chapisco, desconfortável o bastante para dissuadi-los da imprudência.
Chapisco? A palavra é demasiado vulgar. O melhor seria chamar de textura rústica a camada que recobre as rampas. Fico pensando de que modo se optou por esse pormenor decorativo. Afinal, não dá para saber quais os níveis de desconforto necessários para impedir um mendigo de se deitar onde quer que seja.
Por que não usar cacos de garrafa? Tudo ganharia um colorido nostálgico e suburbano, figurando uma São Paulo de outros tempos. Ou então pregos, espetos... Ah, mas aí seria extremismo. Nosso "dispositivo inclinado de afastamento de população indesejável" (diapi) não precisa agredir ninguém. Cumpre apenas, silenciosamente, o que a polícia ou a guarda municipal não poderiam fazer sem empregar um bocado de violência física.
E ninguém é violento por aqui. Só eles, é claro, os que se escondem no subterrâneo.
"Não se trata de rampa antimendigo", protesta com veemência o subprefeito da Sé em carta à Folha na última segunda. "A área, como é público e notório, servia para acoitar delinqüentes que se misturavam a pessoas que eventualmente moravam ali, também elas vítimas da ação criminosa."
Imagino então que as vítimas, uma vez expulsas do local, estejam agradecendo à prefeitura. Lamento, em todo caso, que se tenha perdido uma oportunidade rara de prender delinqüentes: não são muitos os que se deixam localizar em endereço fixo, público e notório.
Quem sabe, em vez de um plano inclinado, a prefeitura não deveria ter construído grades debaixo do viaduto: uma parceria com o governo Alckmin criaria ali uma interessante alternativa prisional.
Seja como for, poderemos apreciar melhor as comoventes réplicas de Portinari que, naquele trecho exato da passagem subterrânea, sofriam a concorrência dos mendigos reais. Admirem-se, portanto, aqueles esquálidos retirantes em sutis matizes de azul e cinza, corvos voejando em volta e lágrimas saindo aos jorros dos olhos de crianças famintas. Sabia das coisas o velho Portinari. Um pouco ultrapassado talvez.
Afinal, a arte engajada está fora de moda e não condiz com o ritmo pragmático da cidade. A nova rampa, lembrando uma escultura abstrata, rigorosa e pura, vem aludir a períodos ulteriores, menos conteudísticos, de nossa evolução estética. A não ser que represente uma homenagem ao auditório de Niemeyer no parque Ibirapuera e ao tobogã do Pacaembu. Se não nos atrapalhassem os mendigos, poderíamos apreciar muitas harmonias ocultas na paisagem paulistana.
Uma dúvida, entretanto. Será que, apesar de sua austeridade construtiva, essa rampa não é um instrumento de autopromoção do prefeito? Fala-se nele como candidato à Presidência da República. Terá alguém inconscientemente desenhado uma minirrampa do Planalto nos subterrâneos da Paulista? Sem esquecer que o seu próprio sobrenome sugere, a exemplo da nova obra, algo de escarpado, íngreme, difícil de subir.
Mas a determinação ascensional da prefeitura não pára por aí. Lança-se em direção aos postes da Eletropaulo. Sim, noticia-se a criação de uma taxa sobre tal equipamento urbano. O raciocínio é que os postes, sendo coisas privadas (em especial para os cachorros, aliás), ocupam um lugar público, as calçadas. Cabe, portanto, uma cobrança. Por que não?
Juntando uma coisa à outra, ocorre-me a solução definitiva para o caso da Paulista: cobrar imposto dos mendigos. Afinal, eles se apropriam de um bem público e o utilizam para fins pessoais. Exigindo-lhes uma taxa módica, conseguiríamos expulsá-los dali sem precisar gastar um tostão em rampas e chapiscos. Nada como os mecanismos de mercado. É o que eu sempre digo.
por O Anfitrião 10:20 PM
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[Domingo, Setembro 25]
"ela abaixou a maquina fotográfica dizendo que achava o prédio da pinacoteca a coisa mais linda dessa cidade. aquele prédio mal acabado incomum. é mesmo muito bonito. ela usou essa palavra, coisa, e em seguida me perguntou qual eu achava que era a coisa mais bonita da cidade. eu queria dizer que achava que ela era a coisa mais bonita da cidade. ela ia pensar que eu estava querendo agradar, ou pasando uma cantada idiota. não era uma cantada, mesmo que fosse uma coisa idiota para se dizer. fiquei quieto. ela perguntou, o muncipal?, concordei com a cabeça, acho que sim, completei. tirei mais algumas fotos. não voltamos mais no assunto. não lembrei de nada mais bonito também."
por O Anfitrião 7:25 PM
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[Sexta-feira, Setembro 23]
"jurei que nunca mais ia chorar por garota nenhuma na vida. jurei isso a muito tempo atrás. jurei isso chorando, por uma garota. a gente tem que a prender a nunca jurar nunca mais fazer uma coisa que a gente ta fazendo naquela hora.
eu juro que eu tentei segurar. eu não queria. eu so queria ser capaz de cumprir uma promessa simples que eu fiz para mim mesmo. eu decidi crescer e deixar de ser moleque. deixar de ouvir weezer, talvez. eu segurei bem durante todo o disco azul. mas ai eles tocaram in the garage. e ai eu não segurei mais.não sei por que, deve ser aquela parte, "In the garage I feel safe No one cares about my ways, sei lá. recebo visita daqui a pouco, preciso lavar o rosto."
por O Anfitrião 11:32 AM
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[Quinta-feira, Setembro 22]
"um dia, uma unica vez, a gente achou que teria uma chance. a gente viu um dos nossos chegar lá em cima. foi quando o muhammed ali derrubou o foreman, 13 assaltos. tomou soco pra caramba, mas ficou de pé ate o fim. derrubou o babaca do foreman. derrubou o babaca do don king. don king sempre se achou muito esperto, e vai ver era mesmo. nunca vai la pra cima. naquele dia a gente ate acreditou que a gente podia vencer.
nunca mais aconteceu nada. a gente nunca mais teve uma chance. a gente nãoi acredita mais que um dia vai vencer. a gente não acredita nisso a muito tempo. tanto que acho que a gente nem se importa mais. a gente continua no ringue, mas não pensa mais nisso, so vai tentando ficar de pé. mas seria legal ver alguém subir lá e derrubar mais um peso pesado de novo!"
por O Anfitrião 8:29 PM
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[Quarta-feira, Setembro 21]
ando bebendo demais. demais mesmo, mais do que imaginei que beberia. náo tenho gostado do que vejo no espelho, e pior, náo tenho me importado. tenho so bebido mais. tenho optado por bebidas mais fortes, dessas que agnte póe gelo. tenho evitado de por gelo, elas ficam mais fortes.
sou previsivel. náo sou novidade para ningu[em que me conhece. quem ja conversou comigo mais de quatro vezes - e at[e que sáo poucos - sempre sabe o que esperar de mim. náo me orgulho disso. hoje, so me orgulho de ter feito aquele eletroimã, que eu aprendia a fazer no manual do escoteiro mirim. eu colocava um monte de fio enrolado num prego, criando uma zona de tensáo. e um palito com um preguinho pensurado, proximo ao prego grande cheio de fio. ligava na for;a, e dava certo. bendido manual do escoteiro mirim! sei que vou deixar esse mundo com orgulho de ter feito alguma coisa.
náo me arrependo de nada. so constato que náo podia ter sido feito diferente. foda-se. quem se importa? meu coração é tinhoso e burro. burro como uma porta. azar dele. vai parar cedo, de tanto alcool que eu ponho pra dentro pra aguentar a pressáo. vou morrer de infarto, cora;áo de merda! quando aprender. vai ser tarde demais, almondega serelepe e estúpida!
quase sempre vejo graça em coisas prosaicas. uma musica, um livro, um fim de tarde os calçadões da cidade. hoje não to vendo graça em nada.
hoje eu queria uma passagem so de ida para um país exótico... para picotar e jogar no lixo, e continuar por aqui. num to com disposição para gostar de nada hoje.
por O Anfitrião 1:30 AM
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[Sexta-feira, Setembro 16]
começou a´intervenção urbana das vacas na cidade. os organizadores espalharam vacas por toda a cidade. é claro. aqui no centro, nem no velho nem no novo, ainda nõa vi nenhuma. mas deve ter, afinal, eles espalharam por toda a cidade. la na zona norte, minha mãe e amigos que moram lá garantem que também não ha nenhuma. parece que no guavirutuba, onde mora a mãe da patricia. não ha nenhuma. eu vi uma em pinheiros, perto da faria lima. parece que elas estão na paulista e em higinópolis. em higienópolis, um bairro residencial, para que as vacas estejam perto da população. é claro, a população mora toda em bairros como higienópolis.
é certo que não ha vacas em toda a cidade, mas para quem não sai de pinheiros/paulista, as vacas estão em toda a parte. o restro que se foda. sem vacas, sem teatros, sem cinema, sem livrarias, sem empregos, sem escolas, sem hospital, sem museus, sem frans café, sem feirinha da calixto, sem rapel no viaduto.
cada vez mais tenho certeza de que nessa cidade cada um mora numa cidade.
por O Anfitrião 2:41 PM
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[Terça-feira, Setembro 13]
e esse fim de semana parecia que não ia rolar trampo nenhum. tava meio desanimado já, então apareceram umas coisas legais para fazer. ha coisas que voce tem que fazer, para as coisas darem certo. parece que é verdade, embora eu ainda tente não admitir. eu limpei a casa, que estava muito bagunçada. e suja. duas horas depois eu ja tinha fechado dois trabalhos, um deles para esse fim de semana. a viviam me chamou para filmar a peça nova do hugo possolo, dos parlapatões. um cache legal para um trampo que eu faria de graça, se não fosse se isso que eu uso para pagar o vinho das crianças. e elas bebem muito vinho.
preferia que não tivesse acontecdio, quase dei o braço a torcer para os misticos. prefiro achar que foi coinhecidencia. fiz a segunda coisa que eu tinha de fazer, mas estava adiando. fiz compras, ecnhi a dispensa, chega de ter dinhiro no banco e deixar de fazer uma compra decente, de ter umas coisas legais na porra da geladeira pra comer quandoi de fome, nada demais, umas batatas fritas congeladas, almondegas, que bosta, eu sou um filha da puta de um canguinha, tenho medo de gastar dinheiro, sei lá, sou seguro demais eu acho, criação portuguesa do caralho.
voltei do mercado, algumas garrafas de vinho mais pobre e encontro a gisela, melhor amiga da patricia, com um problema: um filme do grupo de oficia de cinema dela estava sem ter como editar. e precisava ser editado pra segunda feira. combinei que eidtaria o filme com o grupo no domingo. combinei um valor legal também, que não onerasse demais o grupo. ni domingo, enquanto eu passava o filme para o computador, eu vi o tamanho da fria.
o roteiro era extremamente complicado, com tres realidades paralelas interligadas por um simbolismo complexo e exquisito. as tomadas estavam amadoras demais. o ator estava inexpressivo. a atriz, uma professora de balé estava viselmente descontente. as cenas foram feitas no porão de uma casa que serve de oficina cukltural. parece que era a